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| O Terceiro Setor, no Brasil, é um fenômeno surgido nas últimas três décadas, e consiste em uma mobilização de re cursos privados para fins públicos. É claro que esta é uma definição bem generalizada, porém cabível se estendermos o conceito de recursos para algo que vai além das finanças, incluindo, aí, disponibilidades de tempo, prestação de serviços profissionais, fornecimento de mão-de-obra, enfim, tudo que englobe o voluntarismo. As iniciativas da sociedade fizeram surgir as organizações não-governamentais, principalmente em oposição ao autoritarismo do Estado nesta época que se opunha à participação dessa sociedade nos afazeres estatais. A noção de responsabilidade social evolui, trazendo, assim, o mundo corporativo para essa nova realidade com o investimento de empresas na área social, cultural e ambiental, fomentado pelo Estado, que concede incentivos fiscais e comerciais para quem o pratica. Esses investimentos podem ser realizados tanto de forma direta, quanto através das chamadas ONGs. Era do Conhecimento No mercado atual, as empresas estão partindo para a cidadania corporativa, seja através da utilização do seu quadro de pessoal, em dias determinados, para que se realize qualquer serviço para a comunidade, seja através da permissão para que os seus técnicos dispensem algumas horas da semana em atividades sociais, empregando o seu conhecimento, ou mesmo com destinação de verbas para projetos relacionados à comunidade local, sendo esta a forma de participação direta, citada acima. Vale dizer que são essas organizações as preferidas pelos novos talentos na chamada Era do Conhecimento, onde o capital intelectual é o principal ativo das corporações. Atividade social e Mercado Entretanto, muito se faz através das organizações de sociedade civil, ou OSCs. Para se ter uma idéia, no Brasil existem, aproximadamente, 250 mil dessas organizações de interesse público. Suas atividades são as mais variadas e existem, até mesmo, aquelas que dão retorno financeiro, assemelhando-se a empresas, isto porque sua gestão é feita por profissionais, gente que foi preparada para gerenciar organizações desse gênero. Já existem cursos de gestão nas melhores escolas do país destinados a esse mercado. É a completa interação da atividade social com o mercado, as OSCs bem-sucedidas estão completamente assentadas no nosso mundo atual, na sociedade da informação, e fazem dessa ferramenta o seu principal instrumento de gestão. Em um artigo na Internet encontrei excelente dissertação sobre o tema, feita por Rubem César Fernandes e Miguel Darcy Oliveira no site http://www.rits.org.br, que assim discorrem sobre a utilização da informação: "As OSCs mais dinâmicas investem na qualificação das suas próprias informações. Este é o passo mais importante. São informações sobre os fins - o que fazem, para quem, com que resultados - e sobre os meios - como fazem, com que recursos físicos, humanos e financeiros. Senhora das suas informações, a OSC é capaz de se comunicar melhor com o seu público alvo, defini-lo com clareza e divulgar as suas mensagens. Sabendo de si e do seu público, é capaz de informar melhor aos potenciais financiadores: os próprios beneficiários, empresas, fundações ou órgãos do governo". "As OSCs, que devem muito à religião e à política, são desafiadas, agora, a aprenderem com o mercado", e fala ainda mais à frente: "as novas oportunidades exigem clareza gerencial. A empresa que se interessa pelo financiamento de um projeto traz consigo, a sua cultura. Pensa a ação como um produto". Investimento consciente O Rotary já existia antes mesmo desse movimento surgir, afinal é uma instituição centenária, mas seus objetivos seguem o mesmo compasso dessas tendências, em que pese o Rotary ter finalidades mais amplas, como o companheirismo, a troca de experiências entre os seus membros, a convivência e outros fins que independem da prestação de serviços sociais. De qualquer modo, mostra-se primordial, a qualquer instituição, que ela acompanhe os movimentos de cada época que atravessa, não por obedecer a modismos, mas para ter condições de recrutar pessoas, investimentos, ou seja, recursos, no sentido amplo da palavra, o que já foi mencionado neste texto. É fato que nenhuma instituição existirá sem esses elementos básicos: não há Rotary sem rotarianos, e nem rotarianos sem recursos; pensar de modo diverso é ocultar o óbvio sob o manto da utopia. Vimos que todas as instituições como a nossa, estão profissionalizando a sua gestão e buscam dar retorno aos seus colaboradores; por mais que uma empresa invista em qualquer atividade social, sempre haverá o fim de obter algum crescimento com isso - empresas foram feitas para gerar lucro, e nada mais! Aliás, se assim não fizerem, nossas leis mandam que seja liquidada. Se alguma instituição destina verbas para uma campanha de vacinação de crianças dentro de determinada comunidade, ou para a construção de casas populares e creches, há o intuito de usufruir ganhos com essa atitude, seja através da propaganda gerada com aquela ação, seja para aumentar a produtividade dos seus funcionários que integram aquela comunidade ou outro motivo, não importa; é o investimento social e consciente. Por tudo isso, fica claro que estamos na época de aproveitar essa disposição para investimentos sociais das empresas, exercendo a administração dos nossos clubes com a preocupação de obter retorno para os investidores. Cumpre dizer que é isso o que vêm fazendo as ONGs, e tem tornado tão populares algumas delas. Estratégia de promoção Além da necessidade de retorno, outro ponto importante é o marketing. Para ser bem visto no ambiente empresarial, para tornar-se alvo de investimentos e parcerias, para se mostrar como ponto entre a corporação, o capital e o serviço social, o Rotary precisa promover-se, fazer-se conhecido. Um exemplo disso é a campanha de vacinação contra a pólio; muitas pessoas não têm a menor idéia da importância da participação do Rotary nesse empreendimento. Faz-se mister uma gestão que se preocupe com a divulgação das atividades rotárias, dos resultados de suas ações, enfim, elementos que ensejarão, espontaneamente, o aumento do quadro social, a canalização de recursos para a Fundação Rotária, a realização de projetos comunitários nos clubes entre outros. Fica tudo mais fácil para operar; a empresa precisa e tem fôlego para investir; o Rotary tem projetos porque conhece a comunidade muito bem, em função da sua organização em clubes pelo Brasil todo; as alternativas são apresentadas ao investidor e ele, de acordo com o seu interesse, resolve aonde canalizar recursos. Saliente-se que o interesse tem que ser do investidor, como em qualquer negócio, e cumpre-nos conduzir o processo de forma a aliar o interesse da empresa ao do Rotary. De preferência com a apresentação de uma espécie de business plan, contendo origem e destinos dos recursos financeiros, resultados esperados, benefícios sociais almejados, projeção da imagem da empresa, retorno planejado - publicidade, produtividade de funcionários e outros. Vemos, pois, que para agir desse modo, não existe outra forma senão com uma gestão profissional, nos moldes da economia atual, já que estamos inseridos nesse contexto e mostra-se impossível fugir dele; é o que estão fazendo as diversas organizações de sociedade civil. O Rotary precisa fazer parte do Terceiro Setor, e tem condições de ser um referencial nesse sistema, já que nenhuma outra instituição semelhante tem a sua organização disseminada pelo mundo e o seu profundo conhecimento dos problemas e necessidades da comunidade existente na área de atuação de cada clube. Temos uma vantagem, um objetivo, e muitos pretensos parceiros desconhecidos: é tirá-los da escuridão e seguir a passos largos. |