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ao Rotary há vários anos e, por diversas oportunidades,
servi à nossa instituição de diferentes formas,
orientando governadores em assembléias internacionais –
particularmente nos assuntos relacionados à Fundação
Rotária – e, mais recentemente, nos temas ligados ao desenvolvimento
e à retenção do nosso quadro social.
Sobre a conseqüência dessas atividades,
e também sobre outros variados assuntos, muito já escrevi
e tive a oportunidade de falar. Porém, recentemente me vi envolvido
pela idéia de um exame mais profundo acerca de um tema que –
posso afirmar – é uma das bases do Rotary: o companheirismo.
As idéias surgiram, algumas formas de abordar o assunto foram
se materializando em minha mente e, aos poucos, fixei-me na forma que
ora passo a expor.
O valor
da amizade
Como ponto de partida, reproduzirei de forma resumida
uma história que eu ouvi recentemente:
Um dia, um viajante vinha por uma estrada montado
em seu cavalo e acompanhado do seu cão. Como sentiam muita sede,
os três procuraram um local para beber água. Foi quando
o viajante viu um lugar muito bonito, com portões dourados, tendo
na sua entrada uma guarita toda em mármore branco, onde um homem
estava postado. Da entrada, o viajante visualizou ao fundo de uma alameda
toda pavimentada em ouro uma linda fonte que jorrava água límpida
e fresca. Dirigiu-se então ao homem da guarita e perguntou: “Senhor,
meu cavalo, meu cão e eu estamos com muita sede. Será
que podemos beber um pouco daquela água que jorra da fonte?”
“Sim” – respondeu o homem –
“mas apenas você. O cavalo e o cão não poderão
entrar.” O viajante recusou a oferta e seguiu viagem. Mais adiante,
ele encontrou uma velha porteira de madeira semi-aberta, e viu na beira
do caminho de terra um homem sentado debaixo da sombra de uma árvore
frondosa. Olhando mais adiante, viu que no final do caminho também
havia uma fonte. O viajante perguntou ao homem: “Senhor, eu, meu
cavalo e meu cão estamos com muita sede. Será que podemos
saciá-la naquela fonte?” E o homem respondeu: “Claro,
podem entrar. Todos são bem-vindos”.
Os três entraram e beberam da água. Feito
isso, o viajante perguntou ao homem como se chamava aquele local. E
ele respondeu: “Aqui é o céu”, ao que o viajante
retrucou: “Mas senhor, antes de aqui chegarmos, encontramos um
local lindo e aparentemente hospitaleiro que parecia ser o céu.
Como se chama aquele lugar?” E o homem respondeu: “Lá
é o inferno”.
Os três amigos voltaram à estrada, e
o viajante entendeu a razão da diferença: ao contrário
do céu, no inferno não há lugares para os amigos
e companheiros.
Amizade
em prol da ação
Essa foi a síntese de uma história ouvida
em uma palestra sobre companheirismo realizada na Conferência
do Distrito 4560, ocorrida em Monte Sião, MG. Ouso completar
a história afirmando que o viajante preferiu ficar solidário
com seus amigos de viagem a saciar sua sede, demonstrando a importância
que esse relacionamento deve ter. Dirão alguns: “É
uma bela história, mas o que ela tem a ver com o tema proposto?”
Amigos, podemos afirmar: tem tudo a ver!
Precisamos ver o companheirismo com olhos diferentes,
como apoio, solidariedade, verdadeira parceria em todos os sentidos
– e sob todos os aspectos, entre nós e com o mundo –
e não apenas como o companheirismo pelo companheirismo, o companheirismo
pela pura conversa, boa e descontraída, ou pela cerveja bem gelada
das reuniões. O que devemos ver no companheirismo é muito
mais que tudo isso, como recentemente lembrou o EDRI Alceu Antimo Vezozzo:
“O companheirismo é uma forma de colocar as pessoas em
ação”.
O Rotary precisa, e muito, que sejamos amigos e companheiros.
Mas só isso não basta. Devemos olhar e cuidar da comunidade,
pois ela é a origem e o “fórum” do Rotary;
os clubes devem tentar fazer com que pelo menos 50% de suas atividades
estejam voltadas às suas próprias comunidades; o Rotary,
como uma organização humanitária, deve se abrir
para o mundo todo.
Assim, o companheirismo, a comunidade e a humanidade
devem ser as peças-chave, os enfoques dominantes de nossa atuação,
para que possamos atingir no segundo centenário do Rotary o mesmo
sucesso obtido nestes primeiros cem anos que estamos prestes a festejar.
Já se disse que o Rotary é “uma grande catedral
que precisa ser aberta à comunidade”.
Porém, tudo isso só será alcançado
quando fizermos do companheirismo não a causa ou o fim, mas a
forma e o caminho para obtermos e promovermos tudo que deve ser feito.
Precisamos saber aproveitar o companheirismo como alguns poucos de nós
o fazem, multiplicando esforços em prol do bem comum e dos mais
necessitados.
Companheirismo
mundial
Exemplos dessa atitude poderiam ser citados aos montes,
mas o que nos parece é que ainda há muito mais para ser
feito. Cada um de nós deveria ver o companheirismo como algo
mais que um simples e bom relacionamento, mais que uma forma de “fazer
e manter amigos”, procurando – a partir dele e com ele –
atingir de maneira expressiva e objetiva tanto a comunidade que nos
cerca como aquele ser humano no lugar mais distante do planeta. Afinal
de contas, somos ou não somos, com muito orgulho, mais de 1,2
milhão de pessoas dedicadas ao servir?
Não seria muito mais fácil e eficaz
se – efetivamente cumprindo o objetivo maior do Rotary através
do relacionamento internacional – toda a força do companheirismo
fosse colocada nos programas humanitários da Fundação
Rotária?
E o que dizer dos grupos de companheirismo mundial
do Rotary entre nós, países em desenvolvimento? Através
deles, rotarianos do mundo inteiro, unidos por suas profissões
e com as mesmas vocações, se comunicam e tornam este mundo
um lugar menor e bem melhor. E o que é mais importante: fazem
o Rotary fazer.
Tantas e tantas são as oportunidades que nos
cercam a cada dia e a cada hora... Só depende de nós!
Para não ficarmos apenas na ênfase teórica, um exemplo
– e apenas um – bem marcante do que lhes pretendo transmitir
está na página 30 desta edição. Como conseqüência
do esforço dos Rotary Clubs Rio de Janeiro-Guanabara, Rio de
Janeiro-Méier, Rio de Janeiro-Saúde e Rio de Janeiro-Tijuca
– todos do Distrito 4570 – juntamente com o apoio da Fundação
Rotária e o patrocínio do governo da Alemanha, foi concluído
um projeto de educação no valor de US$ 850 mil que só
se tornou possível em face do trabalho e do companheirismo que
lhes falo, no caso específico reunindo os esforços de
uma rotariana brasileira e alguns rotarianos alemães.
É esse companheirismo que pretendo transmitir
a todos. Se ele florescer a partir do relacionamento humano, dará
frutos através de consistentes e objetivos projetos que colaborarão
com as conquistas da paz e da compreensão em nosso meio e em
todo o mundo.
Neste ano rotário, entendemos que o companheirismo
é a alma, é a ferramenta do Rotary a nos incentivar a
“Dar a Mão ao Próximo”. Paul Harris, o fundador
de nossa organização, ao se juntar a seus três amigos
Gustavus Loehr, Hiram Shorey e Silvester Schiele, por certo via nessa
ação o mesmo potencial que pretendo estimular. Através
da união desses quatro profissionais, e não simplesmente
por alguns momentos de lazer e amizade, surgiu uma possibilidade de
se fazer algo pelos outros.
Da mesma forma, o presidente Jonathan Majiyagbe afirma
com muita clareza e firmeza que “o companheirismo e a prestação
de serviços são as pedras angulares do Rotary”,
e que “os nossos clubes são o coração da
família rotária”. Majiyagbe diz ainda que “devemos
encontrar formas de criar e nutrir esse coração, e certamente
o companheirismo é um dos elementos fundamentais para que isso
ocorra”.
Sendo assim, “Dar a mão ao Próximo”
nada mais é que um grande chamamento para o verdadeiro, puro
e tão necessário companheirismo como forma de nos tornarmos
úteis e verdadeiros praticantes do servir.
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