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Saudades de Paulo Viriato

oi neste mês de abril, no dia 10 do ano de 2000, que, ao apagar-se aquele sorriso largo e sincero, começou a apoderar-se de todos nós um enorme vazio, logo ocupado por uma profunda e intensa saudade. Morreu Paulo Viriato Corrêa da Costa, o homem, o amigo, o grande líder dos rotarianos.
   Em um tributo à memória do inesquecível presidente 1990-91 do Rotary International, nesse quinto ano de sua ausência os membros do Colégio de Diretores Brasileiros do RI enviaram as mensagens que passamos a reproduzir.

   O imperecível Paulo Viriato
   A vida confere a algumas pessoas atributos, dons e virtudes que as tornam portadoras desse “carisma que a todos irmana”. São aquelas que se incorporam ao nosso dia-a-dia, tornando-se referência de comportamentos e exemplo vivo das idéias que semeiam, fazendo-as repercutir na vida de muitos que enxergam nelas valores que não podem se extinguir.
   Paulo Viriato deixou-nos a mística do valor do Rotary como indutor de nossa realização como seres humanos. As instituições que não cultuam seus santos, seus ídolos e seus heróis estão fadadas a não encontrar seguidores para os objetivos que perseguem. Ele não foi um “santo”, no conceito de santidade que a expressão sugere, mas foi um bem-aventurado, um ídolo e um herói, que nos deixou como marca perenizante seu amor ao semelhante e sua crença de que podemos dar ao mundo o serviço generoso que Deus colocou como missão para todos nós.

      Archimedes Theodoro
             EDRI 1980-82


   Paulo foi um precursor
   O nosso querido Paulo Viriato Corrêa da Costa foi um precursor. Como Paul Harris, ele plantou o futuro. A fusão das idéias de Stanley MacCraffrey – de “Paz através da educação” – e a “Universidade da Paz”, de Paulo, foi se desdobrando e culminou com a criação do magnífico programa dos Centros Rotary para Estudos Internacionais da Paz e Resolução de Conflitos. Paulo foi alguém que obstinadamente defendeu a paz e lutou pela nossa Fundação Rotária.
   O Preserve o Planeta Terra, lançado como grande bandeira em favor da ecologia, perpetua-se como base sólida do desenvolvimento sustentável, tema central para o futuro da própria humanidade. Era a consciência e a visão do líder que, preocupado com o meio ambiente natural mais diretamente, enxergava na ecologia da alma a existência de uma sociedade mais justa e mais fraterna. E para isso, Paulo vivia e praticava Rotary a cada instante. E por isso continua no coração de milhares de rotarianos espalhados por todos os continentes.

      Mário de Oliveira Antonino
                EDRI 1985-87


   Norte Verdadeiro
   Corria o ano rotário de 1993-94 quando Paulo Viriato e eu fomos convidados pelos então governadores Egon Heinsch, Benito Boni e Adolfo Shaeffer – respectivamente dos distritos 4670, 4680 e 4700 – para atuarmos no excelente Seminário Multidistrital de Porto Alegre. Lado a lado, no avião, falamos sobre nossas convergências profissionais, culturais e, mais que tudo, sobre família e Rotary. Já tendo sido ele presidente do RI, e verdadeiramente vivido todas as culturas através das viagens internacionais que realizou, o seu diálogo era cativante. Exigente com ele mesmo, apreciava de maneira fina os valores humanos e sinalizava que a amizade estava acima dos interesses pessoais. Seu tom de voz modulava de acordo com a mensagem que incorporava sua responsabilidade como líder.
   Do nosso inesquecível diálogo durante o vôo, ficaram lições profundas que eu guardo como patrimônio adquirido para minha riqueza pessoal. Dizia ele: “O Rotary será uma organização crescente por centenas de anos, porque tem a sabedoria de atender aos anseios humanos. O homem e a mulher, igualmente, têm sede de justiça, se aprazem em corresponder à máxima de que 'a quem muito é dado, muito será pedido'. E, em síntese, anseiam pela paz individual, que é parte da coletiva. Enquanto o norte verdadeiro do Rotary for a paz e a compreensão entre as pessoas, o Rotary se manterá forte.”
   Paulo Viriato se foi e se transformou no norte verdadeiro da paz e da amizade que são os pilares do rotarismo brasileiro.

      Hipólito Ferreira
         EDRI 1999-01


   Paulo, o terceiro
   Antes de Paulo Viriato, o Brasil deu ao rotarismo internacional os presidentes Armando de Arruda Pereira (1940-41) e Ernesto Imbassahy de Mello (1975-76). O primeiro não conheci pessoalmente; com o segundo, convivi tempo o bastante para apreciar sua cultura, lhaneza, des-prendimento e profundo senso de humanismo.
   Paulo Viriato Corrêa da Costa (1990-91) foi o terceiro. Sua presença e atuação ainda repercutem no mundo rotário, em especial no Brasil, onde teve marcante participação. Com entusiasmo e fé, propagou o ideal rotário. Sua liderança nasceu espontaneamente. Paulo foi respeitado por sua dedicação e conhecimento do Rotary. Há cinco anos, ele saiu de cena fisicamente, porém sua influência está presente, como nos diz o poeta Tennyson: “Os homens bons criam vida atrás de si”.

      Gerson Gonçalves
           EDRI 1993-95


   O legado de Paulo
   É imenso e não cabe nas páginas desta revista o legado deixado por Paulo Viriato para o Rotary e para cada um dos companheiros que tivemos o privilégio de conviver com esse líder insubstituível. Aí está, tão atual quanto há 15 anos, quando foi criado por esse visionário do bem, o programa Preserve o Planeta Terra. Era o alerta para que os brasileiros despertassem e tomassem providências para proteger as nossas águas, as nossas florestas e as nossas riquezas minerais da cobiça internacional.
   Seu grande amor pela nossa instituição foi exteriorizado no lema de sua gestão como o terceiro brasileiro a ocupar a presidência do RI: Valorize Rotary com Fé e Entusiasmo. Paulo seguiu à risca o que recomendava aos companheiros, e o seu exemplo frutificou e hoje está disseminado pelos Rotary Clubs do mundo.
   Além de tudo, como pessoa ele reunia todas as virtudes que tornam um ser humano admirável. Ele e eu tornamo-nos, de modo irreversível, amigos... para sempre.

      José Alfredo Pretoni
            EDRI 1995-97


   O mister Rotary
   Enquanto tive o privilégio da convivência viva, espontânea e normal com Paulo Viriato, nascida que foi nos bancos universitários – e fortemente reativada após nossas governadorias – não me apercebia da imagem real que ele desfrutava, em particular no Rotary. Minha visão, brasileira por excelência, era do fraterno amigo e grande companheiro, por todos reconhecido como o líder máximo do rotarismo da nossa terra. Carismático, competente e muito dedicado à causa rotária – o que ele fazia com alegria, desprendimento e quase sempre de forma apaixonada – Paulo trazia para nossa organização sua muito bem-sucedida experiência como arquiteto e empresário. De fato, ele era o “Mr. Rotary do Brasil”.
   Porém, foi durante meus anos como diretor do RI, em que senti mais concretamente a amplitude do Rotary em todo o mundo, que se descortinou para mim o vulto grandioso, humano e rotário de Paulo Viriato, fiel discípulo de Paul Harris e caminhante apóstolo internacional do Rotary.

      Alceu Antimo Vezozzo
             EDRI 2001-03


   Tributo a Paulo Viriato
   Marco indelével e autêntico divisor de águas para o rotarismo brasileiro, Paulo Viriato Corrêa da Costa foi um líder carismático, culto e extremamente sincero que, com muita sabedoria, tolerância e amor, soube conduzir com fé e entusiasmo o movimento rotário ao longo de anos em nosso país. Sempre me encantou sua capacidade de incentivar as novas lideranças rotárias em todas as partes do Brasil.
   Como presidente do Rotary International, por seu profundo conhecimento e por sua inabalável vocação em Servir, foi um valoroso missionário da paz, vigoroso defensor do planeta Terra e um homem que será sempre lembrado como o visionário e o desbravador de um novo tempo para a humanidade.
   Lucilena junta-se a mim rendendo nossas homenagens ao nosso maior líder de todos os tempos, extensivas à Rita, sua grande companheira na consolidação da família do Rotary.

      Luiz Coelho de Oliveira
               DRI 2003-05




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