![]() |
|
Na pré-história as mulheres eram sagradas; todos os deuses eram femininos. Os homens não sabiam como as mulheres engravidavam e, por isso, acreditavam que elas recebiam, diretamente das divindades, a mensagem de uma nova vida, através dos seus corpos. As tribos praticavam a poligamia e, por isso, os filhos nasciam com traços de pais diferentes, mas tinham, sempre, características da mãe, que, ao contrário do pai, era conhecida. Eram os filhos da fulana ou da sicrana. Assim, através da mulher, surgiram os primeiros sinais, ainda que débeis, da chamada família. Era a descendência pela linha materna. O matriarcado, ainda hoje encontrado em muitas tribos primitivas. Nesse período os homens eram nômades, saiam para caçar ou para colher frutos. As mulheres ficavam em casa. Em seu lar pré-histórico começaram a perceber, vagarosamente, que as sementes caídas dos frutos consumidos podiam brotar. Após milhares de anos, algumas tentaram plantar aquelas sementes e, pouco a pouco, as mulheres foram descobrindo essa coisa moderna conhecida como agricultura. Os homens não mais precisavam sair para colher frutos. Acredita-se que elas, por ficarem em casa, tiveram que domesticar animais, primeiro para ajudar na segurança, depois para ajudar no trabalho e, finalmente, após milênios, para garantir o próprio sustento. Eram os primeiros passos da pecuária, ou seja, os homens não precisavam mais sair para caçar. Não tendo mais necessidade de sair para caçar ou colher frutos, os homens podiam deixar de ser nômades. E foram, então, tornando-se gregários. A mulher, ao colaborar para o homem não mais sair de casa, ao criar, rudimentarmente, a agricultura e a pecuária, ajudou a formar grupos maiores, fixos, que foram os estágios iniciais das grandes civilizações. Ao se fixarem na terra, os homens, mercê da maior força física, mais aptos para a guerra, a agricultura, a pecuária, assumiram o controle no trabalho, nos negócios, na política e nas mais variadas atividades. A mulher, deslocada para a reprodução e acompanhamento dos filhos, sobrecarregada, ainda, pelas responsabilidades domésticas, não conseguia tempo para atuações fora do lar. Essa aparência de pouca importância, entretanto, era apenas um disfarce. São Paulo, em uma de suas cartas a Coríntio disse: “A mulher é a glória do homem”. Sintetizava, assim, em poucas palavras, o que cada homem normal descobriu por si mesmo. Não importam ouro, poder ou fama se não existir a mulher para coroar-lhe a existência. Do mais simples ao mais importante, ele, como apenas um macho perante a natureza, necessita da mulher para cobrir-se de glória. A mulher, que já foi deusa, santa, feiticeira, que pode ser imaginada, desejada, amada, vigiada, disputada, glorificada, é um pouco de tudo isso e muito mais. Os árabes dizem que “Alá apanhou uma maçã do Mar Morto, uma rosa, um livro, uma serpente, uma pomba, um pouco de mel, um pouco de terra, misturou tudo e criou a mulher!” A grande participação da mulher na vida moderna, acredita-se, não é fruto de movimentos femininos ou de coisas semelhantes. O seu enorme impulso foi, certamente, o resultado do progresso da ciência, que lhe conseguiu tempo e espaço para a vida profissional e social. Conseguiu tempo porque, há pouco mais de um século, a média de filhos era de 12 por mulher e, para quem tinha 12 filhos em média, não havia tempo para outra coisa a não ser gerar e criar. A pílula e outros métodos anticoncepcionais foram os grandes libertadores; permitiram à mulher programar o seu futuro; planejar quantos filhos iria ter e quando. Faltava, porém, ainda, a vitória contra o domínio da força física que o homem sempre detivera e, isso, veio, novamente, pela ciência, com o advento das máquinas. Mesmo na agricultura ou na guerra, o fator decisivo já não é mais a força. É a tecnologia, ou seja, a inteligência materializada que predomina. Uma vez mais, a ciência do século XX foi a libertadora da mulher. As máquinas, as escadas rolantes, as esteiras eletrônicas, a direção hidráulica, os computadores e muitas outras coisas, deixaram a mulher em condições de igualdade para disputar, praticamente, todas as vagas do mercado de trabalho. A grande disputa do século XX foi pela excelência, não importando o sexo. Quem fazia melhor, quem era mais qualificado, era contratado. Era o espaço que ainda faltava para a mulher. >> Leia mais na revista Brasil Rotário |