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Família rotária é uma realidade

EGD comenta a perenidade dessa feliz
prioridade do presidente Majiyagbe

   Remaclo Fischer

Este é o último artigo da BR no ano rotário de 2003-04. Completamos aqui – ao lado de vocês e de mais de 1,2 milhão de companheiros – outro ciclo de serviços prestados às comunidades de todo o mundo. Tendo à frente nosso presidente Jonathan Majiyagbe, primeiro africano a ocupar o mais alto cargo do RI, lutamos contra as doenças, o analfabetismo, a fome e toda forma de intolerância entre os povos. Também inspirados por ele, voltamos nosso olhar à família e ao papel fundamental que ela desempenha na construção de um novo mundo. Por sua importância, cremos que essa ênfase presidencial de Majiyagbe – a família rotária – não vai perder sua força nos próximos anos: assim como todos os valores que reunimos ao longo de nossa história, ela continuará viva ao Celebrarmos o Centenário e renovarmos mais um vez nosso Ideal de Servir.

   “A família possui vínculos vitais e orgânicos com a sociedade porque se constitui em seu fundamento e alimento contínuo mediante o dever de serviço à vida. De fato, os cidadãos saem da família, e é nela que encontram a primeira escola daquelas virtudes sociais que são a alma da vida e do desenvolvimento dessa mesma sociedade. Assim, por força de sua natureza e vocação, a família – longe de fechar-se em si mesma – abre-se às outras famílias e à sociedade, assumindo a sua tarefa social. Não percamos de vista que a família é uma unidade natural, moral, jurídica e econômica.”
   Papa João Paulo II, em Familiaris Consortio

família é o núcleo gerador da mais íntima estima, amizade e amor entre os seus membros, ligados por laços afetivos que os unem e fazem com que sejam respeitados dentro da comunidade em que vivem.
   Como é bela a família unida que transpira amor e amizade e que fortalece os laços de compreensão e de espiritualidade entre os seus membros! Todos nós, nos mais diferentes credos religiosos ou políticos, sentimos e honramos nossa família e a ela estamos sempre ligados. Por isso, sabemos reconhecer as qualidades e a união das famílias da nossa comunidade, respeitando-as e honrando-as pelos exemplos de amor e de carinho que exalam dentro delas.
   Desde tempos imemoriais, a ligação entre homem e mulher tem gerado filhos e moldado a família. Depois desses filhos, vêm os filhos dos filhos, residindo quase sempre juntos, muitas vezes sob o mesmo teto, para não se separarem até o momento de sua emancipação social. Neste dia-a-dia, forjam-se o amor familiar, o amor filial e fraterno, eternizados no bem-querer de todos os seus membros, e formando um elo poderoso de relacionamento, apreciado nas comunidades que habitamos.
   Portanto, a família é a mais sagrada e a mais unida amizade, marcada pelo amor que uns dedicam aos outros desde os seus primeiros dias de vida.
   O Rotary também é uma família! Mas onde está essa família? Essa família somos nós, ligados por um mesmo ideal e pela verdadeira amizade que cada vez mais nos aproxima, fazendo com que o nosso comportamento social e profissional seja um exemplo para a nossa comunidade.
   Estatutariamente, o Rotary é constituído por “adultos de caráter ilibado e de boa reputação comercial e profissional”. Se examinarmos os termos do Artigo VI – seção 2 – relativos aos estatutos dos clubes, veremos que o quadro social de cada unidade rotária está constituído por pessoas merecedoras do nosso respeito e da nossa consideração.
   O Rotary é conhecido e reconhecido como uma extensão da nossa família porque nele estão representados os membros das profissões dignas de nossa comunidade. Passamos a conviver juntos semanalmente em nossas reuniões, num clima de muita amizade e sadio companheirismo. É justo, portanto, e plenamente aceitável, que passemos a constituir uma família social, onde vamos desenvolver cada vez mais a amizade e o bom entendimento, dentro dos princípios rotários que estão consubstanciados numa palavra: Servir – com classe e dignidade, sem olhar a quem.

      Envolvendo a família
   Essa família rotária se expande e envolve nossas famílias e as famílias de nossos companheiros, numa demonstração de que a amizade e o afeto nos unem e nos aproximam sempre mais, a tal ponto de procurarmos fortalecer esses laços continuamente. Como é agradável reencontrarmos e abraçarmos os nossos companheiros, verdadeiros amigos, e seus familiares! É como encontrar um parente, um irmão! E estamos revendo e sentindo essa satisfação a cada encontro em que companheiros e seus cônjuges usufruem a alegria de se reencontrarem e de poderem abraçar pessoas que há tanto tempo conhecem – e que somente se separam pela distância.
   Na publicação Rotary World de outubro de 2003, lemos o seguinte trecho: “Nesse mês especial (dezembro), os Rotary Clubs devem planejar atividades que envolvam os membros da família, incluindo os cônjuges viúvos de rotarianos, e considerar maneiras de torná-los parte vital do clube o ano inteiro. Isso também nos faz refletir sobre o futuro do Rotary e de sua família, que são os rotaractianos e interactianos, como também os rotarianos e seus familiares. Todos devem sentir-se à vontade para disseminar a forma pela qual podemos celebrar e fortalecer os laços familiares em dezembro e nos demais meses do ano”.
   O destaque à família rotária foi uma meta do presidente Jonathan Majiyagbe, que reconheceu a importância da amizade e do estreito relacionamento entre as famílias dos rotarianos – especialmente no tocante à vivência do ideal rotário entre seus associados e familiares como uma força propulsora de amor, amizade e boas relações entre as famílias, que geram exemplos para a compreensão e a paz mundiais.
   Paul Harris, nosso fundador, em um texto publicado na revista The Rotarian de fevereiro de 1923, escreveu: “Aquele que encontrar o bem nos outros será recompensado, pois os outros, com certeza, encontrarão nele o bem. De todas as mais tristes e solitárias criaturas da Terra, a mais desesperançada é aquela que não ama seus semelhantes”.
   A dedicação de um mês como dezembro à família rotária, por exemplo, coloca-nos na linha do amor e da boa vontade, inspirados pelos festejos do Natal, e nos encoraja a reforçarmos sempre mais a amizade e o mais afetuoso relacionamento com os nossos companheiros e suas famílias, num congraçamento todo especial que dure o ano inteiro, por muitos e muitos anos.
   A nossa intenção é incutir em nossos clubes a valorização da família rotária para que todos sejamos um, e para que cada um reconheça em todos os seus melhores amigos e inseparáveis companheiros para todas as horas.
   Com a chegada deste novo ano para o Rotary, vamos freqüentar nossas reuniões semanais e procurar tornar a ênfase do presidente Majiyagbe num valor que cresça sempre mais para mantermos unida nossa família rotária.




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