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Celebrando o Rotary

   Glenn E. Estess, o presidente do RI para o período 2004-05, terá a oportunidade de liderar o Rotary International num ano histórico, o Ano do Centenário, que culminará com a Convenção de Chicago, a ser realizada entre 18 e 22 de junho de 2005. Rotariano desde 1960, Estess pertence ao RC de Shades Valley, Alabama, EUA. Ele será o terceiro presidente do RI vindo da região de Birmingham – os outros foram Frank E. Spain, em 1951-52; e Roy D. Hickman, em 1972-73. Ele já foi curador da Fundação Rotária e diretor do RI, além de seu vice-presidente em 1991-92.
Em entrevista concedida ao editor-chefe da The Rotarian, Vince Aversano, Glenn explicou sua visão do Rotary e as metas que tem para a organização.

      Quando você sentiu que estava preparado para ser presidente do RI?
   É uma pergunta difícil, pois estou no Rotary desde 1960. Quando penso nisso, costumo voltar à experiência adquirida no seio do clube. Quando fui eleito presidente do meu RC, um dos sócios antigos me disse: “Estess, nosso clube é forte o suficiente para sobreviver a qualquer um pelo período de um ano!” Este raciocínio talvez possa ser aplicado ao Rotary International... Mas acredito que o meu real preparo vem mesmo de servir ao clube como sócio comum e como presidente. Sem dúvida, para que eu fosse eleito contaram muito as outras funções que desempenhei ao longo de minha vida rotária, como governador e diretor do RI. Mas a verdadeira base foi adquirida no clube.

      Como você se envolveu com o Rotary?
   Eu tive quatro irmãos mais velhos que eram rotarianos. Foi através deles que eu passei a admirar a capacidade de realização da organização. Portanto, quando fui convidado a me tornar sócio do RC de Jacksonville, EUA(D. 6970), cidade onde eu morava na época, a idéia me deixou bastante animado. Curiosamente, Paul Harris também morou em Jacksonville, onde trabalhou para um homem que mais tarde tornou-se sócio-fundador daquele clube.

      Como você se sentiu ao ser indicado como o presidente do centenário do RI?
   Na verdade, esta foi uma experiência honrosa, mas que ao mesmo tempo me levou a um sentimento de incerteza. Numa situação assim, a nossa primeira reação é indagar: “Sou a pessoa certa?” Num momento de bom humor, eu cheguei a pensar: “Bom, talvez eles tenham perguntado à pessoa que está há mais tempo no Rotary!” Mas o que melhor me aconteceu foram as impressionantes expressões de apoio – e não apenas de congratulação – vindas de pessoas de todas as partes do mundo.

      Como você vê seu papel como presidente, e como as funções desse cargo mudaram nos últimos anos?
   Tecnicamente, o presidente é o executivo-chefe da organização, mas eu vejo o secretário-geral como o verdadeiro gerente operacional do RI. O presidente, no meu entender, desempenha mais um papel de embaixador – e isso é o que eu acho que pensam os rotarianos em geral. Eles querem ver o presidente, falar com o presidente, manter contato pessoal com ele. E eu devo ter em mente que não é o Glenn Estess que eles desejam ver, mas o presidente do RI. Penso que o meu papel é atender a esses rotarianos. Se eu fosse criar um organograma da organização, situaria o presidente na base, e os 1,2 milhão de rotarianos no topo. Para mim, o soldado mais importante do Rotary é o presidente do clube.

      Você julga apropriado que o RI tenha um presidente norte-americano no ano do seu centenário?
   Esta pergunta é interessante, mas acho que isso aconteceu por casualidade. Há alguns anos, o Conselho Diretor do RI baixou uma resolução dizendo que a presidência deveria obedecer a um critério de rotatividade, respeitando um mínimo de dois outros países antes de retornar ao primeiro. Isso significou que o Rotary somente poderia ter um presidente norte-americano a cada três anos. Não sei se alguém, naquela época, lembrou que no ano do centenário o presidente seria um norte-americano.

      O que você diria a um sócio que considera o Rotary uma organização muito centrada nos EUA? Esta não é uma opinião geral, mas alguns líderes, algumas vezes, já se viram confrontados com ela.
   Também já ouvi isso. Sem dúvida, o Rotary nasceu nos EUA, e esteve – por muito tempo – voltado para esse país, pois a grande maioria dos sócios era norte-americana. Mas, atualmente, só uma terça parte dos sócios – algo entre 440 e 450 mil – está na América do Norte. Além disso, os rotarianos dos EUA foram de vital importância para a difusão do Rotary em outros países. Isso demonstra que os companheiros norte-americanos têm uma real visão e o desejo de que sua organização seja internacional. Os membros norte-americanos do atual Conselho Diretor estão em minoria, e são freqüentemente lembrados que representam todos os rotarianos.

      O que você pretende alcançar como presidente no ano que vem?
   Sem dúvida, uma das metas é terminar o que começamos nos anos 80 com o Programa Polio Plus. Espero também que se dê ênfase à diversificação da organização. Isso inclui minorias e outros grupos que ainda não se envolveram com a liderança no Rotary. Queremos vê-los em ação, dando o máximo de seus talentos.

      Se houvesse alguma mudança que você pudesse fazer instantaneamente, seria a de tornar o Rotary mais diversificado?
   Isso não constitui uma mudança real, pois nós sempre estivemos trabalhando pela diversidade. Mas talvez esse esforço não seja tão visível como deveria, e por isso eu gostaria de dar-lhe mais ênfase.

      O que inspirou a escolha do lema 2004-05 do RI, “Celebremos Rotary?”
   Uma das coisas que você faz num aniversário é celebrar – por isso pareceu-me um lema lógico para o ano do centenário da nossa instituição. Houve muitas coisas dignas a celebrar ao longo dos nossos cem anos. O combate à poliomielite é o nosso maior projeto corporativo. Quando avaliamos o seu progresso, constatamos que fomos extremamente bem-sucedidos, e essa é uma causa para celebrar. E ao merecermos um reconhecimento extraordinário por causa do Programa Polio Plus, percebemos que a força do Rotary ainda se encontra em nível de clube. Assim, refletindo sobre como todos os clubes e distritos trabalham para construir o Rotary, retornei à idéia de que neste ano deveríamos celebrar o que já fizemos, e nos concentrar no futuro.

      Qual o impacto que o Plano Estratégico do RI, adotado pelo Conselho Diretor, poderá ter?
   Trata-se de algo que sempre desejamos. Havia um sentimento de que talvez fosse impossível termos um plano estratégico devido à rotatividade anual das lideranças. Mas acho que todas as grandes organizações não podem dispensar essa ferramenta. O plano estratégico vai proporcionar continuidade ao trabalho da nossa organização. A única forma de se assegurar essa continuidade é estabelecê-la nos documentos constitucionais, que exigem aprovação do Conselho de Legislação. Dessa forma, a Comissão do Plano Estratégico caracteriza-se como um grupo que atuará em conjunto, em torno de novas idéias voltadas ao benefício da organização. Tudo isso será escrito e submetido ao Conselho de Legislação, trazendo um impacto de longo prazo ao RI.

      Qual o seu grau de relação com o presidente atual, Jonathan Majiyagbe, e com o presidente indicado, Carl-Wilhelm Stenhammar?
   Não poderia ser mais positivo. O ex-presidente Bhichai Rattakul e o atual, Jonathan Majiyagbe, foram muito receptivos quando me tornei o presidente indicado. Espero que o atual presidente indicado, Carl-Wilhelm, sinta-se da mesma forma, e eu acho que ele está. Temos trabalhado duro para garantir a continuidade dos trabalhos que já vêm sendo feitos, algo de que lhe falei há pouco. Durante o período em que nomeei os coordenadores de comissões, conversei com o presidente indicado sobre os nomes que ele estava pensando em usar no ano seguinte, de forma a criar algum tipo de continuidade.

      O que você gostaria de dizer àqueles rotarianos que não tiveram a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente?
   Eu gostaria que eles soubessem que eu sou um rotariano comum. O meu propósito é fazer o mesmo que eles: seguir o ideal de Dar de Si Antes de Pensar em Si. Todos nós devemos servir as nossas comunidades, mas tendo em mente que as necessidades delas variam de um lugar para o outro. Se um Rotary Club deseja iniciar um projeto, deve perguntar aos membros de uma comunidade o que eles precisam, em vez de dizer “isso é o que temos para vocês”.

      Quem mais o influenciou durante a vida?
   Em primeiro lugar, minha família. Meu pai era fazendeiro e não foi rotariano. Na verdade, não havia Rotary Clubs na cidade onde fui criado. Eu tinha uma irmã mais velha, morta recentemente aos 98 anos de idade, depois de ter vivido grandiosamente, que me influenciou demais. Meus irmãos, irmãs e eu desenvolvemos nossos valores através da vida, muito em conseqüência dos nossos relacionamentos. Por isso, creio que a ênfase que estamos dando agora à família rotária tem uma origem remota. Só não tínhamos um nome para isso.

      Você também dará ênfase à família em sua gestão?
   Temos quatro grandes pontos a enfatizar: a família do Rotary, a água, a saúde e a alfabetização. Durante uma reunião na ONU, apreendi que mais de 1 bilhão de pessoas vivem sem água limpa e que, em conseqüência desse quadro, cerca de 6.000 pessoas, na maioria crianças, morrem diariamente em todo o mundo. Na área da saúde, sabemos que a malária vem assolando diversos países, e que milhões de pessoas estão infectadas pelo vírus da Aids. No que toca à alfabetização, vivemos num mundo em que mais de 2 bilhões de pessoas não sabem ler. O Rotary já está envolvido com estes assuntos, mas eu gostaria de reforçá-los durante o próximo ano.




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