Em julho, o diretor do RI em 1985-87, Mário de Oliveira Antonino, veio especialmente do Recife para falar na plenária do clube nº 1 do Brasil, o RC do Rio de Janeiro.
Transcrevemos alguns trechos dessa palestra que se constituiu em uma preciosa Informação Rotária. Disse Mário Antonino:
O ingresso
Fui convidado para ingressar no Rotary aos 29 anos de idade. Era um engenheiro em início
de carreira e Rotary meu deu a oportunidade de estar ao lado de um Lauro Borba, de um Valdemar de Oliveira, de José Paulo Alimonda, Jorge Bittencourt, de figuras do maior conceito na Medicina, no Direito, nos negócios da vida do Recife. À medida em que comecei a estudar Rotary, a conhecer o seu ideário, vi que ele se harmonizava perfeitamente com a formação que recebi dos meus pais, quando menino. Fui educado por uma mãe professora - mulher de dotes excepcionais - que ao insistir para que eu e os meus irmãos estudássemos, dizia: "Meu filho, o saber é o único tesouro que ninguém pode tirar de uma pessoa". Além disso, meu pai, um sertanejo austero, sério, honrado, tinha o sangue mais quente, sempre abrandado pela doçura da conduta da minha mãe. Uma palavra dela, em casa, era água fria na fervura. Um privilégio da nossa lembrança deles, do casal: nunca vi cara feia de um para o outro. Papai também tinha um espírito servidor, assim, já tivemos na infância uma educação doméstica com o culto ao bem-comum, à solidariedade, à amizade, de amor ao semelhante.
Foi fácil, pois, identificar no Rotary as atrações para essa importante experiência de vida.
Sou sócio-fundador do RC Recife-Largo da Paz (15.12.62), fui governador do distrito (1972-73) e diretor do RI, em 1985-87. Em muitas e muitas ocasiões, fico sem saber se dedico mais tempo à família, à profissão ou ao Rotary.
Uma palavra ao presidente
Se voltasse a ser presidente de um Rotary Club ou se pudesse dirigir-me ao presidente que se organiza para iniciar sua gestão, primeiro, procuraria tratar todos os companheiros com o maior afeto, com o máximo de consideração. Tentaria motivá-los para o serviço, e só colocaria um companheiro em determinada comissão se ele pudesse identificar-se com as ações pretendidas, e se realmente estivesse disposto a trabalhar. Valorizo muito o envolvimento dos rotarianos com as atividades do clube, pois o serviço é a face visível do Rotary. É ele que motiva o indivíduo a descobrir o lado mais bonito da nossa organização.
Perda de sócio
Muitas vezes o clube perde um sócio porque ele não teve a oportunidade de sentir a beleza do ideal do Rotary. Ou porque não foi tocado em seu coração para o servir ao semelhante. Ou, então, quando o companheiro concorda com sua inclusão no Plano de Atividades e nada o motiva a realizar alguma ação; naturalmente ele fica com a sensação de que é um rotariano indiferente, de segunda categoria, ou parece não ser capaz ou, pelo menos, que é um desinteressado. Se ele se sentir inútil, obviamente a tendência é deixar o clube.
Dentro do conceito de companheirismo, que é a mola propulsora do Rotary, devemos também identificar se o companheiro está atravessando alguma dificuldade, de qualquer ordem, a fim de que o clube possa mostrar-se solidário, emprestando-lhe o conforto da amizade e do verdadeiro companheirismo.
Entendo, também, que ao lado da indispensável consideração que os mais antigos devem ter para com os novos, o mais importante é que cada Rotary Club tenha sua atuação pautada pela trilogia: qualidade, otimização e modernidade. O quadro social é de excelente nível? Os recursos humanos estão sendo utilizados de modo a que cada sócio produza satisfatoriamente os programas semanais e as atividades do clube estão em consonância com a modernidade dos temas de interesse da sociedade contemporânea?
O Rotary e a ONU
Às vezes não damos conta da importância que Rotary representa. Bastaria que lhes relatasse recente fato, ocorrido, em Brasília, quando preparávamos a Conferência Latino-America sobre População e Desenvolvimento: Flávio Mendlovitz e eu fomos visitar a Dra. Rosemary Barber-Madden, representante do Fundo de População das Nações Unidas, no Brasil. Minutos antes de iniciarmos nosso diálogo, já havíamos recebido da Dra. Rosemary as mais espontâneas demonstrações de apreço ao Rotary. Ela foi taxativa: "Os senhores aqui vieram quando nós é que devíamos ir ao encontro do Rotary, um parceiro da ONU de tal dimensão que não podemos nos firmar em qualquer país sem ter o apoio de uma organização como o Rotary". Foi-nos assegurado, de imediato, o indispensável apoio financeiro para a publicação dos Anais da Conferência; apoio com a presença de diretores vindos da sede em Nova York; total adesão de sua equipe de Brasília, além de valiosas sugestões para o programa.
Todavia, o mais importante, mesmo, foi a forma como essa parceria se deve à dra. Rosemary, que a toda hora, ressaltava a importância do trabalho do Rotary. As suas assistentes trabalharam com tanto empenho que tínhamos dúvidas se elas já eram rotarianas ou não. O mesmo se deu na visita do dr. Jakobo Finkelman, representante da Opas no Brasil. Fatos semelhantes ocorreram em diversas outras situações, envolvendo embaixadores, convidados especiais e governantes, com os mais diversos depoimentos enaltecedores do serviço prestado pela nossa organização.
Uma palavra final
Devo agradecer-lhes, sensibilizado, pelas atenções que vocês me dispensaram. Falar na tribuna do RC do Rio de Janeiro é uma honra para qualquer pessoa. Mas gostaria de fazer duas sugestões antes de concluir:
Primeiro, que vocês valorizem ao máximo a nossa revista Brasil Rotário. Ela é o porta-voz do Rotary no Brasil, é a mais destacada revista regional do mundo. É um orgulho de todos nós. E estamos numa sociedade globalizada onde as comunicações ganharam importância transcendental.
Segundo, que vocês dêem continuidade às ações beneméritas que, tradicionalmente, têm sabido fazer: educação; oficinas da Fret; apoio à juventude; ética profissional; inúmeros exemplos de serviços que partindo deste RC do Rio de Janeiro, serão imediatamente multiplicados. Mas não deixem de promover reuniões especiais de debates, tipo interclubes, com convidados oriundos de diferentes segmentos da comunidade. A complexidade de certas questões chegou a tal ponto que somente a vontade coletiva pode amenizá-las:
"Atualmente, a violência em São Paulo mata mais que qualquer doença".
"Nos últimos seis anos, dos 5.507 municípios brasileiros, 1.501 perderam população".
"Algumas cidades incham e a qualidade de vida se deteriora cada vez mais".
Querida presidente Christa, companheiros:
Que neste clube-legenda, onde a liderança feminina encanta, onde os talentos e a competência estão instalados, Deus faça do Rotary um instrumento de urgentes mudanças, de crescimento das pessoas, de amor fraterno e de paz.
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