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Vou começar esta matéria contando uma pequena história
desses consultores especialistas em computação, que, hoje, encontramos
às pencas. Estava um velho agricultor, no campo, tocando as suas ovelhas
quando, de repente, numa estrada adiante, um senhor, muito bem vestido,
surgiu num lindo carro importado. Parou, olhou para o agricultor, abriu
a porteira e não fechou e dirigiu-se a ele: “Meu velho, estou vendo que
você tem um rebanho de ovelhas; se eu conseguir acertar o número delas você
me dá uma de presente?” O velho coçou a cabeça, pois jamais havia recebido uma proposta desse tipo e respondeu: “Tudo bem!” O especialista em computador pressionou, então, algumas teclas. Ligou com o satélite, que deu, pelo menos, uns dez gráficos diferentes e falou: “Você tem 4.180 ovelhas”. O velho disse, então: “Mas que diabos, não é que você acertou?” “Então eu tenho direito à ovelha que lhe pedi!”, disse o especialista. “Claro, vou cumprir a minha promessa, pode escolher”, respondeu o velho. O especialista pegou, sem demora, um dos animais e já ia saindo quando o velho agricultor chamou-o e falou: “Olha aqui moço, o senhor abriu a porteira e não fechou; entrou aqui sem que eu o convidasse, veio contar aquilo que eu já sabia e, agora, faça o favor de me devolver o cachorro, porque isso que está levando não é ovelha, é o meu cachorro”. Coisa inteligente Agora, falemos sobre globalização, o que eu considero uma das coisas mais inteligentes de que já ouvi falar na minha vida, nestes 50 anos de trabalho. A globalização significa sermos mais eficientes, administrarmos melhor; significa uma realidade mas, não obstante, traz para um país emergente como o Brasil, um dos problemas mais sérios que é o desemprego, que estamos vendo aumentar dia-a-dia. É evidente que nenhum de nós ousaria dizer que é contra modernizarmos-nos, sermos mais eficientes, termos uma organização mais séria. Infelizmente, com a globalização, criam-se as grandes fusões. Em 1960, 20% da população mais rica controlava 70% dos capitais do globo e 20% da população mais pobre, apenas 2,5%. Em 1984, essa relação passou para 20% dos mais ricos controlando 80% dos capitais do globo e 20% dos mais pobres somente 1,30%. A relação de 1960 era de 30 para 1 e após 24 anos passou a ser de 60 para 1, sendo que, ainda, nem havia globalização. Atualmente, o que vemos são essas fusões gigantescas. Só para se ter uma idéia, em 1998 essas fusões representavam 2,4 trilhões de dólares; só nos Estados Unidos 1,7 trilhões de dólares, o que significava, naquela ocasião, 20% do PIB norte-americano. Em 1999 as fusões passaram para 3,5 trilhões de dólares, ou seja, aumentaram 40% em um ano. O engraçado, mas curioso, é que essas fusões crescem numa velocidade maior quando é do primeiro para o terceiro mundos, comprando as ações majoritárias ou em minoria, uma porcentagem menor, dependendo das companhias, isso por pouco tempo. Evidentemente, eles são mais fortes do que nós; é só uma questão de tempo para que tomem conta das empresas, mas tudo bem, não temos nada contra isso, não estamos criticando, estamos, apenas, observando o que vem acontecendo. O que fazer Só resta a nós, brasileiros, – o que, aliás, o Rotary vem fazendo há muito tempo na área da Educação – colocar em nossas cabeças, como prioridade número um, educar com seriedade para sermos um país de pessoas preparadas ou, então, ser, tranqüilamente, engolidos e desaparecer do mapa. Vale, apenas, citar alguns exemplos que aconteceram, porque a colonização do mundo não foi uma história bonita. Pelo contrário, foi uma história muito triste, se pensarmos que, em 1870, o rei Leopoldo II, da Bélgica, enviou um emissário chamado Stanley, que conseguiu 400 procurações no Congo. Em 1878, oito anos depois, num congresso na Alemanha, transformaram essas procurações em propriedade particular do rei Leopoldo II e, aí, a Bélgica tomou conta do Congo Belga. O continente africano tem, aproximadamente, 30 milhões de km2, enquanto que a América do Sul tem 19 milhões de km2, portanto, praticamente, uma vez e meia maior que esta última. O único país livre não colonizado era a Libéria, com 110 mil km2 e fora, naturalmente, organizado e idealizado pela sociedade filantrópica americana, para que, depois da abolição da escravatura americana, pudessem enviar os negros para lá; uma maneira delicada de enviá-los para casa. A verdade é que 20 mil pessoas que saíram da América do Norte com destino à Libéria foram mal recebidas e a coisa não deu certo. Então, de 30 milhões de km2, apenas 110mil km2 eram livres; o restante eram colônias. Apenas para melhor esclarecer, é bom lembrar que somente a França tem na África uma colônia maior que o Brasil. Não somos contra o capital estrangeiro, pelo contrário, precisamos de sangue novo para ajudar o Brasil a crescer. Temos, porém, que evitar esses abusos, a exemplo do que aconteceu no continente africano, onde nesses 100 anos de ocupação, grande parte dos bens minerais e metais, como o cobre, cobalto, urânio, prata e o ouro foram, praticamente, perdidos. Se olharmos as estatísticas das pessoas contaminadas pelo vírus HIV, constataremos que somam 50 milhões de seres humanos, praticamente o mesmo número de pessoas que morreram na 2ª Guerra Mundial. A Aids sozinha, neste momento, tem 50 milhões de pessoas infectadas, com a sentença de morte cravada, só não sabendo a data certa da execução. Isso prova que faltou um plano de educação; essas pessoas não foram educadas, devidamente, como deveriam ter sido. O que pode atrapalhar É preciso, por outro lado, lembrar que no Brasil, com toda essa imensidão, o brasileiro deveria sair desse marasmo em que está, atualmente. O país tem que crescer e, agora, a única coisa que poderá atrapalhar esse crescimento, será uma crise energética. Temos a melhor posição energética do mundo, junto com a Noruega, onde a população é de cinco milhões de habitantes, enquanto, aqui, somos 165 milhões. No Brasil, 60% da energia são renováveis, enquanto que o mundo todo faz o maior esforço para, em 2003, chegar aos 20%. Aqui no país, 95% da energia gerada é elétrica, sendo evidente que ela depende de chuvas, mas como temos um enorme campo hídrico, talvez a maior bacia fluvial do mundo, isso, naturalmente, não deveria nos assustar. >> Leia mais na revista Brasil Rotário |