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Chicago, cidade das etnias

  Monica Eng

Os variados bolsões étnicos e culturais de Chicago fazem com que os visitantes sintam-se como se estivessem percorrendo o mundo diversas vezes por dia. Visite-os antes da Convenção do Centenário, de 18 a 22 de junho de 2005.

m Chicago, é possível passar a manhã no México, degustando chilaquiles, enquanto se visitam herboristas para melhor conhecer o universo das ervas. À tarde pode-se ir até Bombaim, na Índia, e aproveitar os sucessos de Bollywood e samosas; à noite, dá-se uma chegadinha a Seul, na Coréia, apreciando os bulgogis e cantando canções pop coreanas até de madrugada. Todas estas “viagens” são possíveis sem sair de Chicago – e sem sentir as diferenças de fusos horários – graças à diversidade cultural de seus bairros.
   Muitos ignoram mas, depois de Nova York, Chicago é considerada a cidade norte-americana com maior variedade étnica. De acordo com as mais recentes estatísticas, Chicago abriga as maiores colônias polonesa e bosniana do país, e a segunda mais populosa comunidade hispânica dos EUA. Numa faculdade em North Side, são faladas mais de 70 línguas. Os imigrantes se entrosam rapidamente nesta cidade cosmopolita. Outros sentem-se em casa ao habitar – ou ao menos visitar – os bairros étnicos de Chicago, onde foram recriadas muitas das coisas que encontravam em seus países de origem. Tais enclaves étnicos, repletos de restaurantes, padarias, clubes, museus e lojas, significam alegria para muitos moradores ou forasteiros, a exemplo do Epcot Center – parque temático da Disneyworld, na Flórida.
   Alguns destes bairros, como Chinatown, a Greektown e a Little Italy, estão a uma curta distância de táxi, a partir do McCormick Place, local da convenção de 2005 do RI. Bem ao norte da cidade, situa-se a acolhedora Andersonville, com seu museu sueco e restaurantes, além de uma concentração de restaurantes típicos da região leste. Ao sul, situa-se Bronzeville, que foi antigamente o centro cultural afro-americano do Oeste, e que se encontra novamente em voga, com sua fascinante arquitetura e história.
   Eis uma visão das muitas comunidades étnicas de Chicago:

      Aldeia polonesa
   Criada há mais de 80 anos, esta faixa da Milwaukee Avenue, em Avondale, é uma das mais antigas comunidades polonesas de Chicago. Limitada ao norte pela igreja de St. Hyacinth, fala-se quase que exclusivamente polonês nesta área da cidade – além do inglês, é claro.
   Apanhe um número no balcão da delicatessen Kurowski e explore o interior deste autêntico empório de alimentação polonesa, capaz de transportá-lo em um instante até Varsóvia. Não deixe de experimentar os substanciosos pães, as carnes defumadas e a fascinante seleção de doces poloneses. Para uma degustação mais sofisticada, vá até a Andy´s Deli, menor e mais confortável, e à Mikolajczyk Sausage Shop, na mesma rua.
   Deseja almoçar sentado? Vá até o Paul Zakopane Harnas Restaurant, que serve pratos baratos e abundantes, e um volumoso café da manhã, composto de dois ovos, carne assada com batatas, torradas e lingüiça polonesa. Também é possível encontrar refeições a preços razoáveis – e muitos fumantes – no Staropolska, onde os fregueses, no bar da entrada, jantam pratos típicos da Polônia, enquanto tragam seus cigarros quase que simultaneamente. Para os que preferirem experimentar uma ampla variedade de comida polonesa em uma só refeição, uma dica: o Czerwone Jabluszko e o Red Apple são imbatíveis. Lá, um bufê com dezenas de pratos – incluindo carnes cozidas, salsicharia, saladas e sobremesas – custa em torno de US$ 7.
   A mesma rua ainda abriga muitas livrarias, lojas de música, ervanários, floristas e uma boate, chamada Café Lura.

      A Rua 18, em Pilsen
   Localizado a sudoeste do Centro, entre a Rua 18 e a Ashland Avenue, este bairro – que já foi checo, alemão e polonês – tem sido o lar de uma vibrante comunidade mexicana há mais de quatro décadas. Muitas das famílias ali residentes foram desalojadas por ocasião da construção da Universidade de Illinois em Chicago. O bairro continua recebendo novos imigrantes, que vivem ao lado de famílias que já se encontram na segunda e na terceira gerações.
   Esta faixa da Rua 18, bem como seus arredores, é repleta de lojas de discos, livrarias, ervanários medicinais, murais coloridos e muita comida. No final do distrito comercial pode-se encontrar o Mexican Fine Arts Center Museum, o maior de sua categoria no país.
   Para um jantar sentado, não há erro: o melhor local é o Restaurante Nuevo Leon, que oferece refeições completas, como o saboroso chocolatey mole poblano, que raramente ultrapassam os US$ 8. Suas duas salas conseguem acomodar muita gente. Para uma refeição mais modesta, vá até a colorida cafeteria Taqueria El Milagro, onde as tortillas vêm da vizinha La Casa Del Pueblo.
   Os que estiverem em busca do café e do chocolate mexicanos devem ir ao Café Jumping Bean ou ao Café Mestizo, freqüentado pelos artistas.
   Muitos mexicanos de Chicago vêm do estado de Michoacán, onde a carnitas – porco assado – é a especialidade. O Carnitas Uruapan serve a iguaria para ser consumida no local, acompanhada por deliciosos tacos pequenos, ou para levar.
   Para degustar a típica panificação mexicana, pode-se procurar as gordurosas e semi-doces conchas, no El Nopal, ou conhecer o Café BomBom, onde são servidos os pastéis de três leites. Neste local, o tradicional doce é apresentado em diversos e novos sabores, como piña colada e Kahlua. Depois de tanta comida boa, visite a mais importante instituição cultural da comunidade, o Mexican Fine Arts Center Museum, que exibe, em caráter permanente, diversas mostras nacionais e internacionais, sem cobrar entrada. Visite as galerias do museu e a irresistível loja de presentes, repleta de música, literatura, artes e manufaturas mexicanas. A mostra em cartaz até novembro de 2005 será “PreMeditados: meditações acerca da Pena Capital”, de Malaquias Montoya, que exibe imagens em silk-screen e pinturas.

      Chinatown
   A cerca de 1,5 km a leste de Pilsen, do outro lado do rio Chicago, o perfil étnico da cidade muda radicalmente. É lá que se encontra o coração de Chinatown, dividida entre a Velha China, ao sul, e a nova Chinatown Square Mall, ao norte.
   Sua origem remonta à década de 1930, quando imigrantes cantoneses tiveram que deixar suas primeiras residências na cidade, no Loop, por causa do custo dos aluguéis. A área sofreu grandes modificações nas duas últimas décadas, devido à chegada de um número crescente de imigrantes asiáticos. Isto provoca atritos até hoje, especialmente no mês de outubro, época de comemorar os aniversários de fundação da República Popular da China, no dia 1o, e o da República de Taiwan, no dia 10. A situação, entretanto, abrandou-se bastante devido à convivência entre os membros das duas comunidades.
   Uma das vantagens desta enorme diversidade cultural é a surpreendente variedade da culinária local. Os visitantes podem experimentar uma enorme quantidade de dim sum – uma especialidade cantonesa – pela manhã em diversos locais, como o Restaurante Phoenix, ou nos salões situados na parte de trás das padarias, como a Chiu Quon. Outra opção é saborear e comprar uma série de criativas misturas de chás e ervas na Ten Ren Tea & Ginseng Co., ou experimentar dezenas de variedades da cozinha pan-asiática, além de diversos chás borbulhantes, na Joy Yee’s Noodles.
   A excelente cozinha de Xangai, incluindo bolinhos de massas especiais, pode ser encontrada na Man-darin Kitchen. E ainda tem mais: o visitante poderá provar aquela que é provavelmente a melhor chow de Sicuan do Meio-Oeste americano, servida no Lao Sze Chuan.
   Nada melhor do que fazer a digestão caminhando pelas lojas de Chinatown, que oferecem uma grande variedade de itens para a decoração doméstica, vestimenta e brinquedos chineses. Talvez melhor ainda seja passear no Ping Tom Memorial Park, onde pode-se ver o playground, sentar-se à sombra do pagode ou simplesmente estirar-se na grama, à espera de um ocasional barco navegando por lá.

      Little Italy
   Também chamada de Taylor Street, a Little Italy situa-se a oeste do centro da cidade. Fundada por imigrantes do Sul da Itália e da Sicília, no início do século 20 este bairro foi dividido com a construção do Eisenhower Expressway e a expansão das instalações da Universidade de Illinois em Chicago. A comunidade local ainda ostenta traços de sua origem, em especial no que toca à culinária.
   Não deixe de visitar pontos de referência de Chicago, como o Mario’s Italian Lemonade, onde, no verão, se encontra um maravilhoso sorvete.
   Se você prefere a tradicional cozinha da Itália, e visitar um local freqüentado pelas celebridades, vá até o Rosebud on Taylor, onde imperam a boa comida italiana e o frango Vesúvio, típico de Chicago, ultra-temperado com alho. Experimente também o frango ao limão, no Tufano’s.
   Outra invenção de Chicago é o bife à italiana – um rosbife servido no pão italiano, com pimentão doce ou picante. Um dos melhores é o do Al’s Number One Italian Beef. Para a sobremesa, dê uma passada na Italian Superior Bakery.

      Devon Avenue
   Você vai mergulhar no subcontinente quando se dirigir ao West Ridge, no extremo norte da cidade, e encontrar os bairros da Índia e do Paquistão. Até os anos 1950, este trecho da Devon Avenue, mais ou menos entre as avenidas California e Oakley, era um bairro comercial judeu. Mas, quando seus habitantes se mudaram para os subúrbios, vinte anos depois, o local passou a ser ocupado por imigrantes do Sul da Ásia. Muitos dos que haviam saído do bairro passaram a freqüentá-lo, especialmente nos fins de semana, para compras e gastronomia.
   A Devon Avenue atende a todos os requisitos, sejam eles os de provar a culinária do Sul da Ásia, procurar os DVDs Bollywoods mais recentes, ou participar do clima de uma partida de críquete. A avenida está repleta de locais onde se pode aproveitar uma boa refeição.
   O autêntico café da manhã do sul asiático, o halwa puri – composto de grandes panquecas fritas cobertas com pudim doce de semolina, ervilhas, raita e picles – pode ser tomado no Tahoora Sweets and Bakery, local que vale a pena visitar, apesar da fila comprida, inclusive por seu baixo preço: US$ 3. Se você não estiver disposto a esperar, experimente o King Sweets, bem próximo. Os dois locais gabam-se de oferecer saborosas samosas.
   Pode-se encontrar uma ótima cozinha paquistanesa no Sabri Nihari ou no Usmania Restaurant, especializados em nihari, haleem e paya.
   Os vegetarianos apreciarão o Udupi Palace, que serve o delicado e abundante masala dosa – grandes panquecas de farinha de arroz. Aperitivos e doces como o arroz estufado e uma mistura de vegetais de bhel puri, uma grande variedade de pratos à base de leite, estão disponíveis em muitos locais, como a Rajbhog Sweets & Snacks e a Sukhadia Sweet.
   Uma boa sugestão é visitar uma das mesquitas locais, como a Jami, e lojas como a Islamic Books and Things.
   Esta é uma simples amostra dos bairros étnicos de Chicago, prósperos e pequenos, que incluem enclaves de bósnios, lituanos, etíopes, jamaicanos, coreanos, lituanos, porto-riquenhos, russos, vietnamitas, africanos ocidentais, e outros. Há tanta coisa para ver em Chicago que se deveria permanecer na Cidade das Etnias por mais alguns dias após a convenção do Centenário.




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