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A Droga, o Adolescente
e o Intercambiado


  José Luiz Scaglioni Filho

Os cuidados que devem ser tomados nos dias atuais ao se hospedar um jovem de outro país

egundo a Organização Mundial de Saúde, a adolescência é o período que compreende a faixa de idade entre os 10 e os 19 anos, e que se caracteriza por grandes modificações sociais, psicológicas e corporais do indivíduo. Graças a isso, essa fase de nossas vidas impõe expressivas exigências no que diz respeito a adaptações do corpo e da mente, além de gerar novas responsabilidades familiares, sociais, culturais e interpessoais. É evidente o fato de que durante a adolescência o jovem apresenta-se potencialmente vulnerável a interferências várias no desenvolvimento de seu caráter.

   O momento atual
   Estamos vivendo hoje uma situação na qual o jovem é constantemente assediado para iniciar-se no uso de drogas. Podemos enumerar alguns fatores que concorrem para esse panorama, como o comportamento de determinados setores da mídia que, na busca por maiores índices de audiência – e nem sempre de modo ético, mas com altas doses de sensacionalismo – enfocam insistentemente a matéria. Ou, ainda, o poderio econômico advindo da comercialização ilegal – e até certo ponto bem-sucedida – das drogas, com espetaculares esquemas de controle e multiplicação dos pontos de venda, principalmente nos grandes centros, o que facilita sobremaneira a sua aquisição.
   As oportunidades oferecidas para o jovem experimentar drogas são numerosas. Nós, como pais e educadores, não podemos ficar alienados. Precisamos ter em mente a possibilidade de nossos filhos serem envolvidos por esse mal a qualquer momento. Onde? Nos mais diversos locais, inclusive naqueles tidos como seguros, onde nunca imaginaríamos haver a possibilidade de tal ocorrência. Quando? A qualquer dia e hora, desde que as condições tornem-se apropriadas. Como? De incontáveis, mirabolantes e competentes maneiras.
   Pois bem: essa é a realidade dos nossos dias. E como deveríamos agir? A receita é por demais conhecida e divulgada por todos: prevenir. Talvez seja até redundante repetir o que a maioria já sabe, mas um assunto de relevada seriedade e importância merece ser abordado e reforçado sempre: a prevenção tem que sair do âmbito familiar. A orientação e o diálogo franco são fundamentais. Devem ser estabelecidos limites claros de conduta, de horários, de adequação comportamental, tudo com boa dose de amor e afeto. Incentivar atividades sadias é um requisito indispensável. Além de tudo isso, uma rotina de bons exemplos, compreensão e tolerância para com as dificuldades inerentes ao difícil período da adolescência – incluindo aí o acompanhamento, e não o “policiamento”, das atividades dos filhos – certamente será um dispositivo muito valioso para que nossos jovens se mantenham longe das drogas.

   A responsabilidade
   Relativamente ao estudante que participa do Programa Internacional de Intercâmbio de Jovens, geralmente na idade entre 15 e 19 anos, alguns pontos precisam ser considerados. Quando hospedamos um intercambiado em nossa casa, nossa responsabilidade em relação a esse problema se agiganta. É evidente, necessário e requisitado que o jovem recém-chegado seja tratado como nosso filho, em todos os sentidos. É este sentimento que os dirigentes do Programa de Intercâmbio divulgam aos participantes de todo o mundo. Entretanto, as famílias anfitriãs necessitam ter uma atenção especial com estes “novos filhos”.
   Durante a preparação e o treinamento que antecedem a viagem, o candidato ao intercâmbio é alertado para o perigo de se envolver com drogas e para a possibilidade de ser remetido de volta ao seu país de origem se não seguir as normas do programa. É importante lembrar que tais estudantes, a exemplo do que pode ocorrer também com nossos filhos, estarão sujeitos a esse risco, alguns deles com um agravante muito sério: são de países de culturas e realidades variadas, em alguns dos quais o uso de certas drogas é liberado ou tolerado em locais restritos – ou não é considerado contravenção.
   Para concluir, vale a pena reforçar: a receita para o sucesso continua sendo a prevenção. Mas, para que tudo realmente funcione bem, é preciso considerar, tratar e amar o intercambiado como um verdadeiro filho, elo de uma amizade duradoura e embaixador da paz e da compreensão mundial
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