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O trabalho que o Rotary
International desenvolveu
para a erradicação da poliomielite no Brasil, e vem desenvolvendo para acabar com a doença no mundo todo, foi amplamente reconhecido na solenidade com que o Ministério da Saúde comemorou os dez anos sem notificação de casos da doença no Brasil.
Numa cerimônia - realizada no dia 13 de outubro no auditório Petrônio Portella, do Senado Federal - que contou com a presença dos ministros da Saúde, José Serra; da Educação, Paulo Renato Souza; do vice-ministro da Saúde de Angola, José Vieira Dias Van Dunem; do presidente da Fundação Nacional de Saúde, Mauro Ricardo Machado Costa e do diretor do Programa de Vacinas e Imunizações da Organização Mundial de Saúde - OMS, Ciro de Quadros, foram homenageados os nove ex-ministros da Saúde que, de uma ou de outra forma, se empenharam para que o Brasil alcançasse esse feito notável. Falaram na cerimônia, os ministros José Serra e Van Dunem; Paulo Viriato Corrêa da Costa, presidente 1990-91 do Rotary International e representante pessoal do presidente do RI, Carlo Ravizza, e o doutor Ciro de Quadros. "O Rotary International, que está presente em 162 países e que congrega mais de um milhão de pessoas, abraçou com o coração e com a razão o desafio de erradicar a pólio da face da Terra, até o ano 2005", disse Paulo Viriato, destacando que essa meta só será possível porque o trabalho do Rotary está sendo desenvolvido em parceria com a OMS e OPAS - Organização Panamericana de Saúde. O ex-presidente do RI fez um histórico do engajamento do Rotary nessa luta, destacando desde o fato de o criador da vacina oral contra a pólio, o médico Albert Sabin ser rotariano, até o engajamento de todos os 57 mil rotarianos brasileiros na árdua tarefa de conscientizar uma imensa população - espalhada por um país continental - para a necessidade de vacinação. Depois da erradicação da poliomielite no Brasil, o Rotary passou a sonhar com o fim da doença nas Américas e, agora, quer a sua extinção no mundo todo, acrescentou Paulo Viriato. Para isso, não está poupando esforços, o que pode ser medido por números impressionantes: os gastos até o ano 2005 - quando se comemorará o centenário da criação do Rotary - serão da ordem de meio bilhão de dólares. Os 112 países endêmicos registrados, quando começou a luta do Rotary, estão hoje reduzidos a 48. Por tudo isso, o Rotary transformou-se no maior contribuinte individual na luta contra a pólio, ressaltou o ex-presidente do RI. No encerramento de sua fala, Paulo Viriato pediu aos companheiros Archimedes Theodoro e Eudes de Souza Leão Pinto que entregassem ao ministro José Serra o livro Memória da Polio Plus no Brasil e um diploma de reconhecimento pelo seu trabalho. Também solicitou ao ministro José Serra que encaminhasse ao presidente Fernando Henrique Cardoso uma mensagem do presidente do Rotary International, Carlo Ravizza.
O ministro José Serra destacou no seu pronunciamento o fato de a solenidade estar reunindo oito ex-ministros da Saúde (apenas o companheiro Adib Jatene, em função de compromissos de trabalho, não pôde comparecer) "de diferentes épocas, governos e até mesmo regimes políticos, que sempre mantiveram uma linha de continuidade na luta contra a pólio". Lembrando que o Brasil tem o quinto território mais extenso do mundo e a quinta população, o ministro disse: "os brasileiros venceram um grande desafio". José Serra recordou que a luta pela vacinação contra a pólio remonta ao início da década de 70 e serviu como marco inicial para o gigantesco programa de vacinação brasileiro que, em 1999, ministrará 400 milhões de doses das mais diversas vacinas, contra meningite, hepatite B, tétano, rubéola, sarampo, pneumonia, difteria e febre amarela. Neste ano, frisou o ministro, pela primeira vez foi aplicada a vacina contra a gripe, que beneficiou cerca de 9 milhões de pessoas com mais de 65 anos. No ano que vem, a idade será reduzida para 60 anos. Se for feito um cálculo, levando em conta a inflação no período, o Brasil duplicou seus investimentos em vacinas entre 1996 e 1999, garantiu o ministro da Saúde. Em 1996, foram gastos 96 milhões de reais, contra 217 milhões de reais em 1999. A colaboração de vários ministros, de diferentes governos, ao longo de quase trinta anos, na luta contra a poliomielite, conclui José Serra, serve para mostrar que "a Saúde é uma área cujas decisões não devem ser politizadas". O vice-ministro Van Dunem, de Angola, fez um relato dramático da situação da Saúde em seu país, mergulhado em guerra há mais de duas décadas. Lembrou que, em março deste ano, houve um surto de pólio em Angola que atingiu mais de mil pessoas e matou mais de cem, e disse que é muito difícil o controle da vacinação porque parcelas consideráveis da população, acossadas pela violência, se movem incessantemente pelo país em busca de um local mais seguro. "Precisamos muito do apoio da OMS e do Rotary para que possamos vacinar as crianças nas províncias mais afetadas", disse o ministro angolano. Depois de dizer que o trabalho de vacinação de casa em casa vem sendo intensificado, Van Dunem agradeceu "o apoio humanitário, técnico e material que nos vem sendo oferecido pelo Rotary e pela Organização Mundial de Saúde". Ciro de Quadros, da Organização Mundial de Saúde, fez um histórico do movimento de vacinação no mundo e concluiu dizendo que "o Rotary vai ficar na história pela sua grande contribuição, seja nos recursos financeiros, que chegam a US$ 500 milhões, seja em material humano, para a conquista da vitória contra a pólio". Os ex-ministros da Saúde homenageados foram: Waldir Arcoverde, Roberto Santos, Borges da Silveira, Tseiko Suzuki, Alceni Guerra, Jamil Haddad, Adib Jatene, Henrique Santillo e Carlos Albuquerque. |