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Escola de Minas de Ouro Preto,
hoje uma realidade irrefutável


 J. R. de Andrade Ramos

   Foi o imperador D.Pedro II quem, com a sua vasta erudição e interessado pela mineralogia e pela geologia, alertado sobre os problemas da Terra, por José Bonifácio de Andrada e Silva, o patriarca da Independência, um renomado mineralogista, teve a idéia de, em 1874, pedir ao diretor da École Nationale Supérieure des Mines, professor Augusto Daubrée, que o orientasse para a criação de uma escola semelhante, em Minas Gerais.
   Impossibilitado de atender ao imperador, Daubrée, recomendou o seu discípulo Claude-Henri Gorceix, que, na ocasião, estava na Grécia, realizando uma série de pesquisas geológicas. Gorceix respondeu, não só aceitando o convite como, também, prontificando-se a ministrar o ensino da mineralogia e da geologia. E, então, em 1876, criava-se a Escola de Minas de Ouro Preto.

A Sala da Congregação, em estilo rococó, evoca a tradição do estabelecimento
      Uma Universidade
   Da união das centenárias Escola de Farmácia , fundada em 1839 e da Escola de Minas criada em 1876, surgiu a Universidade Federal de Ouro Preto que completou 30 anos no dia 21 de agosto do ano passado.
   Na década de 80, os departamentos de Geologia e Mineração da Escola de Minas, além de outras unidades da universidade, instalaram-se no campus do Morro do Cruzeiro e, em 1992, foi, então, construída no mesmo local, a nova Escola de Minas, mantendo-se, porém, no velho Palácio dos Governadores, os museus evocativos da história da secular escola, que funcionou, desde 1897, nesse palácio - construído em meados do século XVIII - quando o governo da província mudou-se para Belo Horizonte.
   O Museu da Ciência e Técnica da escola abriga vários setores, entre eles o de Mineralogia, que tem um acervo com 20 mil peças e é reconhecido como um dos mais completos do mundo.
   No setor de Metalurgia, existem verdadeiras preciosidades como o forno elétrico projetado em 1899 e o lingote da primeira corrida de alumínio do continente sul-americano.
   O setor de Desenho, é um verdadeiro ponto de referência histórica na engenharia nacional.
   Um crânio do Homem de Lagôa Santa, com mais de 14 mil anos, está entre os animais taxidermizados existentes no setor de História Natural.
   A única Esfera Armilar, do Brasil, é uma das peças que pode ser vista no setor de Astronomia e, na área da Topografia, estão teodolitos e diversos equipamentos, ilustrativos da evolução tecnológica ocorrida desde o século XVIII até os dias de hoje.
   A Biblioteca de Obras Raras, Professor José Pedro Xavier da Veiga, tem um acervo acumulado ao longo de mais de 124 anos que está, atualmente, à disposição do público. Nessa biblioteca, existem 23 mil exemplares, entre livros e documentos, das áreas de Geologia e Mínero-metalúrgica e, também, das ciências puras e aplicadas.
   Nos anos 40, a escola de Minas tinha um curso único com duração de seis anos, que era freqüentado por cerca de 100 alunos. Atualmente, a escola mantém sete cursos de engenharia de minas, metalurgia e de materiais, civil, geológica, de produção, de controle e automação, e ambiental, ministrados por 145 professores, dos quais 75 com Doutorado. Esses cursos são freqüentados por mais de 1.200 alunos.

      Reconhecimento
   Examinando sob o ângulo de uma escola superior de mineiros, há que reconhecer-se o que Gorceix afirmava há mais de um século, de que a deficiência do ensino de formação do Brasil – o primário – era a causa básica da precariedade da formação intelectual dos brasileiros.
   A história da educação no Brasil foi, quase que exclusivamente, apoiada nas humanidades. Essa excessiva importância dedicada ao estudo de humanidades é uma herança, provável, do ensino jesuítico, demonstrando desinteresse ou desconhecimento e, conseqüentemente, ausência de condições para o desenvolvimento das ciências exatas. Criavam-se cursos de línguas mas, as escolas permaneciam – e ainda permanecem, em parte – sem laboratórios.

      Um pouco de história
   A idéia de uma escola desse tipo já era antiga. Em 1823, o célebre intendente geral das minas de diamantes, Manuel Ferreira da Câmara Bittencourt, havia proposto dotar Minas Gerais, não com uma escola mas com uma “academia montanhística, docimástica e mais doutrinas de metalurgia”, já que sentia a falta de um embasamento técnico-científico para a lavra de diamantes.
   Esforçou-se, bastante, para organizar, na província dos minerais, a indústria do ferro, em Congonhas do Campo e outras localidades. Os próprios inconfidentes de Vila Rica, incluíram, em seus frustrados programas, uma Universidade, localizada em São João del Rei, visando mais aos recursos minerais.
   D.Pedro II preocupava-se, muito, com aquela província que tinha o sugestivo nome de Minas Gerais, desprovida de uma orientação universitária voltada para as suas atividades minerárias. E, por certo, a criação da Escola Politécnica, em 1874, no Rio de Janeiro, despertou a atenção dele para a grande lacuna que afetava aquela província das minas gerais havia quase dois séculos.
   Gorceix foi contratado pelo ministro do Império, visconde do Rio Branco, em 1874, por ordem do imperador, para realizar estudos mineralógicos na Província do Rio Grande do Sul, mas recebeu outra magna tarefa; tornar realidade o sonho do imperador de construir uma escola de minas.
   Gorceix vasculhou, cuidadosamente, o território mineiro, até encontrar o lugar ideal para implantar o projeto sonhado pelo imperador.
   Em relatório datado de 1875, ele propôs que o melhor local seria Ouro Preto, próxima de importantes explorações auríferas e de ferro e porque, além do mais, a capital da província já tinha um ginásio e uma Escola de Farmácia, com suas bibliotecas e seus laboratórios. E Ouro Preto reunia condições extremamente favoráveis ao projeto.

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