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Terceiro Setor em foco

  Nuno Virgílio Neto

o dia 12 de julho, no Centro de Convenções da ACRJ – Associação Comercial do Rio de Janeiro, na capital fluminense, foi realizado o 2º Seminário de Responsabilidade Social das Empresas. Na mesma ocasião, ocorreu a entrega do Prêmio Mário Henrique Simonsen às corporações que mais se destacaram por seus balanços sociais relativos ao ano de 2003. Tanto o seminário como o prêmio são uma vitoriosa parceria entre a Brasil Rotário, a Funager – Fundação Nacional de Apoio Gerencial – e a ACRJ.
   Durante a abertura dos trabalhos – conduzidos pelo vice-presidente de marketing da BR e coordenador da iniciativa, EGD Edson Avellar da Silva – o presidente da Cooperativa Editora Brasil Rotário e diretor-responsável da revista, Roberto Petis Fernandes, exaltou a memória do professor e ministro Mário Henrique Simonsen e afirmou que a responsabilidade social “é um termômetro indicador das atitudes que interferem direta ou indiretamente na vida de todos nós”. Petis também lembrou o pioneiro projeto “Ética: um princípio que não pode ter fim”, criado há 16 anos pelo RC do Rio de Janeiro.

      “Empresário brasileiro é um patriota”
   Em sua exposição, Antenor Barros Leal, vice-presidente da ACRJ, no exercício da presidência da entidade e presidindo a sessão, sugeriu aos organizadores do prêmio que escolham nas próximas edições “o Empresário do Ano”. “Por conta das enormes dificuldades que enfrenta, o empresário brasileiro merece ser homenageado todos os anos”, disse, citando como exemplo os 61 impostos e taxas que são pagos em nosso país. Ele afirmou que o crescimento do Brasil e os benefícios que isto pode trazer à sociedade brasileira somente serão possíveis a partir do momento em que o indivíduo for mais importante que o Estado.
   “Ser empresário em nosso país é uma prova absoluta de patriotismo. Louvo a idéia de se homenagear a preocupação social das empresas porque, no fundo, estamos homenageando o empresário que – além de pagar salários, de responder por encargos trabalhistas e de fazer o seu negócio funcionar – se preocupa também com o bem-estar do trabalhador”, ele disse, ressaltando que esta preocupação passa principalmente pelo pagamento de salários dignos aos funcionários, que precisam ter condições de trabalho que os honrem como cidadãos. Antenor, que também é rotariano – ele já foi presidente do RC Copacabana, RJ (D. 4570) – frisou que as atribuições do Estado, como a melhoria do transporte público, uma componente do bem-estar do trabalhador, devem ser cobradas com vigor pela sociedade. Segundo afirmou, o cenário que enfrentamos – de alta carga tributária, aliada à administração nem sempre eficaz dos tributos – é uma preocupação maior que as altas taxas de juros, alardeadas como o maior empecilho ao crescimento do país nos últimos anos.

      Crescendo com os funcionários
   Em seguida, a tribuna foi ocupada pelo EDRI Alceu Antimo Vezozzo, que afirmou: apesar dos problemas, é preciso acreditar na viabilidade do nosso país. Falando também como empresário do setor hoteleiro, ele chamou a atenção para a importância das microempresas. “Há muitos anos, nós começamos assim, pequenos. Atualmente, somos uma rede de nove hotéis que emprega 1.280 pessoas”, contou. “E sabemos que nosso crescimento se deve em grande parte ao apoio que sempre tivemos dos nossos funcionários”. Vezozzo explicou que a preocupação com o aprimoramento profissional dos empregados – viabilizado por cursos e programas de especialização – é uma via de responsabilidade social que se alia totalmente aos interesses de crescimento de qualquer corporação. Na opinião dele, a educação profissional não gera mudanças apenas no ambiente de trabalho, mas na vida do trabalhador: “Mesmo perdendo muitos dos nossos funcionários para outras empresas, inclusive por causa do aprimoramento que oferecemos, temos a alegria de saber que eles vão crescer em suas carreiras”.
   O EDRI também recorreu às suas experiências como homem de negócios para falar da relação entre as empresas e a comunidade, citando – entre outros projetos – a escola que construiu, através das doações feitas por suas empresas, na Vila Rotary de Cambará, no Paraná. “A empresa precisa ser um caminho iluminado e capaz de iluminar aqueles que com ela convivem diariamente: clientes, funcionários e a comunidade, que precisa ver nela uma esperança de ficar um pouco melhor, seja lá como for”, concluiu Vezozzo.

      Juventude e educação
   A companheira Leyla Maria Felix do Nascimento, ex-presidente do RCRJ-São Cristóvão, RJ (D. 4570) e superintendente da unidade fluminense do CIEE – Centro de Integração Empresa Escola – premiado projeto que já colocou mais de 3 milhões de estudantes em postos de estágio em todo o Brasil, defendeu a capacitação profissional da juventude, começando pela educação formal, como um ponto fundamental para a solução dos problemas brasileiros. Leyla também destacou o programa Preserve o Planeta Terra, de autoria do saudoso presidente 1990-91 do RI, Paulo Viriato Corrêa da Costa, e pediu um maior engajamento dos rotarianos em ações voltadas à preservação do meio ambiente.
   O módulo de debates, introduzido pelo governador do distrito 4570 Salvador da Costa Marques, foi marcado pelo relato de diversas experiências ligadas ao Terceiro Setor – algumas delas vividas por companheiros empresários, inclusive em parceria com o Rotary e o Estado.

Mais na revista:
- A entrega dos prêmios




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