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Logo após a morte de Jesus Cristo, o apóstolo Tiago, irmão de João Evangelista, passou seis anos pregando o cristianismo na região que hoje forma a Espanha. No ano 44 foi decapitado na Palestina, a mando de Herodes. Os seus restos mortais foram transportados para o lugar de suas pregações, chamado de Finisterrae, ou Fim da Terra.
Esse lugar já era centro de peregrinações muito antes da era cristã, porque se acreditava que, a partir dali, o mundo acabava. Existiam várias teorias, entre elas a de que a Terra era achatada e, depois daquele ponto, caía-se num vácuo sem fim. Essa crença durou até a descoberta das Américas.A lenda diz que, por volta do ano 813, começaram a ocorrer milagres em Finisterrae. O bispo da Galícia, Teodomiro, mandou fazer escavações e teria encontrado o túmulo de Tiago. Estava num campo que era iluminado por uma estrela e, por isso, ganhou o nome de "campus stellae" ou "campo da estrela", o que originou Compostela. As peregrinações aumentavam e as pessoas se perdiam no percurso, o que fez o Papa Calixto II mandar criar o primeiro guia para os andarilhos. O sacerdote francês Aymeric Picaud escreveu esse guia por volta de 1131, denominado "Códice Calixtini" ou "Líber Sancti Jacobi", que até hoje é utilizado, em edições renovadas. Por sua vez, os moradores das margens das trilhas, condoídos com o sofrimento dos peregrinos, começaram a dar-lhes pousada e alimentos sem nada cobrar. O hábito se disseminou pelos 700 a 1.200km das cinco trilhas mais utilizadas e, a partir daí, foram criadas associações de apoio aos peregrinos, de modo a identificá-los e afastar os aproveitadores. Para ter o apoio dos albergues, o peregrino passa por um rigoroso interrogatório e só recebe ajuda se o meio de transporte for cavalo, bicicleta ou a pé. Quem pega carona perde o direito ao uso das pousadas gratuitas, e o "passaporte" recebido no início da jornada perde seu valor. Quem tem um "passaporte" carimbado em todos os pontos de parada guarda-o com orgulho. A influência dessas peregrinações a Compostela tornou-se tão vasta em todo o mundo que se disseminou o hábito de dar aos filhos o nome de Tiago, em diversas línguas, como Jacques, Jack, Yago, Jacob, Jakin etc. Igualmente estão espalhadas pelo mundo as receitas culinárias de comidas oferecidas aos peregrinos. No Brasil, diversas padarias de propriedade de galegos fabricam o Pão de São Tiago, uma espécie de panetone de massa mais espessa e frutas cristalizadas por cima da casca e não dentro do pão, como o italiano. Em São Paulo existe a Associação de Amigos do Caminho de Santiago/BR, uma das 73 existentes no mundo, sem fins lucrativos e reconhecida pela Xunta de Galicia, governo da província espanhola onde está situada a cidade de Santiago de Compostela. Em 1999 foram credenciados 823 peregrinos no Brasil. Os peregrinos dos novos tempos O mesmo aconteceu com um americano, de religião protestante, que se juntou alegremente a um grupo de peregrinos e se transformou no elemento de união e de encorajamento do restante do grupo para terminar a viagem. Eles queriam apenas sentir as emoções daquele hábito secular, sem se importarem com a essência da religião primitiva de Tiago, o apóstolo. O espírito de solidariedade dos moradores das margens das trilhas é inexplicável. Guy Veloso conta em seu livro que, no início da caminhada, um agricultor de aspecto rude passou por ele dirigindo um trator em alta velocidade. Alguns minutos depois o homem, de aspecto rude, e sem nada falar, voltou, entregou-lhe um cajado e amarrou sua mochila corretamente nas suas costas. >>Leia mais na Revista Brasil Rotário |