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linguagem comum, tomam-se como sinônimos os termos “sinal”
e “símbolo”. Fala-se, assim, indistintamente, de
sinais algébricos e símbolos algébricos. Na realidade,
todo símbolo é também sinal, mas não vice-versa.
O sinal substitui o objeto. O símbolo vai além: ele “é”
o objeto dentro do espírito de quem o contempla. A bandeira é
sinal enquanto leva a conhecer o grupo correspondente; e é símbolo
enquanto representa no espírito o grupo que se ama ou se odeia.
Como sua existência tem objetivo mais emotivo do que cognitivo,
sua natureza intrínseca é ser, mais do que sinal, um símbolo.
O
Pavilhão Nacional
O retângulo verde foi, sem dúvida, uma
originalidade. Antigamente, em todo o Ocidente, era esse esmalte de
uso escasso em bandeiras e brasões, sendo considerado menos nobre,
o que se atribui geralmente à circunstância de ter sido
muito vulgarizado entre os países não-cristãos.
Ainda hoje o verde predomina nos pavilhões afro-asiáticos.
Na Europa, só Portugal, Itália, Hungria, Bulgária
e Irlanda o ostentam. Na América, México e Bolívia.
O fato de o Brasil fazer exceção ao costume significa
a independência com que elaborou seu Pavilhão, sem preocupar-se
com as implicações ideológicas ou religiosas de
suas opções heráldicas.
O Imperador Pedro I foi feliz na escolha do verde.
Nos primórdios da civilização lusitana, fôra
essa a cor do estandarte de Viriato. A cruz de D. João I fôra
colocada em campo verde na bandeira da Restauração de
1640, quando o Duque de Bragança separou Portugal da Espanha,
tornando-se D. João IV.
O losango amarelo afirmava a natureza imperial do
Brasil soberano: foi escolhido por ser a cor da Casa de Lorena, de uso
da Família Imperial da Áustria, e de cujo Imperador, Francisco
I, era filha Dona Leopoldina, mulher de D. Pedro I. O amarelo predomina
nos países da África e da Ásia, mas não
na Europa - e menos ainda na América.
Mas o povo brasileiro recebeu bem a ligação
das cores: o verde sugeriria as nossas florestas, e o amarelo, as nossas
riquezas. “Auriverde pendão da minha terra, que a brisa
do Brasil beija e balança...”, cantaria Castro Alves.
Nas armas do Império, ao centro do losango,
ladeavam o fumo e o café, o que, durante muito tempo, suscitou
críticas: um deles representaria um vício, e o outro,
uma planta exótica, de origem estrangeira, conquanto nos tivesse
enriquecido. Alguns opositores exaltados chegavam a afirmar que ali
estar-se-ia a consagrar o fim econômico a que se destinavam o
vício e o prazer fugaz. O que se pode dizer é que, pelo
menos quanto à presença do fumo, esse nunca representou
um produto principal na economia brasileira, à semelhança
do açúcar, do ouro e do próprio café.
Bom
senso positivista
Com o advento da República, impunha-se a eliminação
das armas imperiais do Pavilhão Nacional. Vários projetos
foram elaborados, alguns até bizarros: um deles copiava a bandeira
norte-americana, substituindo as listras vermelhas e brancas por listras
verdes e amarelas.
Prevaleceu o bom senso de se manter o retângulo
verde e o losango amarelo. Ao centro, foi incorporada a esfera azul,
representando o zodíaco, e a eclíptica, demonstrando a
posição acentuadamente austral de nosso país.
A sigla “Ordem e Progresso” é de
inspiração positivista, pois a República nasceu
sob a influência da chamada “Religião da Humanidade”.
O lema de Augusto Comte – o mais influente positivista - era “o
amor por princípio, a ordem por base, o progresso por fim”.
Optou-se por reduzi-lo, ironicamente suprimindo o “amor”.
A presença do “Ordem e Progresso” suscitou controvérsias:
Farias Brito lamentava que os positivistas tivessem podido “impor
a inscrição de sua seita como lema de nossa bandeira”.
Sílvio Romero o considerou “banal”. Aluízio
Azevedo chegou a qualificá-lo de “desgracioso e antipático
enigma pitoresco que nos impingiram por bandeira os devotos de Clotilde
de Vaux”.
Na Assembléia Constituinte de 1933, registrou-se
a última tentativa de supressão pura e simples do lema.
Propuseram-na Góes Monteiro, Solano Carneiro da Cunha, Múcio
Leão e Afonso Arinos. Temístocles Cavalcanti e Castro
Nunes, menos exaltados, sugeriram um plebiscito. Alceu de Amoroso Lima,
em carta a Eurico de Góes, datada de 27 de março de 1933,
assim se expressou: “(os adoradores de Clotilde de Vaux) transformaram
nosso auriverde pendão num desastrado símbolo positivista”.
Hoje, a polêmica está esquecida. Ao contemplar
o Pavilhão Nacional, resta-nos, principalmente a nós,
rotarianos, pedir a Deus que torne realidade aquele tema nele inscrito.
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