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Conferência do Cairo sobre
população e desenvolvimento


  Adelia Villas

ntre os dias 03 e 06 de dezembro de 2004, a cidade do Cairo, capital do Egito, voltou a ser o centro das discussões sobre população e desenvolvimento sustentável ao sediar a Conferência dos Serviços à Comunidade Mundial, realizada pelo Rotary International com o objetivo de debater questões ligadas à melhoria da qualidade de vida da humanidade e aos projetos de serviços que nossa organização pode implementar nessa área.
   Pelo local em que aconteceu e pelo tema que abordou, é impossível não remeter este encontro à CIPD’94 – a 1a Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento das Nações Unidas, também realizada no Cairo, em 1994 –, evento que teve a participação de 179 países, inclusive o Brasil, que assinaram o Programa de Ação sobre População e Desenvolvimento, documento com metas e ações globais relacionadas a esse campo, válidas pelas próximas duas décadas.
   Foi a partir da CIPD’94 – e de uma série de experiências regionais bem-sucedidas, desenvolvidas através de projetos-piloto de seus clubes e distritos – que o RI decidiu criar uma força-tarefa especialmente dedicada ao assunto, abordado desde então em encontros rotários internacionais como a Conferência Latino-Americana sobre População e Desenvolvimento, que aconteceu em Brasília há quatro anos [a cobertura está na edição de maio de 2001 da BR].

      Parcerias: o melhor caminho
   Tendo como anfitrião o governador do distrito 2450, Mounir Saleh Sabet – irmão da primeira-dama do Egito Suzanne Mubarak, incentivadora do encontro – a Conferência do Cairo teve como presidente de sua Comissão Executiva o DRI Constant Tempelaars, dos EUA, como chairman o EDRI Bill Cadwallader e como vice-chairman Robert Zinser. A América Latina foi representada pela EGD Adélia Villas, do Brasil, e também correspondente desta revista, e pelos EGDs Andrés Robles Peña, do México, e Jorge Aufranc, da Guatemala. Ao todo 470 pessoas, representantes de 35 países, participaram da conferência, aberta com uma palestra do ministro da Saúde do Egito, Awad Tag El Din, que comentou as políticas públicas responsáveis pela erradicação da poliomielite e a considerável redução dos casos de malária em seu país nos últimos 20 anos.
   El Din fez questão de destacar que estas importantes conquistas tiveram a ajuda de rotarianos egípcios e de outras partes do mundo, e que foram favorecidas por dois fatores: o estabelecimento de parcerias entre o governo e os setores privados, e o reconhecimento da sinergia entre saúde e desenvolvimento sustentável. “Não podemos ter desenvolvimento sem saúde, e a saúde sucede o desenvolvimento, naquilo que poderíamos chamar de círculo virtuoso”, analisou o ministro.
   Representando o FNUAP – Fundo das Nações Unidas para População, Virginia Ofosu-Amaah, coordenadora da entidade para a África, destacou a colaboração entre o Rotary e a ONU, citando a renovação do Memorando de Cooperação entre as duas organizações, assinado em outubro de 2002 pelo então presidente do RI Bhichai Rattakul. Virginia lembrou que esta parceria entre os rotarianos e a FNUAP tornou possível a execução de projetos na Índia, no México, no Nepal e na Nigéria, entre outros países. A maior parte destas iniciativas foi dedicada à promoção da educação, à luta contra a aids e à conscientização a respeito dos direitos humanos e o equilíbrio entre população e meio ambiente.

      Saúde pública e infância
   Lee Jong Wook, diretor geral da OMS – Organização Mundial da Saúde –, que no dia 19 deste mês vai estar na Celebração Presidencial Rotary e Saúde Pública, no Rio de Janeiro, foi representado por seu consultor, o médico inglês Jan Smith. Ele relatou a experiência profissional que teve ao longo de 15 anos no Nepal, e também frisou a importância de se realizar parcerias, citando o exemplo do Polio Plus, que até agora conseguiu erradicar a poliomielite em 99% através de uma ação conjunta envolvendo o Rotary, a OMS, o Unicef, o Centro Norte-Americano de Controle de Doenças, além de governos e parceiros regionais. Considerando o orçamento e o estafe da OMS, observou Jan Smith, a organização não teria como atingir sozinha – e em menos de 30 anos – esses índices de erradicação.
   Então ficou no ar a pergunta: após a erradicação total da pólio qual será o foco da próxima parceria entre a OMS e o Rotary? Jan Smith acha que seria presunçoso dizer o que nossa organização vai fazer pela humanidade no século 21, mas lembrou que a saúde é um tema que perpassa a maioria das oito metas globais a serem cumpridas até 2015, de acordo com a Declaração do Milênio das Nações Unidas assinada por 169 países em 2000 [a BR publicou um artigo sobre este assunto na edição de janeiro de 2005, pág. 43].
   Três destas metas estão relacionadas diretamente à saúde pública, incluindo a redução dos índices de morte materno-infantil, doenças em crianças com menos de 5 anos, além do combate à aids, à malária e à tuberculose. Outras têm uma importância vital para a saúde das populações, como a melhoria dos índices de nutrição entre as crianças e a facilitação do acesso a remédios essenciais e água potável.
   Um dos princípios da OMS estabelece que “o gozo dos mais altos padrões de saúde é um dos direitos fundamentais de todo ser humano, sem distinção de raça, religião, convicção política ou condição econômica e social”. Partindo desta afirmação, Jan Smith explicou que os focos de atenção da OMS neste novo milênio são:

   Erradicação da pólio: “um negócio a se concluir”.

   Os “três grandes”: aids, tuberculose e malária.

   Os novos perigos: doenças infecciosas que, com a globalização, se espalham através de viagens aéreas, como a sars – também conhecida como gripe asiática.

   Saúde reprodutiva: garantia de uma gravidez saudável e de um parto seguro para mãe e filho.

   Combate a epidemias ainda não reconhecidas: cegueira evitável, perda de audição, incapacidade física ou mental, doenças crônicas como câncer, cardiopatias, diabetes. Este trabalho também envolve a realização de campanhas a respeito dos riscos do tabagismo e que estimulem a realização de exercícios físicos e uma dieta saudável.

   Serviços de saúde: facilitar seu acesso às populações mais pobres.

   Fatores ligados ao meio ambiente: o principal deles é o direito de todos à água potável.

   Jan Smith concluiu sua exposição ressaltando a importância dos rotarianos: “Vocês se recusam a aceitar determinadas situações, tentando fazer deste mundo um lugar melhor através de suas próprias ações”.
   Falando sobre as perspectivas para as crianças do planeta neste novo milênio, Mounir Bassiuoni, representante do Unicef no Egito, disse que o Rotary pode ser um grande parceiro das Nações Unidas em diversos projetos, dada a experiência que os rotarianos têm junto às comunidades e aos governos. Das metas que o Unicef estabeleceu até 2006 destacam-se a promoção dos direitos das crianças e o acesso delas à educação de qualidade – sempre com ênfase aos meninos e meninas de rua.


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