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urante um intercâmbio cultural na Alemanha Ocidental em 1983,
Vladimir Litinov encontrou-se com alguns rotarianos que lhes falaram
sobre sua organização e seu trabalho caritativo. “Que
grande idéia”, pensou ele.
Essa
idéia, porém, chegara antes do tempo. No início
dos anos 80, a União Soviética ainda era governada sob
uma severa doutrina comunista. O trabalho voluntário e caritativo
era oficialmente desencorajado – todos tinham o seu emprego e
o Estado cuidava de todas as necessidades, de acordo com a orientação
do Partido e, por isso, não havia necessidade de obras caritativas.
“Claro que as coisas não se passavam
exatamente daquela forma,” conta Litinov. Ainda assim, sua posição,
como um funcionário de alto nível na administração
dos teatros de Moscou, significava que ele tinha que limitar seu trabalho
caritativo às ações individuais aceitas pela burocracia
soviética.
“Você tinha que ter muito cuidado com
o que dizia,” conta Litinov, com aquele ar de calma e segurança
que era essencial no tempo em que trabalhava com muitas pessoas de ego
forte e estelar, comuns no mundo do teatro. Ele cita o exemplo de um
incidente havido nos anos 60, quando caminhava, com seu irmão,
próximo à embaixada norte-americana em Moscou e cruzou
com dois homens na rua. Eles não deram atenção
aos dois até que poucos minutos depois eles foram apanhados por
uma patrulha da polícia militar, que queria saber porque eles
estavam perto de americanos. “Foram muitas horas até convencê-los
de que aquilo nada significava,” diz ele.
Forças
de mudança
Em 1985, Mikhail Gorbatchov assumiu o poder e iniciou
a glasnost, a política oficial de abertura que possibilitou o
aprofundamento das relações entre o país e o Ocidente.
Em 1989, Litinov e nove companheiros russos iniciaram uma série
de contatos com rotarianos na Alemanha, com o objetivo de criar um clube
em Moscou. Eles precisavam, no entanto, de obter a anuência do
Comitê Central do Partido Comunista. Os colegas de Litinov, que
faziam parte da nova geração de líderes, e que
ocupavam altos postos na hierarquia, resolveram ajudar o pleito, por
entender que era interessante aprofundar as relações com
o Ocidente, de forma a conquistar mudanças na sociedade local.
Ainda assim, o Comitê negou por diversas vezes a aprovação
para a criação do clube, durante o ano de 1989. “Fizeram
chegar a nós ameaças de que a nossa insistência
poderia acarretar graves conseqüências,” conta ele,
acrescentando com a sua típica fleuma: “Mas nós
prosseguimos.”
As mesmas forças de mudança, em algum
local da então URSS, levaram Litinov e sua equipe ao sucesso.
O RC de Moscou foi fundado e recebeu sua Carta de Constituição
em junho de 1990.
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