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Laboratório Rotary de
Microcirurgia Reconstrutiva


Quando o Rotary Club de São Paulo lançou o projeto de um centro
dedicado ao reimplante de membros, em 1993, apenas 17 médicos
eram especializados neste tipo de microcirurgia no Brasil


  Raul Casanova Júnior

    A idéia de se criar um centro de treinamento de médicos para reimplante de membros – O Laboratório Rotary de Microcirurgia Reconstrutiva – surgiu de uma palestra realizada no Rotary Club São Paulo – Avenida Paulista, quando foi mencionado que, no Brasil, 95% dos membros decepados iam literalmente para “o balde” – lixo, simplesmente pela falta de médicos treinados para executar reimplantes, fazendo com que as pessoas com perda de membros não retornassem à vida normal. Considerando-se que, embora não houvessem estatísticas da quantidade deste tipo de acidentes no Brasil, mas cientes de que significavam uma boa parte dos 400 mil acidentes de trabalho que acontecem no Brasil anualmente, podia se concluir o alcance do problema.
   Com esse tipo de acidente, as vítimas acabam sendo, definitivamente, excluídas do mercado de trabalho, com traumas irreparáveis, tornando-se um ônus para a sociedade e a para sua família.
   Na época, embora houvesse tecnologia suficiente no Brasil para realizar microcirurgia de reimplante, haviam somente 17 médicos treinados e especializados, simplesmente por não haver um centro de treinamento.

      Providências
   Diante dessas revelações, os membros do clube se dispuseram a criar um projeto para reverter esse triste quadro com a criação do Centro de Treinamento em Cirurgia Reconstrutiva, no Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas, de São Paulo; implantar um Programa Nacional de Prevenção de Acidentes, oferecendo apoio pós-operatório – psicológico, fisioterápico e assistencial – aos pacientes e proporcionar a sua recolocação no mercado de trabalho.
   No início do projeto, os principais objetivos foram divididos em quatro etapas. A primeira visando a montagem do laboratório para o treinamento de 20 médicos/ano – dez de São Paulo, cinco do resto do Brasil e cinco de países da América Latina. A segunda, a realização de ações visando a prevenção de acidentes. A terceira, através de um corpo de voluntários para dar apoio psicológico aos pacientes no pós-operatório e, finalmente, uma quarta etapa, um programa de reintegração no mercado de trabalho.
   O RC São Paulo-Avenida Paulista, firmou uma parceria com o Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas, de São Paulo e encaminhou um Projeto Subsídio 3H – Saúde, Fome e Humanidade – para a Fundação Rotária, no total de 325 mil dólares para a criação do Laboratório Rotary de Microcirurgia Reconstrutiva.
   Para sua viabilização, o clube se emparceirou com o Rotary Club de Astley, D.1280, Inglaterra, e obteve o apoio do Citibank e IPEP-Instituto Paulista de Ensino e Pesquisa.

      O caminho percorrido
   Desde a idealização do Laboratório e sua efetiva operacionalidade, foi percorrido um longo caminho com diversas tramitações. Do seu começo, em junho de 1993, quando ocorreu a palestra, a decisão de realizar o projeto; o emparceiramento com o RC de Astley; a apresentação do projeto à Fundação Rotária; a visita do “Site Visitor” Gov. Manuel Linares, da Argentina; o inicio da luta para conseguir nossa participação (25 mil dólares); a aprovação pela Fundação Rotária de 275 mil dólares, a definição das Comissões Executivas e as doações do Citibank e do IPEP, transcorreram quatro anos.
   Em janeiro de 1997, foram criadas as diversas comissões responsáveis pela implementação do Projeto: Comissão Gestora – Coordenação Geral do Projeto; Comissão de Prevenção de Acidentes; de Seleção de Estagiários Médicos; de Assistência ao Estagiário Médico; de Reabilitação de Acidentados e Grupo de Voluntários do Rotary; de Reintegração ao Mercado de Trabalho e de Promoção e Marketing.
   Em novembro de 1997, enquanto os membros das comissões responsáveis pela implantação do projeto se dedicavam à aquisição dos materiais necessários para o laboratório e os trâmites legais no Ministério da Saúde, o Hospital das Clínicas preparava a infra-estrutura para receber o laboratório.
   Finalmente, em maio de 1999, o Laboratório Rotary de Microcirurgia Reconstrutiva foi inaugurado com a presença de diversas autoridades e membros do Rotary. Ele está localizado no Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e faz parte do Centro de Ensino e Treinamento do Instituto de Ortopedia e Traumatologia – IOTHCFMUSP. Sua maior função é a de aprimorar as diversas técnicas de tratamento médico, com o treinamento de profissionais e desenvolvimento de linhas de pesquisas que possam auxiliar, ainda mais, no tratamento dos pacientes, demonstrando, assim, uma grande importância para a comunidade.

      Equipamentos
   O Laboratório tem microscópios cirúrgicos com sistemas de foto e vídeo; material cirúrgico delicado, de alta precisão; material de suporte, como autoclave, estufa, bisturis elétricos; material de consumo, como fios especiais e um biotério, especialmente montado visando oferecer as melhores condições de ensino, treinamento e pesquisa.
   Após a implantação, veio uma segunda fase, na qual o Rotary, em parceria com o Hospital das Clínicas, vem desenvolvendo campanhas de prevenção de acidentes, cuidados iniciais ao atendimento do paciente vítima de traumas, sua reabilitação e auxílio para o retorno às atividades profissionais. Para isso, os associados, nos clubes, começaram a se organizar.
   Desde a sua inauguração, foram treinados 200 médicos do Brasil e da América Latina.
   É com orgulho que recebemos notícias de reimplantes por cirurgiões treinados no Laboratório Rotary de Microcirurgia Reconstrutiva, e como exemplos podemos citar no ano 2000 o primeiro reimplante realizado no Nordeste do Brasil, em uma criança de 5 anos, que teve a mão decepada em uma serra elétrica, ou o que teve repercussão nacional, através, inclusive, do “Globo Repórter”, onde uma menina de 6 anos teve o braço reimplantado após acidente com uma queda de uma árvore.
   Temos a certeza de que o objetivo desse projeto já foi alcançado, através de um número de médicos já treinados, superior ao objetivo inicial, e ao impacto positivo na sociedade através dos pacientes recuperados e reintregados à sociedade, mas ainda esperamos trabalhar muito na área de prevenção de acidentes.
   Esta iniciativa rotária exprime, de forma contundente, todos os princípios do Rotary, exercendo, com a implantação de um projeto da Fundação Rotária que tem a participação de um clube da Inglaterra, serviços à comunidade brasileira, através de treinamento de profissionais. Hoje, os médicos do Hospital das Clínicas de São Paulo, sabem o que o Rotary faz e quais são seus objetivos.
   O RC São Paulo-Avenida Paulista, agradece a todos rotarianos e não rotarianos que, direta ou indiretamente, tornaram possível o Laboratório Rotary de Microcirurgia Reconstrutiva.




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