![]() |
|
| O sistema de classificações no Rotary decorre da idéia de que cada clube representa um corte transversal da respectiva comunidade, dele devendo fazer parte os profissionais de todas as atividades ali existentes não apenas para que elas tenham representação dentro do Rotary Club-, mas, igualmente, para que a nossa instituição esteja representada em cada atividade ocupacional do seu território. Com essa estrutura, nosso fundador Paul Harris pretendeu assegurar a compreensão e a paz universal, através do entrelaçamento, via Rotary, dos profissionais de todo o mundo ligados pelo denominador comum da sua idoneidade pessoal e espírito comunitário pré-requisitos essenciais para que alguém possa ser rotariano. Princípio ético Por esse caminho, desde o início do século, a nossa instituição empenha-se em eliminar, da mente dos homens, a idéia da luta de classes; os ditos populares do tipo amigos amigos, negócios à parte; o preconceito de que os concorrentes são inimigos: o egoísmo de cada um por si e Deus por todos e de que os lucros devem ter prioridade exclusiva, o capitalismo pode ser selvagem e seria justificável fazer aos outros antes que os outros fizessem a nós. Em suma, o Rotary tenta, em sua incansável pregação, fazer sobrepor, ao espírito de competição, um princípio ético. Através desse posicionamento, procura convencer as pessoas a verem suas ocupações, não exclusivamente como um meio para obterem ganhos materiais, mas como oportunidade para servir à sociedade onde vivem e a não aceitarem lucros sem remuneração, decorrentes de vantagens injustas, abuso de privilégio ou violação de confiança. Nossa organização considera, basicamente, que, embora o rotariano possa ser ambicioso para ser bem sucedido nos negócios e na profissão, deve ser um homem ético, cujo sucesso seja calcado na decência e no procedimento justo. O Rotary coloca à disposição de seus membros as ferramentas e as técnicas necessárias ao atendimento desse dever, pelo incentivo ao companheirismo e pelo reconhecimento do mérito de toda a ocupação útil, procurando a melhoria da comunidade e a aproximação dos representantes de cada atividade, para atingir aquele escopo maior, da consolidação das boas relações e da cooperação entre as nações. Essencialmente, é através da atuação individual dos rotarianos, que essas metas podem ser alcançadas. Pelo exemplo pessoal, pela integração ativa nas entidades de classe, pelo esforço sincero no aprimoramento das relações humanas em seu próprio ambiente de trabalho, tanto em nível de patrão e de empregado, como perante os concorrentes, os fornecedores, os compradores, ou os clientes, seja na indústria, no comércio ou nas profissões liberais. Somente dessa forma, agindo com espírito de justiça, e, especialmente, de boa fé, estaremos contribuindo, verdadeiramente, para o desarmamento de espíritos e para uma convivência civilizada. A nossa responsabilidade é, portanto, pessoal e intransferível, mesmo quando os programas são promovidos pelo clube ou pelos distritos; e nossa omissão no desempenho de tais obrigações, assumidas, espontaneamente, quando recebemos o distintivo rotário, significaria que ocupamos um lugar a que não temos direito, já que estaríamos deixando de exercer, convenientemente, a representação de Rotary em nosso meio, de acordo com a classificação que concordamos em preencher. Essa falta é tanto mais grave, quando sentimos que é cada vez maior o peso que recai sobre os ombros dos que trabalham, principalmente daqueles que são detentores de parcelas consideráveis dos capitais das empresas, ou as dirigem. Sabemos que nem tudo que é permitido é honesto: a moral exige muito mais do que a norma jurídica. E não basta, hoje, obedecer à legislação e abster-se de praticar concorrência desleal, captação de clientela e propaganda destinada a enganar o consumidor ou cliente. O empresário defronta-se, agora, com uma nova realidade brasileira: a instabilidade econômica. Ela o coloca de frente para as mais evoluídas necessidades e formas de competição, não, exclusivamente, de preços, mas, também, de desenvolvimento tecnológico e de produção; e ele continua enfrentando os mais graves problemas sociais, consciente de que não é responsável apenas por um segmento da economia, mas pelo padrão de vida das famílias de seus empregados. O industrial, o comerciante e o empregador em geral, têm de aceitar o desafio de aprimorar o relacionamento que os tempos atuais impõem com os sindicatos de trabalhadores, e já estão convencidos de que são os interlocutores necessários do grande diálogo político que interessa a todas as forças da nacionalidade. Única forma Diante desse quadro, somente a comunicação pode conduzir à compreensão e à cooperação. E o Rotary é, sem dúvida, um sistema de comunicação entre profissionais, querendo auxiliar os homens de consciência a darem aos seus problemas soluções acima das intenções meramente egoístas ou imediatistas, tentando fazê-los compreender que, para terem sentido de validade permanente, as relações humanas precisam ser calcadas sobre reais valores éticos e espirituais, caso contrário, não subsistirão, e serão, unicamente, palavras. Isso nos impõe maior cuidado e rigor na escolha dos candidatos a ingresso nos clubes e na eleição de postulantes a cargos rotários, em quaisquer níveis. Pois quem é mau caráter, quem não se dá ao respeito como pai e chefe de família, quem não é idôneo nos negócios, quem corrompe ou se deixa corromper, não pode ser admitido no Rotary. Basta ter olhos, para ver, em qualquer lugar, à toda hora, nos diversos quadrantes da terra, que jamais, como na época que atravessamos, existiu tamanha e tão crucial necessidade de um esforço conjugado dos homens de bem; de um empenho, enérgico e consciente, sob o mesmo denominador, para melhorar e aperfeiçoar, impregnando de bondade, de amor e de ética, todos os nossos atos, tornando-os mais coerentes com a crença que temos em Deus. Só dessa forma estaremos assumindo, verdadeiramente, a quota que nos cabe no movimento rotário. E se assim é, que tal pormos em prática o lema do presidente Carlo Ravizza, e, agirmos com coerência, confiança e continuidade, em benefício, também , da nossa Pátria? Que tal tentarmos mudar mas mudar mesmo o atual estado de coisas, não apenas através do nosso engajamento pessoal no pensamento positivo de melhorar o país, dando, inclusive, o exemplo da nossa conduta pessoal, mas, igualmente, pela pregação incessante dos princípios de civismo e de decência que deveriam nortear o procedimento de todos quantos verdadeiramente desejam melhorar o mundo? Poderíamos, quem sabe, começar pela revogação definitiva da famosa Lei de Gérson até porque, para cada esperto que gosta de levar vantagem em tudo, é preciso haver pelo menos um otário; e será impossível continuarmos sendo um país de espertos, sem sermos, ao mesmo tempo, um país de otários! |