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Dois fatos, hoje, estão na consciência de
todos como da maior relevância: a importância da Educação e a do Terceiro
Setor. Vivemos um período de transição,
em que começa a tomar corpo a sociedade pós-capitalista com sua nova economia, a economia do conhecimento, atropelada, fustigada pelas tecnologias digital e da informação. A educação e a escola passam a ser as verdadeiras riquezas das nações.
De outro lado, a globalização e a complexidade de inúmeros problemas desafiam os governos, desnudando a sua incapacidade de solucioná-los. Com isso, passam a proliferar organizações privadas com responsabilidades públicas para ajudar, ou substituir, o poder público em suas funções.
As Organizações Não-Governamentais – ONG’s, crescem em número e importância, constituindo-se no que se passou a chamar de Terceiro Setor. A comunidade passa a assumir responsabilidades e a realizar trabalhos que, anteriormente, cabiam, apenas, ao Poder Público. A prestação de serviços cresce em quantidade e qualidade, e o custo é, drasticamente, reduzido, em benefício da sociedade. A cidadania se fortalece e a democracia passa a existir, não só como ideologia, mas, concretamente, na prática do dia-a-dia. As representações governamentais se reúnem para, em conjunto, equacionar os seus problemas, e paralelamente, as ONGs fazem o mesmo, abordando os mesmos assuntos, nas mesmas localidades e no mesmo momento. Isto aconteceu em Jostiem, na Tailândia, em 1991, quando 155 países coordenados pela Unesco decidiram, entre outras coisas, dar prioridade à área da Educação, colocando em prática políticas que garantissem a universalização do acesso ao ensino e a redução do analfabetismo à metade. Em 26, 27 e 28 de abril do ano passado, em Dacar, no Senegal, realizou-se nova reunião para avaliar os resultados dessas políticas e, apesar de um grande avanço, as metas não foram plenamente atingidas. Existem ainda 113 milhões de crianças, de 7 a 14 anos, fora da escola, e 880 milhões de analfabetos, dos quais 60% são mulheres. O Brasil apresentou resultados significativamente bons. As mulheres já são maioria em todos os níveis de ensino, do infantil ao curso superior. Da população, 86% de crianças, de 7 a 14 anos, que estavam na escola em 1991, subiram para 95%, em 1998. O analfabetismo recuou, de 20,1% em 1991, para 13,8%, em 1998. Precisamos melhorar essa performance, atingindo 100% de crianças na escola e reduzindo o analfabetismo a 6% nos próximos 15 anos. Temos ainda que garantir a expansão de oferta do ensino médio com qualidade e ampliar a cobertura na educação infantil. Há 54 anos, o Rotary Club de São Paulo, preocupado com a juventude em seu município, iniciou estudos para encontrar caminhos para ajudá-la. Motivados por esses estudos, 20 companheiros resolveram criar a Fundação de Rotarianos de São Paulo, centrando a sua ação na oferta de ensino, de alto padrão de qualidade, na construção da cidadania e na valorização da postura ética. Com um patrimônio de 100 milhões de dólares, a Fundação de Rotarianos de São Paulo mantém o Colégio Rio Branco, o Curso de Ensino Profissionalizante Rotary-CEPRO, o Curso Especial para Crianças Surdas, o Instituto de Tecnologia Avançada em Educação – ITAE, o Mutirão Digital e as Faculdades Domus. O Colégio Rio Branco tem, matriculados nas duas unidades Granja Vianna e Higienópolis, cerca de 5 mil alunos, nos cursos infantil, fundamental e médio. Com excelentes instalações e projeto pedagógico moderno, ele se utiliza de todos os recursos da mais avançada tecnologia. Com telas retráteis, sistema de som, acesso à Internet e à rede de computadores da escola em todas as salas; com kits móveis, compostos de um microcomputador multimídia, um projetor que capta sinal de vídeo e computador, um amplificador de som, um videocassete e um retroprojetor, o professor pode levar para a sala de aula softwares, apresentações de PowerPoint, vídeos e acessar o mundo através da Internet. Os alunos se servem, também, desses mesmos equipamentos para apresentações aos professores. Esta é a sala de aula que viabiliza a aplicação da nova pedagogia, onde o conhecimento é produzido pela informação interpretada, relacionada e processada, e onde o professor tem um novo papel e uma nova postura. Com biblioteca de mais de 90 mil volumes, hemeroteca, videoteca, laboratórios, que se rivalizam com os das melhores universidades e, acima de tudo, com um corpo docente altamente qualificado e atualizado, o Colégio Rio Branco é síntese de tradição e modernidade fazendo escola. Modernização O antigo Lar Escola Rotary, de 54 anos atrás, deu lugar ao moderno Centro de Ensino Profissionalizante Rotary-CEPRO, onde se formam 4.800 alunos por ano. Os jovens do CEPRO passam, obrigatoriamente, pelo curso de Capacitação Básica para o Trabalho, para depois escolherem outro, entre dez, de Capacitação Específica para o Trabalho. São cursos atuais como Informática, Hardware PC, Computação Gráfica, Desenho Arquitetônico, Desenho Publicitário, Telemarketing, Técnica de Vendas, Serigrafia, Cabeleireiro e Eletricista. Dois outros importantes programas são oferecidos aos jovens: Programa Jovem Empreendedor e Monitoria. No primeiro, um grupo de jovens organiza uma empresa e a dirige e, ao final de seis meses de trabalho contabiliza lucro ou prejuízo. Na Monitoria, uma equipe se forma e se ocupa de uma tarefa. Durante a realização dessa tarefa se estimulam e aperfeiçoam as qualidades de liderança dos componentes do grupo. A empregabilidade dos ex-alunos do CEPRO atesta a eficiência do ensino e o aproveitamento desses jovens, todos oriundos da escola média do ensino público. A Escola Especial para Crianças Surdas, funcionando em prédio recém-construído, trabalha com crianças surdas a partir de quatro anos, ministrando cursos regulares de ensino infantil e fundamental primeiro ciclo. Após a conclusão do 1º ciclo, os alunos passam a freqüentar o 2º ciclo do curso Fundamental, em escola pública. A Fundação contrata intérpretes da linguagem de sinais para traduzir para os alunos as aulas dos professores e as suas indagações. Apoiados por fonoaudiólogos, computadores, professores especializados e, também, por alguns auxiliares surdos, os jovens se preparam para atuar na sociedade onde predominam os ouvintes, mas vão desenvolvendo e assimilando a cultura surda. Nesse processo, a educação dos pais e familiares é condição sine qua non para a aceitação do aluno na escola. Tanto quanto para os alunos do CEPRO, o curso é totalmente gratuito, e reservado apenas para filhos de famílias sem condições financeiras para pagar por essa educação. O prestígio de nossa Escola Especial para Surdos já transpôs fronteiras e é considerada do mais alto padrão de ensino e instalações em nível internacional. O Instituto de Tecnologia Avançada em Educação – ITAE, é um fórum aberto e permanente, para o estudo e discussão de todos os assuntos e atividades, pedagógicas ou administrativas, que influenciam a Educação. Além de ser fórum permanente, promove cursos de reciclagem e aprimoramento para profissionais ligados à Educação, valendo-se de recursos humanos e técnicos nacionais e internacionais. O Mutirão Digital, que visa à melhoria da escola pública através da Internet, pretende colocar em toda escola pública computadores, como recurso pedagógico, e treinar seus professores pra usá-los em todo o território nacional. Este programa, que já vai para o terceiro ano de atividade, conta com o apoio técnico da Escola do Futuro da USP, do Colégio Rio Branco e a parceria do Rotary, no Brasil. Conta, também, com o apoio de empresas como o Banco Itaú, Microsoft e Carrefour, entre outras, e tem celebrado convênios com o poder público, através das Secretarias de Educação, estaduais e municipais. É um programa ambicioso que, começando pela Educação, caminhará para o desenvolvimento das comunidades, através da enorme rede de comunicação altamente qualificada e respeitável com base nas escolas e nos Rotary Clubs locais. Em termos modelares e estimuladores pelo exemplo, a Fundação de Rotarianos de São Paulo adotou a mais antiga escola pública do Estado de São Paulo, fundada em 1894, a Escola Estadual de São Paulo, o antigo Ginásio do Estado ou Colégio Presidente Roosevelt. O objetivo é dar a essa escola pública as condições de oferecer a mesma qualidade de ensino do Colégio Rio Branco. O trabalho conta com o apoio da Associação dos Antigos Alunos e o acompanhamento do Unicef. O resultado, certamente, terá repercussões profundas na melhoria do ensino em geral, e em particular, no ensino público de São Paulo. Ensino superior Talvez por ser o maior desafio e a maior conquista, deixamos para falar no final de nossas Faculdades Domus. Com uma bagagem educacional alicerçada nas conquistas do passado, adentramos, somente agora, no Ensino Superior, apesar dos instituidores da Fundação já contemplarem, nos estatutos de sua constituição, o ensino universitário como um de seus objetivos. Ganhamos respeitabilidade, capacitação e sustentação para empreender e realizar esse grande objetivo. Já somos a maior obra rotária do mundo, no campo da educação, e estamos caminhando agora para nos tornarmos a mais importante e abrangente entidade educacional do Terceiro Setor, no Brasil, sem a conotação de pública ou confessional. Temos pressa, mas priorizamos a qualidade. Iniciamos com cinco faculdades – Comunicação Social, Pedagogia, Relações Internacionais, Turismo e Análise de Sistemas –, já temos sete em funcionamento, com a abertura do processo de seleção para as faculdades de Administração e Letras. Neste mês teremos nove com o início das Faculdades de Economia e Direito. Com um corpo docente composto por 70% de doutores, 28% de mestres e 2% de especialistas, já somos Faculdades Unidas caminhando para Centro Universitário para nos tornarmos, finalmente, Universidade. Faculdades Domus, Faculdades Rio Branco, Universidade Rio Branco, Universidade Rotary, não importa. O que importa é que o ideal de Rotary está fluindo, atuando e movendo as engrenagens que ajudam o crescimento do nosso povo e propiciarão o ingresso do Brasil no concerto das nações desenvolvidas. Somos rotarianos e não temos o direito de ter sonhos pequenos. Nosso destino é acalentar sonhos ambiciosos e concretizá-los. Construir nosso Campus para daqui a dez anos e abrigar 15 mil alunos numa universidade-modelo não é tarefa pra qualquer um. Esta tarefa é própria para rotarianos, e a Fundação de Rotarianos de São Paulo sem dúvida, e se Deus quiser, dela irá se desincumbir bem. |