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XXIV Instituto Rotário do Brasil

  Lindoval de Oliveira

      Primeira sessão plenária
 
  Mesa da 2ª plenária: Adélia Villas, Edwin Futa, Richard King, Alceu Vezozzo, Luis Giay e Eduardo de Barros Pimentel
   
   No dia 7, às 9 horas, pontualmente, Alceu Vezozzo deu início à primeira reunião plenária e ao apresentar a palestrante, companheira paisagista Liane Muller Borges, sócia do RC São Paulo-Jardim das Bandeiras, chamou a atenção da grande platéia presente: “Vocês vão ver, através do depoimento de Liane, como é possível transformar uma experiência azeda como um limão em uma excelente limonada”.
   O tema da palestra – “Uma vida melhor para a comunidade” – foi o relato de uma experiência vivida por Liane ao retornar ao Brasil, depois de viver por mais de 10 anos nos EUA, ao lado do marido, diretor do Banco Real. De lá, comentou, acompanhava com tristeza as notícias sobre nossas crianças famintas. Aqui, residindo no Morumbi, bairro de classe alta de São Paulo, sofreu cinco assaltos e, no último, ficou refém numa favela próxima à sua casa.Lá, olhava pela janela as crianças brincando no lixo. Ao ser libertada, prometeu que voltaria ao cativeiro para procurar ajudar aquelas pessoas tão necessitadas. “Percebi que a violência é a criança que não escolheu onde nasceu, que cresceu no meio da violência e pobreza e, consequentemente, tornou-se um marginal”, disse. A partir de então, fundou, há 10 anos, a Associação Criança Brasil, que atua nas favelas Jardim Panorama, Vila Dalva e Real Parque. No primeiro núcleo, a Panorama, o impacto social foi de 100%, zerando a marginalidade e o aproveitamento escolar chega a 95%. A entidade conta hoje com 800 crianças e adolescentes, está inteiramente integrada na comunidade carente, tem 80 educadores, sendo mais de 80% pertencentes às próprias favelas, atuando nas creches, centros de juventude e cursos profissionalizantes, realizados em parceria com a iniciativa privada. Finalizou dizendo: “Não podemos deixar esta responsabilidade apenas para o Governo; também devemos fazer a nossa parte”.

      Participação de ex-bolsista
   “Como o cidadão de hoje vê o Rotary” foi o tema do segundo palestrante, professor Luiz de Almeida Marins Filho, ex-bolsista da Fundação Rotária. Com respeito à imagem do Rotary, disse que “O primeiro passo a ser dado é ser amigo da mudança. O desafio da mudança é a liderança. Vocês são rotarianos porque são líderes. Dêem mais de si. Para quem costuma falar ‘No meu tempo São Paulo não era assim...’ ‘No meu tempo não havia isso...’ Eu tenho vontade de perguntar: onde está o seu atestado de óbito?” E continuou: ”O brasileiro deve passar de uma consciência ingênua para uma consciência crítica. Por que grandes empresas financeiras estão se instalando no Brasil? Porque o mundo tem uma coisa que se chama mercado maduro, representado pelos EUA, Europa e Japão. Mas eles precisam de mercados emergentes como o Brasil, Índia e China. A população da Índia é 72% campesina e a da China, 60%. No Brasil é de apenas 19%, além de ser ocidental.
   Existem no Brasil 33 milhões de pobres e 9,7 milhões de famílias de classe média, mas existem 11 milhões de ricos e 120 milhões de classe média emergente. Duzentos e cinqüenta produtos cresceram mais de 50% nos últimos cinco anos. Em outros países isso não acontece”. Com relação ao lema A Humanidade é a Nossa Missão, disse que deveria ser: “Gente é o nosso negócio”, porque “O grande desafio do Rotary é passar da convicção para a conversão”, concluiu.

      Palestras da tarde
   Abrindo este novo ciclo de palestras, Adélia Antonieta Villas, a primeira mulher, no Brasil, a ser governadora de distrito, o 4570, abordou “Rotary e a Juventude – Ryla, Intercâmbio de Jovens, Interact e Rotaract”, declarando:
   “Desde cedo, como educadora e mãe, desenvolvi uma certeza: a de que os jovens em nosso país, seja dentro do contexto familiar ou durante o processo de formação nas escolas, nunca foram, de fato, estimulados a pensar na parte da responsabilidade que lhes cabe com a sociedade. A formação do cidadão não é prevista de forma sistemática, nem no sistema educacional e mais comumente do que se pensa, as famílias entendem que esta é uma missão da escola. O espírito voluntário só vai aflorar muito mais tarde, quando ele já é adulto, um profissional e passa a entender que cabe a todo cidadão colaborar para o bem-estar do seu semelhante, mesmo porque o governo não pode tudo”. Em outro trecho de sua palestra, Adélia disse: ”Como mulher de rotariano, vivenciei vários dos programas do Rotary dirigidos aos jovens, obtendo respostas para as minhas angústias: enfim, uma instituição se preocupava em reunir adolescentes, dos dois sexos, de diferentes níveis sociais, para, organizados, pensarem e desenvolverem suas potencialidades através de programas voltados às comunidades. Que grandes laboratórios de desenvolvimento de lideranças são o Interact Clubs e os Ryla. No entanto, após quase cinqüenta anos de sua criação, acho que nós, adultos, rotarianos, não nos damos conta do eficiente instrumento que temos em mão e da nossa responsabilidade para com a juventude. É necessário que mais e mais Interacts sejam criados e apoiados pelos RCs. Da mesma forma, o Intercâmbio Internacional de Jovens, ao proporcionar, principalmente, a experiência da inserção de jovens de diferentes países nas famílias de rotarianos, onde são recebidos como se delas fossem, representa um amadurecimento que nenhum outro processo educacional consegue em tão curto tempo. Também o Rotaract, um clube de jovens adultos, é o melhor exemplo de parceria que um RC pode vivenciar. Sou testemunha do valor e da força que representa para os rotarianos do RC de Luanda, em Angola, terem junto nas suas campanhas, principalmente a da erradicação da pólio naquele país, os jovens do Rotaract Club de Luanda.
   Recentemente, e num outro contexto, a criação dos RCs Novas Gerações veio mostrar aos rotarianos e à sociedade que os jovens profissionais também se importam e querem participar.
   Assim é o Rotary, desenvolvendo as suas atividades humanitárias através de programas que surgiram da sensibilidade de rotarianos de várias partes do planeta e que se espalham com a sua ação por todo o mundo”.

» mais:  Exemplo para o mundo rotário, Terceira palestra, Terceira sessão plenária.




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