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Conheça Glenn Estess

  Cary Silver

O presidente do RI Glenn E. Estess, Sr. e sua mulher Mary, de Birmingham, cidade situada no estado norte-americano do Alabama, são conhecidos no mundo rotário por sua hospitalidade

ssa, aliás, é uma marca inconfundível do sul dos EUA. Enquanto os acompanhava até sua casa, perto da comunidade de Mountain Brook, eles iam me mostrando os pontos importantes da região e seus restaurantes favoritos. “Ultimamente, não temos ficado muito tempo em casa”, admite Glenn, pois o casal tem estado ocupado com as viagens a serviço do RI.
   Chegando em frente à casa de tijolinhos vermelhos, fiquei maravilhada com o jardim coberto por glicínias de cor púrpura, azaléias cor-de-rosa e arbustos floridos de branco. Mary – que mantém uma bandeira dos EUA exposta na varanda da frente – me convida até a cozinha. “Tome um café conosco. Ou você prefere chá?”, ela pergunta. Depois de dar uma olhada geral no ambiente, declara: “É bom estar em casa outra vez...”
   É lá que os Estess vivem há mais de 32 anos. Os cômodos são acolhedores e simples, numa boa demonstração de décadas de tradição familiar. A casa é cheia de reflexos de suas raízes sulistas: vê-se o desenho de uma glicínia e as pinturas de alguns salgueiros e de uma mula – uma homenagem à infância de Glenn, passada no Mississipi, e não uma brincadeira com a teimosia dele. Na parede oposta à lareira, há duas concessões de terra emolduradas e assinadas pelos presidentes Andrew Jackson e Martin Van Buren. Numa outra parede, o espaço foi reservado para uma espécie de “galeria de fotos familiar”, com direito aos registros dos casamentos de seus três filhos.
   Os Estess também demonstram orgulho pelos tempos vividos no Rotary. Num canto da sala de estar, artisticamente arrumado numa estante de madeira, pode-se ver um elegante quimono japonês de casamento, adornado com garças azuis. “Ganhamos esse belo traje dos rotarianos japoneses durante uma conferência distrital”, conta Glenn, que é sócio do RC de Shades Valley, do distrito 6860. “As garças representam a felicidade”, ele explica.
   No entanto, de tudo o que há no lugar, o que mais agrada o casal é um presente dado por Elizabeth, sua filha mais velha, uma decoradora de interiores. “Ela fez isso sozinha”, diz Mary, enquanto mostra um grande prato de cerâmica pintado com as imagens de seus sete netos. “Mas agora temos que adicionar a figura de Joe, o oitavo!”, ela ri.
   Os dois alegram-se com o fato de todos os membros do clã ainda viverem perto uns dos outros. “Nossos filhos e netos moram nas redondezas”, revela Glenn. O filho Glenn Jr., também rotariano, mora na mesma rua, a duas quadras dali; Elizabeth vive a dez quadras; e Nancy, a menos de dez minutos de percurso.
   Advogado especializado em planejamento habitacional e legislação tributária, Glenn Jr. conta que muitas vezes é confundido com o pai: “Além de termos o mesmo nome e morarmos na mesma rua, nossos telefones são diferentes em apenas um dígito”. Por conta disso, ele costuma receber telefonemas de rotarianos do outro lado do mundo, no meio da noite, à procura do presidente do Rotary International. “Preciso dizer-lhes que não sou o presidente do RI, mas o filho dele!”, brinca. Glenn, o pai, não deixa por menos: “Eu também recebo telefonemas no meio da noite sobre propriedades e impostos...”
   Irmão caçula de sete meninos e uma menina, Glenn Estess cresceu na pequena comunidade rural de Silver Creek, no Alabama, onde aprendeu com seu pai – que ficou órfão muito cedo – sobre a importância da família. O lugar tinha somente cem habitantes. “Venho de uma família muito modesta”, ele conta. “Na minha infância, eu colhia algodão, empacotava feno e tirava leite das vacas. Meus irmãos chegaram a ir de mula à escola”.
   Por ser o mais novo, Glenn é de um tempo em que já havia ônibus escolares na região. Inclusive chegou a dirigir um deles, com apenas nove anos e uma licença especial. Era ele quem recolhia os colegas de escola ao longo da estrada. “Eu mal alcançava o painel. Mas nunca sofri um acidente”, recorda.
   Não é difícil entender por que precisou aprender a ser responsável desde cedo. Glenn está certo de que sua criação ensinou-lhe o valor do trabalho árduo, da família e da integridade: “Numa comunidade pequena como a em que eu vivi, sua palavra é um precioso aval”.
   Glenn graduou-se em química e física na Universidade de Tulane, em New Orleans. “Meus pais não tiveram qualquer educação formal, mas davam valor ao processo educacional. Eles incentivaram os filhos a freqüentar a escola”, explica. O caçula da casa começou sua carreira vendendo equipamento científico. Mais tarde, criou sua própria empresa, a Glenn Estess Associates, vendida em 1993 para que ele se dedicasse inteiramente aos serviços rotários. “Não podia me dividir entre os dois. Então me decidi pelo Rotary”.

      Laços familiares
   Mary conta que seu marido tem duas grandes paixões: a família e o Rotary. E quais são os hobbies de Glenn? “A família e o Rotary”, ela repete. Glenn e Mary estão casados há 52 anos. Perguntamos o que a atraiu naquele jovem do Mississipi. “Ele tem um excelente senso de humor, e nunca se leva muito a sério”, ela revela. “Glenn acredita que ninguém é perfeito, inclusive ele”.
   Os filhos de Glenn também apresentam suas visões sobre o pai: “Ele é um homem devotado à família, que cuidou de todos – filhos, vizinhos, rotarianos – sempre com grande generosidade”, conta a filha mais nova, Nancy, uma ex-professora. Ela diz ter crescido às voltas com a figura da roda denteada, como ocorreu em 1979, ano em que participou de uma Assembléia Internacional. Naquela ocasião, seu pai era o governador entrante. “Uma das minhas melhores lembranças foi comer aquele monte de camarões no banquete”, ela ri. Nancy destaca outro dom de seu pai: saber deixar as pessoas confortáveis. “Ele tem um belo sorriso e sabe ouvir seus interlocutores”, diz.
   Elizabeth, a filha mais velha, refere-se a ele como um pai “muito paciente, que raramente eleva a voz. Se está aborrecido, ele simplesmente levanta a sobrancelha”. Aliás, ela conta que Glenn parece ter um efeito calmante sobre os bebês: “Papai sempre teve uma habilidade especial para acalmar as crianças que choravam. Ele as balançava sobre os joelhos ou as acomodava sobre sua barriga, e então elas se sentiam felizes”.
   Glenn também desenvolveu um outro talento ao longo da vida: cozinhar. “Poucos conhecem essa faceta dele”, confidencia Elizabeth. “Sua especialidade é o quiabo”, ela diz, contando também que o pai aprecia a culinária do sul dos Estados Unidos, caracterizada pelo uso de nabos verdes, feijão-fradinho e pães de milho. Quando vai para a cozinha, ele costuma jogar uma toalha nas costas ou amarrá-la em torno da cintura. “Como éramos sete meninos lá em casa, alguém tinha que ajudar a mamãe a lavar os pratos e cozinhar”, explica Glenn.
   Ele e Mary sentem-se muito orgulhosos de seus oito netos, que têm idades entre 5 e 21 anos. “Nós adoramos ficar juntos, seja para assistir a uma partida de beisebol ou comemorar os feriados”, ele diz. A família reúne-se todos os domingos na Igreja Batista de Brookwood, da qual todos os Estess são membros. Bill Bolen, locutor da rádio local, rotariano e amigo de Glenn há 34 anos, diz que ele ocupou quase todos os cargos na igreja: “Ele é muito respeitado por seu trabalho lá dentro e na comunidade. Glenn é muito franco, honesto e renitente defensor da moral. É difícil encontrar alguém assim”.
   Em 1999, a fé de toda a família foi posta à prova quando os médicos diagnosticaram um câncer de mama em Mary. Ela precisou fazer uma cirurgia e diversas sessões de quimioterapia. “Mary suportou tudo aquilo corajosamente, mesmo quando perdeu todos os cabelos por causa do tratamento”, relembra o marido. Mas os Estess jamais perderam sua fé. “A doença foi muito forte, mas eu sabia que iria vencê-la e me recuperar”, revela Mary. Cinco anos depois, ela está livre do câncer.
   Por diversas vezes, os amigos rotarianos de Glenn incentivaram-no a aceitar a indicação de seu nome para a presidência do RI. Mas foi somente no ano passado que ele pôde passar a se dedicar inteiramente à organização. “Agora chegou o momento”, ele diz.
   Mesmo sabendo que sentirão a falta de Mary e Glenn durante este ano de muitas viagens ao redor do mundo, os familiares estão felizes por ele ter aceitado a indicação à presidência. De certa maneira, eles percebem que Glenn está seguindo o seu próprio destino. “Não nos surpreende o fato de ele ser o presidente no centenário do RI”, afirma Glenn Jr. “Me lembro de, ainda criança, ver papai trabalhando incansavelmente pelo Rotary. É algo para o qual ele estava destinado”.

>> Leia na íntegra na Revista de julho




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