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Dando uma ajuda

   Jonathan Majiyagbe, sócio do RC de Kano, Nigéria, será o primeiro africano a presidir o Rotary International. Ele é o principal membro do escritório de advocacia J. B. Majiyagbe & Companhia, e sócio da Ordem dos Advogados da Inglaterra e da Nigéria.
Majiyagbe ocupou praticamente todos os cargos da hierarquia rotária desde que entrou para a organização, em 1967. Ele e sua mulher, Ade, são Grandes Doadores da Fundação Rotária. Recentemente, ele foi entrevistado pelo editor da The Rotarian, Vince Aversano, no escritório central do RI em Evanston, Illinois, EUA.

   The Rotarian – Presidente-eleito Majiyagbe, o que você espera realizar no seu ano de presidência?
   Majiyagbe
– Solicitarei aos rotarianos que se empenhem em ajudar, nas necessidades básicas, as muitas pessoas que hoje vivem em condições desesperadoras e a empregar a alfabetização como ferramenta fundamental para o alívio da pobreza. Uma área importante será a ênfase à família rotária. Criarei um comitê rotário para a família, e incentivarei todos os clubes a fazerem o mesmo. Esse comitê irá desenvolver formas de promover o companheirismo e a solidariedade na nossa comunidade, fazendo com que os sócios sintam-se felizes e à vontade. Acredito que isso ajudará a promover o desenvolvimento do quadro social e a retenção dos sócios. Outras prioridades serão o alívio da fome, a saúde, a alfabetização e a educação.

   O que você gostaria de mudar no Rotary?
   Gostaria de ver o Rotary como uma organização familiar, já que o gênero humano é uma grande família. Por esse motivo, desejo enfatizar o aspecto familiar. Com isto, quero incluir não só os rotarianos, mas também todos aqueles ligados a nós: mulheres e filhos, assim como rotaractianos e interactianos, que apóiam os trabalhos do Rotary através dos seus projetos de serviços. Quero relembrar, em especial, as viúvas e viúvos de rotarianos, pois essas pessoas dedicaram a mesma energia e tempo ao Rotary quanto os seus consortes fizeram. Temos que reconhecer seus esforços e mantê-los envolvidos nas atividades dos clubes.

   O que motivou a escolha do lema 2003-04?
   Muitos lemas de anos passados nos propunham seguir a idéia de Dar de Si Antes de Pensar em Si. As pessoas têm um impulso natural e imediato de ajudar os outros, e ser rotariano é comprometer-se com esse impulso, seja a necessidade grande ou pequena. Por isso, motivado a desafiar os rotarianos a prosseguir fazendo o que eles sabem fazer tão bem, estabeleci o lema “Dê a mão ao próximo”.

   Você tem se reunido bastante com o presidente Bhichai Rattakul? Pretende aproveitar algumas das suas idéias?
   O presidente Rattakul sempre me atendeu quando solicitado, desde que eu estava me preparando para a função. Respeito-o profundamente e admiro seu espírito de liderança, esperando poder encontrá-lo muitas vezes em Evanston, para que possamos prosseguir com a nossa troca de idéias. Somos ambos partidários de que os rotarianos reforcem seu engajamento com a Avenida de Serviços Profissionais. Acreditamos, ainda, que os clubes são a espinha dorsal da organização. Cremos, ademais, que o Rotary apenas começou a mostrar o seu potencial como uma força em prol da paz mundial. Não é interessante que duas pessoas de culturas e origens tão diversas tenham tanto em comum? Sim, eu certamente trabalharei com algumas, se não com a maioria das idéias do presidente Bhichai. Estamos muito animados com o fato de que seremos capazes de oferecer uma liderança continuada aos rotarianos do mundo.

   Como você vê o papel do presidente do RI? Ele mudou, ao longo dos anos?
   O papel do presidente, em relação ao conselho diretor do RI, é ser o primeiro entre seus iguais. De uma forma mais genérica, o presidente serve como um embaixador da boa vontade em suas viagens através do mundo e em seus encontros com chefes de estado e outros líderes e dignatários. Uma das mais importantes funções do presidente talvez seja motivar os rotarianos, através do lema do ano e a mensagem que ele traz em seu bojo. Embora certas funções do presidente tenham sido expandidas com o crescimento do Rotary, elas permanecem, fundamentalmente, as mesmas.

   Qual foi sua reação, quando tomou conhecimento de que seria o primeiro africano a presidir o Rotary International?
   Senti-me muito orgulhoso em ver que o Rotary põe em prática aquilo que prega: os princípios democráticos que levam à escolha de líderes, sem considerar preconceitos de raça, religião ou credo político. Como africano, trago uma perspectiva à organização, esperando ser capaz de inspirar os rotarianos a corresponder às terríveis necessidades do povo, nas zonas pobres do mundo. Mas eu serei o presidente de um RI presente em 165 países do mundo e, por isso, a minha principal preocupação é tratar todos os rotarianos igualmente, sem privilegiar nenhum.

   De que forma a sua experiência como chanceler da Diocese Anglicana de Kano, Nigéria, o auxiliou, como rotariano?
   Essa experiência enriqueceu a minha vida, como rotariano, em nível filosófico. O melhor exemplo que posso dar é o do Bom Samaritano, a noção de ajudar o próximo sem esperar recompensa. Julgo, também, importante, a idéia de servir aos outros, como forma de agradecer a Deus por sua bondade.

   Que pessoas mais influenciaram a sua vida?
   Todas aquelas de grande intelecto, integridade, senso de justiça e amor ao próximo que, como resultado de todas essas qualidades, tornaram-se líderes em suas comunidades. Muitas dessas pessoas são, é claro, rotarianos. Alguns são ex-presidentes do RI, que traçaram, com sua liderança, o caminho a seguir, e muitos deles são rotarianos comuns, cujo entusiasmo e aplicação ao trabalho jamais faltaram e que sempre serão, para mim, fontes de inspiração.

   A Aids teve um efeito devastador sobre a classe média emergente africana. Como isso afetará os clubes?
   O fato irá atrapalhar a nossa campanha de recrutamento de sócios jovens, em países onde a doença está se espalhando com maior rapidez. Além disso, a crise originada pela Aids tem provocado outras repercussões, que esgarçam o tecido social do continente e clamam pelas atenções do Rotary. Por exemplo, mais de 12 milhões de crianças perderam ao menos um dos seus pais para esse mal devastador. Alguém precisa cuidar dessas crianças. Embora ainda não esteja ao nosso alcance a força de erradicar a Aids, como estamos fazendo com a pólio, os Rotary Clubs podem empreender esforços, como o projeto SEED, ora em execução em Uganda. Rotarianos dos EUA e ugandenses estabeleceram um programa de microcréditos, patrocinado por um projeto 3-H (Saúde, Fome e Humanidade), com doação da Fundação Rotária, para ajudar as mulheres pobres, muitas das quais perderam seus maridos e são, elas mesmas, soropositivas. As mulheres trabalham, ainda, com vistas em melhorar a vida da comunidade, através de projetos que provêm água, instalações sanitárias, projetos agrícolas e ambientais.

   É interessante estimular rotarianos de países industrializados a fazer curtas viagens humanitárias às nações africanas?
   Essas visitas têm o duplo propósito de tornar ainda melhores os rotarianos visitantes e dar-lhes alento para destinar mais projetos humanitários às regiões mais pobres do mundo. Uma das grandes vantagens de ser rotariano é adquirir a oportunidade de conviver com outras culturas e pessoas que, de outra forma, talvez jamais conhecêssemos. Quando rotarianos de nações mais ricas visitam qualquer região do mundo em vias de desenvolvimento, não somente a África, eles podem ver, em primeira mão, a dimensão das dificuldades dos países mais pobres. Acho que este fato leva os rotarianos a se envolverem ainda mais fortemente na tentativa de resolver tais questões.

   Como os nigerianos vêem o Rotary?
   O Rotary é conhecido e bem aceito pelos nigerianos há muito tempo. A despeito das dificuldades econômicas, ainda existe um potencial de crescimento para a organização. No passado, alguns membros da comunidade muçulmana eram reticentes quanto ao Rotary, por desconhecerem a organização, mas somos, atualmente, bem aceitos por eles. Creio que a Nigéria será bastante beneficiada com o nosso recente sucesso no aumento do quadro social.

   Que imagem deveria o Rotary projetar, hoje em dia? A ênfase deveria ser no potencial das inter-relações de negócios ou nos projetos humanitários?
   Tendo em mente os muitos escândalos que assaltaram o mundo dos negócios no ano passado, acredito que o Rotary deveria se tornar uma força ainda mais pujante, em prol da seriedade nos negócios. Defendo que se enfatize o aspecto do potencial da inter-relação, porém sem deixar de priorizar os projetos humanitários. O Serviço Profissional, que muitas vezes não é considerado devidamente, permite que os rotarianos sirvam como modelo de comportamento ético, usando-o juntamente com a sua capacitação profissional, para oferecer seus serviços humanitários em casa ou no exterior.




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