Qual teria sido a primeira profissão no mundo? Três homens discutiam esse assunto.
Não que eu queira contar vantagem, disse o marceneiro, mas os meus antepassados construíram a Arca de Nóe.
Isso não é nada! respondeu o jardineiro. Foram os meus antepassados que plantaram o Jardim do Éden.
Tudo bem, disse o eletricista, mas quando Deus disse Haja luz, quem vocês acham que tinha puxado a fiação?
Assim também ao voltarmos nossos olhos para o
passo inicial do Rotary, vamos encontrar nas profissões o nascedouro e o fundamento da idéia de Paul Harris. Os quatro primeiros a se reunirem, tinham profissões distintas: um advogado, um engenheiro de minas, um distribuidor de carvão e um alfaiate, respectivamente, Paul Harris, Gus Loeher, Silvester Schiele e Hiran Shorey. Coincidentemente ou não estas quatro profissões foram emblemáticas para o lançamento do projeto: a advocacia, simbolizando a expressão da idéia; a engenharia, o estabelecimento dos fundamentos, da estrutura; o comércio de carvão, o combustível da época, necessário para dar a propulsão no lançamento e a alfaiataria, um padrão da roupagem da dignidade da organização em todo o mundo.
Reconhecimento e respeito
Naquela época, em 1905, havia uma separação, de tradição antiga, entre os membros de profissões liberais e os que trabalhavam no comércio. Paul sentiu haver uma grande necessidade de uni-los de livrar o homem profissional de um isolamento irritante e triste de dignificar a ocupação do comerciante com um zelo pela sua honra. Portanto, o Rotary nasceu e prosperou, tendo como base o reconhecimento de toda ocupação útil.
Charles Dickens, em 1857, assim se expressava: Bom que um homem respeite sua própria profissão, qualquer que seja, que sinta obrigado a defende-la e que lute por todo o respeito que ela merece.
A cultura anglo-saxônica favoreceu o nascimento de Rotary baseado na ocupação profissional, pois em muitos lugares ainda não se valoriza as profissões de menor destaque, mesmo que úteis e necessárias à sociedade.
A Avenida de Serviços Profissionais, como a conhecemos hoje, recebeu essa designação em 1927, na Convenção de Oostende, Bélgica, substituindo Métodos de Negócios, uma comissão organizada no Rotary de Chicago, no seu terceiro ano de vida, e presidida por Arthur Frederick Sheldon. Sheldon era um especialista em relações comerciais, pois era fundador de uma escola de vendedores, e estava apto a ajudar seus companheiros rotarianos a entender com clareza que os negócios poderiam ser considerados como um meio para servir à sociedade. É de Sheldon o lema: Mais se beneficia quem melhor serve.
Herbert J. Taylor
Desde os primórdios, a ética nos negócios foi e é uma constante nas nossas publicações, palestras e seminários. Mas foi em 1930, que um jovem rotariano e homem de negócios, nos Estados Unidos, em meio à Grande Depressão, introduziu um método simples de quatro perguntas conhecido como a Prova Quádrupla. Esta Prova foi criada para analisar a eqüidade das transações comerciais. Porém, a partir daquela data, muitos rotarianos a têm utilizado como uma escala prática para medir a verdade, a eqüidade, a boa vontade e a decência nos seus negócios, na comunidade e em seus afazeres pessoais. Herbert J.Taylor, autor da Prova Quadrupla, que legou os direitos autorais ao Rotary International, quando assumiu a presidência no ano 1954-55.
O Trabalho e o Servir
Servir Através da Profissão é um lema bastante conhecido e divulgado, pois sendo o Objetivo do Rotary estimular e fomentar o Ideal de Servir, encontramos na atividade profissional o lugar ideal para sua aplicação. Galeno dizia que o trabalho é o remédio da natureza e essencial à felicidade do homem. Esse trabalho conjugado com o Servir, transformará nossa atividade em algo muito prazeroso, pois estaremos dando algo mais, além do serviço prestado.
Nessa Avenida, o rotariano pode fazer despertar na juventude ainda indecisa quanto ao futuro profissional, as Vocações Profissionais. Muitos clubes mantêm convênios com escolas para que os seus sócios falem sobre suas profissões, despertando grande interesse entre os jovens. Nos Estados Unidos, clubes criaram o programa Shadow (Sombra). Os jovens passam o dia acompanhando os profissionais em suas atividades, como verdadeiras sombras, tomam conhecimento do dia-a-dia daquelas atividades, esclarecendo e despertando para suas vocações.
A atual legislação rotária facilita a admissão de sócios com as mesmas classificações, mas é muito saudável a diversificação; é como um jardim com grande variedade de flores, porém harmônicas entre si. Nos tempos bíblicos, havia menos de 100 classificações profissionais; hoje, registradas no Ministério do Trabalho como ocupações profissionais, temos 2.356 atividades. Muitos clubes dizem encontrar dificuldades para descobrir novos sócios com novas profissões, mas uma olhada nas Páginas Amarelas da lista telefônica, revelará surpresas agradáveis.
Desafio do futuro
Ao se aproximar do seu primeiro centenário, Rotary enfrenta o constante desafio do futuro: O espírito rotário foi excelentemente descrito pelos fundadores, mas todas as suas metas e engrenagens devem funcionar hoje em dia num mundo completamente diferente. Estas palavras foram pronunciadas por um participante de uma pesquisa sobre Serviços Profissionais. Há verdade nela, o mundo de hoje não é o mesmo dos tempos da sua fundação, mas o princípio continua o mesmo: Cada rotariano é um elo de ligação entre o idealismo do Rotary e seu negócio ou profissão, são palavras de Paul Harris, em sua autobiografia, My Road to Rotary. Se a Avenida de Serviços Profissionais foi a nascente do Rotary, hoje ela é o leito que recebe homens e mulheres, formando uma extraordinária corrente de pessoas desejosas de tornar através do Rotary, este planeta num mundo melhor.
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