Fale conosco Últimas notícias Conheça o Rotary Chat Página inicial

A mobilidade da sociedade e o Rotary

 Archimedes Theodoro

   Todos que estão preocupados com o desenvolvimento dos quadros sociais dos Rotary Clubs, têm procurado identificar as razões do baixo número de admissões e a crescente evasão de sócios nos clubes em funcionamento. Isso, levou-nos a cotejar alguns dados referentes à mobilidade social, especialmente no Brasil, recolhidos de trabalhos recentes, produzidos por pesquisadores, economistas e cientistas sociais dedicados ao assunto, para relacioná-los com o que está acontecendo no Rotary.

   A primeira coisa que chama a atenção nesses estudos é o decréscimo de status nas classes média e média-alta, alargando a base da pirâmide social, com reflexos nas associações de serviço voluntário como o Rotary que é, substancialmente, integrado por representantes dessas camadas da população. Esta é a parte da sociedade que apresenta maior índice de movimentação social, para baixo.
   Uma pesquisa feita pela demógrafa Flávia Cristina Drumond, da Universidade Federal de Minas Gerais, abrangendo regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife, mostrou que, de 1988 a 1996, dois, entre dez indivíduos, desceram na escala social, assinalando que esse comportamento resulta de um mercado muito mais competitivo, o que se justifica pelo fato de haver o Brasil melhorado, nos últimos anos, o nível educacional das populações, incluindo mais pessoas no mercado de trabalho, exigindo, conseqüentemente, maiores esforços para o indivíduo conquistar um nível mais elevado na escala de valores, como, também, maior empenho para permanecer no status já conquistado.
   O professor José Pastore, da USP, um especialista em estudos de mobilidade social, afirma que “A idéia de que a elite brasileira é produto de sua auto-reprodução é um mito. Ela não é integrada por pessoas que nasceram em berço de ouro, mas das que chegaram a essas posições graças à educação, um pouco de sorte, capacidade empreendedora e uma história de vida marcada, quase sempre, por muito sacrifício e persistência.”
   Em virtude das dificuldades econômicas para compatibilizar renda e despesas, muitas famílias retrocederam na escala social.
   Márcio Pochmann, professor da Universidade de Campinas, especialista em mercado de trabalho, reconhece “estar havendo a reprodução da chamada dança das cadeiras, pois, quando a música pára, como na conhecida brincadeira infantil, há mais pessoas em pé do que cadeiras para sentar”. Uns ficam de fora, enquanto outros conseguem manter seus postos de trabalho, com redobrada persistência e maior ocupação de tempo em suas atividades.
   Há algumas ilações que podemos tirar deste fenômeno e aplicá-las no contexto do Rotary. Os rotarianos – homens e mulheres – em razão do sistema de classificações que normatiza a sua participação no Rotary, só são admitidos nos clubes quando exercem profissão útil e idônea, em nível de direção, estando, portanto, sujeitos às influências dessa tendência da sociedade e vivendo, a maioria, preocupada com as instabilidades econômicas e o exarcebamento da competição, que as obriga a despender menos tempo em atividades fora do âmbito de suas prioridades essenciais do dia-a-dia, como o sustento da família e a manutenção dos seus negócios ou profissões de maneira produtiva.
   É evidente que, os que resolvem aderir a um clube de serviços como o Rotary, procuram sempre razões mais fortes para que essa adesão represente dar vazão àquela vocação inata nos indivíduos bem formados, cônscios de seus deveres de cidadania, que consideram a prestação de serviços aos outros e o desfrute de um companheirismo que lhes proporcione satisfações pessoais e amizades com gente de escol, algo importante para o preenchimento de suas vidas. Por tudo isso, a fidelidade a instituições de serviço voluntário está implícita na capacidade que as suas unidades de ação – no caso os Rotary Clubs – precisam ter para mostrar, cabalmente, que não estão ocupando o tempo, cada vez mais precioso, dos seus sócios, com reuniões improdutivas, programas rotineiros e sem estar envolvidas em projetos relevantes que possam utilizar o talento, a boa vontade e a capacidade de ajudar a fazer coisas importantes, que justifiquem os seus associados despenderem alguma parcela do tempo reservado para atender à sua vocação para servir.
   A mobilidade da sociedade, em escala decrescente, nos dias atuais, alargando a base da pirâmide social, não pode, no entanto, servir de justificativa para a permanência do status quo em relação às admissões de sócios e ao seu desligamento intempestivo dos quadros sociais. Ao tomarmos conhecimento de seus efeitos, cabe-nos arregimentar todos os recursos disponíveis para superá-los, e buscar, na informação permanente, dentro e fora do clube, sobre o que estamos fazendo e o que podemos fazer em benefício da sociedade, a força de convencimento que haverá de nos levar a atrair mais obreiros para a nossa messe e marcar, definitivamente, a presença positiva do Rotary nas comunidades de todo o mundo.



| Voltar | Principal | Rotary | Notícias | E-mail |

© Copyright 2001 - Revista Brasil Rotário