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A história nos mostra que fundação de clubes e retenção do quadro social são fatores que se complementam desde o início da nossa instituição. Primeiro fizeram-se os clubes, depois desenvolveram-se os seus quadros sociais e, após o tempo de maturação, certos clubes tornaram-se vigorosos e prontos para dividir suas bem sucedidas experiências, fechando o ciclo, pela criação de novos clubes.
Imaginemos que Paul Harris houvesse optado pelo desenvolvimento do quadro social e houvesse desprezado o processo de criação de novos clubes, como queriam alguns. Talvez o RC de Chicago tivesse, hoje, uns 600 sócios. Um pouco diferente de 1.200.000. O Rotary estaria em um país e não em 162.
O que fez o Rotary ser o que é, foi a multiplicação dos pães do ideal de servir, não apenas dentro dos clubes mas, também, e talvez, principalmente, fora deles, pela criação de outras células rotárias.
Aos que estão preocupados com os números do Rotary, dedicando a sua atenção ao crescimento do quadro social, espero que saibam que o novo sócio é um soldado a mais para o movimento e que o novo clube é um batalhão. Que a perda de um sócio é uma tristeza e a perda de um clube é uma tragédia. Que durante os dois primeiros anos o Rotary ficou estagnado e só no terceiro, quando Paul Harris tornou-se presidente e pôs em prática a idéia de fundar novos clubes, a chama do Rotary se alastrou. Façam as contas e vejam qual teria sido a diminuição do Rotary, mundialmente, nos últimos anos se clubes novos não fossem sido fundados.
Isso quer dizer que devemos dar atenção, simultaneamente, ao crescimento do quadro social e à fundação de novos clubes. Para o Rotary não importa se o novo sócio entrou num clube já existente ou num clube novo; são como filhos, podem nascer dentro de casa ou numa maternidade distante, todos são, igualmente, bem-vindos. Além do que, as comissões dentro do clube ou dentro do distrito que tratam dos dois temas, são independentes e trabalham por caminhos inteiramente próprios.
No que se refere à fundação de novos clubes, vejo o governador do Rotary como um paisagista. Vislumbra a paisagem do seu distrito e observa a possibilidade de plantar novas árvores no pomar. Homem vivido, cerca-se de cuidados, pois sabe que da sua diligência e persistência dependerá o bom êxito da iniciativa.
Entendo que os seguintes passos são necessários:
Escolha do local esse cuidado é preliminar. As árvores não devem ficar muito próximas porque se atrofiam, já que se alimentam dos mesmos nutrientes. Não muito longe, pois a frescura das sombras tornam o solo mais agradável e propício ao crescimento de todas. É importante olhar se existe mercado consumidor próximo e, se existirem vários, quais os mais importantes por ordem de prioridade. No Rotary, também é assim, o primeiro desafio é escolher o local certo, ponderando-se os vários fatores.
Definição de um encarregado A escolha de um rotariano experiente, que goste do ofício, que seja dedicado, que peça conselhos quando necessário, e que tenha consciência da importância da obra que irá surgir é, talvez, a chave do sucesso e a certeza de que aquela planta manter-se-á produtiva através do tempo e das procelas. No Rotary, esse jardineiro é chamado representante especial do governador para a formação de um novo clube. Nas suas mãos está a responsabilidade pelo sucesso da árvore que produz o fruto chamado servir, tão procurado em todos locais do mundo.
O fruto do servir está dividido em quatro gomos. O primeiro é o gomo dos Serviços Internos, que diz respeito à amizade e ao relacionamento dentro do próprio grupo: freqüência, secretaria, tesouraria, festivas, protocolo, companheirismo entre outros. O segundo gomo sai um pouco do interior do grupo, e projeta-se para as suas profissões, para os seus negócios; entrelaça as diversas forças produtivas através de suas lideranças, dá-lhe um sabor especial chamado ética, regulado por um código denominado prova quádrupla, é o gomo dos Serviços Profissionais.
O perfume do terceiro gomo, o dos Serviços à Comunidade, pode ser sentido de longe e só se desenvolve, plenamente, quando os dois primeiros gomos estão saudáveis e bem nutridos. O perfume pode ser sentido de longe porque os serviços à comunidade são prestados pelo rotariano aos não rotarianos. É por esse gomo que a sociedade, pela primeira vez, presta melhor atenção, não só ao gosto e aos frutos do servir mas à própria árvore que o concebe.
Finalmente, o último gomo, o dos Serviços Internacionais, tem o poder de germinar em qualquer parte do mundo. Nada pode impedi-lo de brotar. Nem a geografia, nem as religiões, nem a política, nem a língua. Nada consegue fazer esse gomo da internacionalidade do Rotary deixar de ser admirado por todos. Seus grandes programas fazem com que o nome do Rotary seja pronunciado em, praticamente, todas as línguas modernas.
Escolha e preparação
Aquilo que faz a semente frutificar ou não, no Rotary, são as pessoas. O grupo inicial precisa ser selecionado com cuidado e carinho. Em vez de procurar amigos o melhor é procurar profissões. Classificações disponíveis são a base para a escolha de líderes. Não somente líderes, mas seres humanos, com sentimentos cavalheiros, solidários, otimistas, criativos, respeitados, idealistas. Dessa escolha inicial dependerá toda a vida e toda a história da árvore.
Depois, preparam o terreno. No Rotary, preparar o terreno significa fazer reuniões prévias com pequenos grupos e, depois, com todos. Nessa fase, é importante que se convidem bons oradores: ex-presidentes, ex-governadores, o governador do ano.
É significativo que os que adentram, saibam da importância da sua decisão. É necessário que entendam que não se filiam a um clube social, a um clube literário, a um clube esportivo, a um clube esotérico. Não. O Rotary é um clube de líderes, de idealistas, que se unem no mundo todo com o elevado objetivo de melhorar as suas vidas e as de outros.
Necessitam saber que a Organização das Nações Unidas ONU e o Rotary são as maiores multinacionais do mundo, pois estão presentes em, praticamente, todos os países; que o Rotary tem um dos maiores programas de Intercâmbio de Jovens do planeta, realiza um dos maiores programas de Intercâmbio de Grupos de profissionais da humanidade. Tem uma das maiores fundações do Universo, um dos maiores programas de bolsas de estudo, um programa de preservação do planeta Terra, liderou a erradicação da pólio do mapa terrestre, pensa em criar um programa de erradicação do analfabetismo, é membro, como consultor, da ONU e os seus presidentes são recebidos com honras de estadistas nas mais diversas nações.
Os 24 dentes da roda denteada parecem simbolizar as 24 horas do dia, esclarecendo que a engrenagem do Rotary nunca pára; que o sol nunca se põe para o movimento rotário, pois enquanto é noite no Brasil, por exemplo, é dia no Japão e vice-versa. É um orgulho, portanto, pertencer a uma entidade que é apontada pelos livros mais credenciados como uma das únicas organizações globais que irá influenciar o destino da humanidade neste terceiro milênio.
Na preparação do terreno é, também, importante dizermos aos pretendentes o que o Rotary espera deles: que representem a sua profissão e o nosso movimento com dignidade; que procurem não chegar atrasados às reuniões; que disseminem o ideal de servir; que sejam exemplo para os jovens; que leiam, se possível, sobre o Rotary; que participem, se possível, de seminários, conferências e de, pelo menos, uma convenção internacional. Que não esperem ser chamados para trabalhar, mas que se ofereçam voluntariamente; que usem a tribuna para praticar a capacidade de dizer muito em pouco tempo; que ponham em primeiro lugar a família, em segundo, o trabalho e, por fim, os compromissos com a sua geração, entre os quais se inclui o Rotary; que usem o distintivo do Rotary em sua lapela; que paguem em dia sua mensalidade e que não deixem nunca, nunca mesmo, que diferenças políticas, esportivas, profissionais, raciais ou religiosas, azedem o ambiente ou os sentimentos das reuniões.
Plantação da árvore
Então, só então, podemos plantar. Para isso devemos fazê-lo com distinção. Uma solenidade, grande ou pequena, do tamanho da comunidade, do ambiente, do momento, mas que seja, sempre, a melhor possível, pois assim fazemos quando chega o filho que foi planejado e esperado.
O lado burocrático não pode ser esquecido e o ritual necessita ser cumprido, integralmente, para que o processo se torne legal e perfeito.
Sabemos que as plantas pequenas são frágeis; qualquer açoite de vento, qualquer estremecimento da terra, qualquer calor excessivo fazem-nas murchar um pouco. É importante que o governador, o representante que as plantou, os ex-governadores e os outros clubes ajudem as pequenas árvores.
Israel mostrou ao mundo que é possível produzir maçãs em pleno deserto. Seu segredo? Irrigação gota-a-gota. Cremos que esse é o papel de todos os personagens que mencionamos. Gota-a-gota, vamos irrigando a plantinha, até que um dia já não precise mais. Estará forte, esbelta, luxuriante. Então, em um lindo momento, começará a produzir frutos e mais frutos. O sonho se tornou vida. Pessoas que nunca veremos e que nunca saberão quem fomos poderão sentar à sua sombra. Com os frutos caindo aos montes a missão estará cumprida. Poderemos dormir e sonhar serenamente.
Colher os frutos
Eu disse poderemos dormir placidamente? Sim. Mas, ainda não! Subitamente, no meio da noite, acordamos. Lembramos que falta a última parte. O de dar continuidade ao sonho. Velhas árvores podem envelhecer ou morrer. Novas árvores, porém, haverão de levar o ideal a todos os recantos do mundo, de renovar a fé, de conviver com velhas árvores que teimaram em continuar jovens, adaptando-se.
Rotarianos, consciente ou inconscientemente, direta ou indiretamente, somos Plantadores de Esperança, semeadores da compreensão mundial, agricultores que rasgam com os arados dos sentimentos os terrenos férteis do amor e, nos sulcos mais profundos, plantamos aquelas árvores belas e majestosas do servir.
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