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Hotel Intercontinental, no Rio de Janeiro, sediou no dia 19 de março
a Celebração Presidencial Rotary e Saúde Pública.
Com um público de aproximadamente 900 pessoas – entre antigas,
atuais e futuras lideranças rotárias, companheiros e cônjuges
de 34 distritos brasileiros e também do exterior – e tendo
à frente o presidente do RI Glenn E. Estess Sr., o evento contou
com destacados especialistas discutindo soluções para
problemas ligados à saúde no Brasil e no mundo.
Abertura
A programação teve início com
a audição do Coral Infantil da Escola de Música
da Rocinha, projeto que tem a parceria do RC do Rio de Janeiro. Em seguida,
o chairman do encontro, o EGD Carlos Henrique de Carvalho Fróes,
convocou o EGD José Moutinho Duarte, responsável pelo
protocolo, que anunciou a mesa principal (foto) assim composta: deputada
federal Laura Carneiro; Heloísa Sabin, viúva do cientista
Albert Sabin; deputada estadual Heloneida Studart; DERI Carlos Speroni;
DRI José Antonio Salazar; DRI Luiz Coelho de Oliveira e sua mulher
Lucilena; Glenn Estess Sr., presidente do RI e sua mulher, Mary; EGD
Carlos Henrique de Carvalho Fróes, chairman do evento; os governadores
dos distritos anfitriões Salvador da Costa Marques Neto –
D.4570, Orvile Kairalla Riemma – D.4600 e Flávio de Mattos
– D.4750; e o aide do presidente Glenn, EDRI Donald Osburn.
Carlos Henrique Fróes leu uma carta enviada
pela diretoria da OMS – Organização Mundial de Saúde
– parabenizando o Rotary pela Celebração e agradecendo
toda a contribuição da organização no combate
à poliomielite.
Em seguida, a deputada Heloneida Studart fez a entrega
do Diploma de Cidadão Emérito do Estado do Rio de Janeiro
ao presidente do RI. “Esse é um reconhecimento pelo notável
trabalho do Rotary, sempre empenhado em encontrar soluções
para a saúde pública”, declarou a deputada.
Panorama
da saúde pública
O primeiro palestrante foi o cirurgião, ex-ministro
da Saúde e sócio do RC de São Paulo, SP(D.4610),
Adib Jatene, que discorreu sobre o tema “A saúde pública
no Brasil”. A exposição de Jatene partiu da análise
de todas as fases do atendimento de saúde: promoção,
prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação.
Segundo o ex-ministro, a promoção depende de um quadro
social estável, já que esse processo é facilitado
por boas condições de habitação, lazer,
salários, saneamento básico, abastecimento de água
e alimentação. “Em sua maioria, estes são
fatores que não são contemplados pela verba destinada
à Saúde. Porém, se essas condições
não existirem, com certeza as doenças continuarão
aparecendo, e os hospitais terão maior demanda”, explicou.
“Esse quadro se agravou com a abrupta transformação
do Brasil em um país urbano, sem oferecer qualidade de vida às
populações mais carentes. São pessoas com pouco
grau de informação – o que só dificulta a
promoção de programas de promoção”.
Em relação à prevenção,
Jatene avalia que o Brasil avançou muito na imunização
de doenças transmissíveis: “Somos um dos países
que mais aplicam vacinas no mundo. Um ótimo exemplo é
a vacina contra a poliomielite: o Brasil assumiu o compromisso e em
um único dia, em 1980, vacinou 20 milhões de crianças.
Somos o primeiro país a erradicar a pólio, um exemplo
seguido pela OMS”, lembrou.
Em relação aos diagnósticos,
ele afirmou que é necessário humanizar o atendimento.
Segundo Jatene, o avanço tecnológico facilitou os diagnósticos,
mas por outro lado deteriorou a relação entre pacientes
e médicos. “Quando o profissional de saúde só
se preocupa com a doença, ele é um técnico. O médico
é aquele que se preocupa com o doente”, declarou, arrancando
aplausos da platéia. Outra preocupação de Jatene
é com a excessiva especialização da medicina. Atualmente,
a Sociedade Médica e o Conselho Federal de Medicina reconhecem
65 especialidades: “As pessoas não têm um médico:
têm vários especialistas, que atuam de forma fragmentada.
Além disso, hoje existe um verdadeiro arsenal de exames, mas
à disposição apenas dos que podem pagar, pois raros
são os países que têm condições de
popularizar esses avanços”.
Sistema
em crise
No que diz respeito ao tratamento, Jatene lamenta
que o médico e o paciente sejam “as vítimas de um
sistema que já não atende mais às pessoas, e sim
aos planos de saúde e fabricantes de medicamentos e equipamentos”.
A reabilitação vem sendo tratada, em muitos casos, por
ONGs e entidades filantrópicas. Isso vem fazendo com que a prática
seja de responsabilidade das famílias, na maioria das vezes sem
capacidade de atendimento.
A parte final da palestra destinou-se à análise
do SUS – Sistema Único de Saúde, criado na Constituição
de 1988. Jatene acredita que o SUS é de difícil administração,
pois envolve um constante relacionamento entre os três níveis
de governo – federal, estadual e municipal – que quase sempre
se encontram em rota de colisão por conta de disputas políticas.
“Os governos querem dominar os conselhos de saúde. Temos
uma tradição autoritária da qual não sabemos
nos livrar. É preciso haver indivíduos intelectualmente
honestos, que saibam reconhecer que existem opiniões melhores
que as deles”, argumentou.
Adib Jatene disse ainda que o grande desafio da saúde
pública brasileira é trazer o atendimento às pessoas
de baixa renda. A ampliação do programa de agentes de
família seria uma das saídas. Responsável por cadastrar
e visitar regularmente 200 famílias, o agente auxilia na prevenção
e no diagnóstico de doenças, além de conscientizar
os pais sobre a vacinação dos filhos. “São
pessoas que, estando na comunidade, têm mais facilidade de trazer
ao SUS um quadro mais detalhado da situação da saúde
nas regiões mais carentes”, explicou. Além da falta
de clínicas especializadas nos bairros de periferia – “Existe
uma imensa demanda por dermatologistas e oftalmologistas”, disse
– uma pesquisa feita por ele mostrou que mais de 4 milhões
de paulistanos vivem em regiões que não dispõem
de sequer um leito hospitalar. “É estarrecedor. O ideal
seria a construção de pequenos hospitais na periferia,
mas o custeio deles é muito alto. O que tem de mudar no Brasil
é a dotação de verbas para a saúde. Nos
EUA, por exemplo, o governo gasta US$ 4 mil por ano em saúde
com cada habitante. No Brasil, esse valor não passa de US$ 300”,
revelou.
“Temos um serviço público organizado,
mas totalmente subfinanciado”, disse o palestrante. “Cada
vez mais as verbas diminuem. Por isso, sou favorável à
vinculação de recursos para a saúde. Seria a melhor
forma de acompanhar o avanço da inflação e salvaguardar
verbas para custeio e investimento”, defendeu, concluindo que
as classes mais favorecidas precisam se conscientizar desse problema
e encampar a luta por condições mais dignas de saúde
para o povo. “Temos de deixar de pensar que o país é
do governo. O país é nosso, e cabe a nós cuidar
dele”, encerrou Jatene, sendo muito aplaudido.
Presentes
Ainda na parte da manhã, o presidente Glenn
Estess recebeu o selo em homenagem ao Centenário e a Medalha
do Centenário, lançados respectivamente pela ECT –
Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – e pela Casa
da Moeda e entregues pelo governador Salvador da Costa Marques Neto
e pelo EGD Wilmar Garcia Barbosa. Em frente ao hotel, os EGDs Fernando
Quintella e Bemvindo Augusto Dias soltaram balões de gás
carregando uma faixa com a palavra “paz”.
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