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história
nos mostra, desde os primeiros anos do Rotary – ou talvez naquele
ponto em que as fronteiras foram ultrapassadas com a criação
de novos clubes em outros países fora dos EUA – que saber
compreender e respeitar as diferenças entre raças é
a grande contribuição da nossa organização
na construção de um mundo mais justo e pacífico.
Certamente, para que isso se tornasse possível
foi fundamental a condição de “viajante e aprendiz
do mundo” de Paul Harris. Após essa rica experiência
de vida, a sua visão do mundo não estaria limitada a de
um jovem advogado interessado apenas em vencer na carreira. Impressiona
a maturidade de Paul Harris quando ele propõe a criação
de um clube de profissionais que em apenas dois anos ampliaria seu objetivo
com ações para servir sem limites sociais nem fronteiras.
Aquela era a proposta de um mundo igual, explícita
na quarta parte do Objetivo do Rotary, em que é incentivada “a
aproximação dos profissionais de todo o mundo, visando
a consolidação das boas relações, da cooperação
e da paz entre as nações”.
Vinte anos após a criação do
Rotary, Paul Harris – testemunhando o sucesso da organização
– deixou esta mensagem: “Temos sido bem-sucedidos porque
no Rotary o destaque de um indivíduo depende de seus feitos,
e não de seus credos; e porque seus ideais conduzem ao mais brilhante
e inspirador objetivo humano: a fraternidade entre os homens”.
Fraternidade, amabilidade, cortesia, tolerância,
clemência, urbanidade e amizade foram palavras recorrentes em
suas mensagens, representando modelos de atitudes que os rotarianos
deveriam ter na árdua busca pela paz mundial. Em outras ocasiões,
ele exaltou a fé, o amor e a coragem como contraponto à
suspeita, à inveja e ao medo – estes sim os inimigos da
compreensão.
Foram aquelas as palavras que incentivaram a construção
e a manutenção desse código de vida cidadã
dos rotarianos. É verdade que não pudemos evitar duas
guerras mundiais, nem todas as outras não menos brutais que se
sucederam no último século. Mas contribuímos com
a criação das Nações Unidas e com a expansão
do Rotary a diversos países para que os rotarianos continuassem
sendo embaixadores da boa vontade.
O
exercício da compreensão
A compreensão como um instrumento para o entendimento
é uma atitude plural, mútua, que tem sua origem, no entanto,
na compreensão que temos de nós mesmos. Só no respeito
às diferenças é que podemos construir comportamentos,
estabelecer planos e mudar atitudes – as nossas e as dos outros.
Compreender o outro não é sinônimo de nos anularmos.
Divergir é um direito de cada um, seja na relação
entre pai e filho, entre jovem e adulto, homem e mulher, ou nas relações
entre empregado e empregador, administrador e servidor, ou naquelas
em que repartimos nossos ideais, como é o caso dos Rotary Clubs.
A respeito disso, assim se expressou Paul Harris:
“Seria demais esperar que todos se entendessem perfeitamente...
Os homens não têm pensamentos idênticos, assim como
tampouco têm feições idênticas... A crença
de uma pessoa é influenciada por diversos fatores – temperamento,
hereditariedade, contexto, experiência – e os líderes
devem balancear seu julgamento com paciência e indulgência.
Um Rotary dogmático será incapaz de servir”.
Aí temos, portanto, os Rotary Clubs como um
grande laboratório para o crescimento individual e das relações
interpessoais. Atitudes agressivas, que não precisam ser necessariamente
físicas, acontecem, infelizmente, nessas relações
– e em nada contribuem para o bem-estar de quem as pratica, com
prejuízos, às vezes fatais, para o próprio grupo.
Há que se entender a importância de cada atitude pessoal
como um fator que facilite a harmonia e a construção de
um grupo.
Essa tem sido a estratégia de servir do Rotary,
em benefício de cada comunidade: harmonizando as diferenças
nos clubes e prestando serviços na quantidade e na qualidade
necessárias. São essas necessidades não resolvidas
– e às quais todo ser humano tem direito – que geram
os grandes conflitos. Compreendê-las e agir a partir desse entendimento
são as obrigações de cada cidadão rotariano
como uma contribuição em favor da paz local.
A
não-violência
Mahatma Gandhi, um exemplo de liderança, mostrou
ao mundo como mudar o curso da história de toda uma nação
através de métodos humildes e não-violentos. Ele
externou e praticou essas ações reunindo-as em quatro
pontos fundamentais: a vida cotidiana de cada ser humano, com o conhecimento
de suas necessidades, valores e aspirações; a importância
da cooperação, já que todo ser humano é
interdependente; a prática da não-violência, não
importando o quanto de provocação e agressão se
apresentem; e a fé como fator de engrandecimento e realização
de vida. Todos esses valores, assim entendidos e vividos, são
fatores para o alcance da paz.
Descrito como um líder sem o dom da oratória,
Gandhi conquistou a todos por seu exemplo e por sua coerência
entre ação e discurso. Sobre os pontos fundamentais para
se conseguir a paz, assim ele se expressou:
“De que vale a fé se não for convertida
em ação”?
“A liberdade individual e a interdependência
são essenciais para a vida em sociedade”.
“A não-cooperação com o
mal é um dever tão importante quanto a cooperação
com o bem”.
“A não-violência nunca deve ser
usada como um escudo para a covardia. Ela é uma arma para os
bravos”. Gandhi exemplificava essa máxima com uma experiência
vivida por ele na África do Sul, com o general Boër Smuts,
seu oponente e crítico, e que acabou tornando-se um dileto amigo
do líder indiano.
“O teste maior da não-violência
está no fato de não ficar qualquer rancor depois de um
conflito não-violento, com os inimigos convertendo-se em amigos”.
As dimensões desses dois grandes homens, Paul
Harris e Gandhi, contemporâneos e semelhantes nas suas lições
de vida, são para nós a certeza da importância do
nosso papel de rotarianos em relação à humanidade.
Segundo Martin Luther King, “Gandhi viveu, pensou e agiu inspirado
pela visão da humanidade evoluindo para um mundo de paz e harmonia”.
Nós, rotarianos, sabemos quão importante foi também
a liderança de Paul Harris, concretizada até os nossos
dias em ações que são os reflexos dos seus pensamentos.
Mudanças
no novo século
Pelas grandes lideranças que sempre exerceu
em seus 99 anos de existência, o Rotary demonstrou através
de seus programas que está em dia com as mudanças ocorridas
no mundo. E, por isso mesmo, como uma organização rica
em programas, ele tem sido procurado como parceiro por outras grandes
organizações humanitárias, em conseqüência
do merecido crédito conquistado pelos rotarianos nesse quase
um século de bem-servir.
A visão demonstrada no planejamento dos grandes
programas, seja no caso das bolsas de estudos, da Polio Plus, do Programa
3H – que objetiva a erradicação da fome, prestando
uma assistência adequada a uma vida digna para diversas populações
carentes – ou do Lighthouse, que atende o direito universal da
alfabetização, mostra que o Rotary é capaz de enxergar
à sua frente, que ele experimenta em médias escalas e
está pronto para efetivar parcerias quando o bem-estar do ser
humano está em jogo.
Apesar de tantos esforços e progressos da humanidade,
a distância entre as classes sociais continua a aumentar, numa
demonstração de que, enquanto todos – governos,
líderes mundiais e sociedade – não estiverem conscientes
e verdadeiramente comprometidos com as soluções, não
teremos a paz e a justiça social que tanto almejamos e que o
ser humano merece.
O recente e triste episódio da morte do embaixador
Sergio Vieira de Melo no Iraque diz bem das dificuldades que o mundo
enfrenta para solucionar conflitos, talvez o maior obstáculo
para a paz no mundo.
Desde 1947, o Rotary International, através
da Fundação Rotária, já atendeu a mais de
30 mil estudantes provenientes de 67 países. Jovens que puderam
usufruir as nossas bolsas educacionais de pós-graduação
em 70 diferentes nações, naquele que é o maior
programa privado de bolsas de estudo do mundo. Muito apropriadamente,
esses estudantes são chamados por nós de embaixadores
da boa vontade, pois esse é o objetivo da nossa organização
ao selecionar jovens sem nenhuma ligação com o Rotary.
Deles, pedimos apenas que retornem aos seus países e que sejam
instrumentos na conquista da compreensão entre os povos, raças
e religiões, visando o fortalecimento dos laços de amizade
entre as populações de diferentes nações
da Terra.
Nesse sentido, a nossa certeza de que estamos contribuindo
para um mundo mais pacífico é tão grande que, desde
2002, um novo programa de bolsas, em nível de graduação
e mestrado, foi disponibilizado a jovens profissionais que estejam dispostos
a se especializarem na área de Resolução de Conflitos
e de Estudos pela Paz e as Relações Internacionais. A
cada ano, 70 profissionais estarão estudando em universidades
de diversas regiões do mundo que estabeleceram, em parceria com
a nossa organização, os sete Centros Rotary para Estudos
Internacionais pela Paz e Resolução de Conflitos. Essa
é a contribuição que o Rotary dá como prova
concreta de seu envolvimento pela compreensão entre os povos
e em busca da paz neste novo século.
Juntamente com os programas locais implementados pelos
clubes rotários, fruto da compreensão e do esforço
dos rotarianos na busca pela paz em âmbito local, os profissionais
formados pelos Centros Rotary pela Paz voltarão aos seus países
e poderão exercer funções de altos comissários
com grande competência na solução dos conflitos
internacionais.
Os resultados desses grandes investimentos possivelmente
ainda não podem ser mensurados em termos de quanto o mundo e
a humanidade já lucraram em prol da paz. Mas esse investimento
é de resultado tão certo e de retorno tão garantido
que o Rotary continua a financiar, após 56 anos, mais e mais
estudantes. Temos o registro de ex-bolsistas proeminentes que atualmente
ocupam cargos na ONU, que são ministros ou embaixadores em seus
países, cientistas e jornalistas premiados. Homens e mulheres
que certamente norteiam suas vidas e suas carreiras comungando os ideais
de paz dos rotarianos.
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