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studos
divulgados pela revista Science no final de maio mostram que o tsunami
que arrasou a costa de mais de dez países da Ásia e da
África no final do ano passado foi mais violento do que se pensava.
Os cientistas descobriram, por exemplo, que o terremoto que causou as
ondas gigantes provocou a maior ruptura geológica já registrada,
com o abalo mais duradouro de que se tem notícia – foram
dez minutos de atividade sísmica. A causa da tragédia,
que matou mais de 300 mil pessoas, continua preocupando as autoridades
internacionais e a comunidade científica, que se mobilizam em
todo o mundo na tentativa de aperfeiçoar as tecnologias capazes
de prever o fenômeno – até outubro, uma rede provisória
de alerta de tsunamis deve estar funcionando no oceano Índico.
Como
acontece
A porção mais superficial do nosso planeta é constituída
pela litosfera, que por sua vez se move sobre a astenosfera, formando
as placas tectônicas – que flutuam empurradas pelo magma,
que tende a subir e empurrá-las. Quando duas placas com densidades
diferentes se chocam, fazendo a mais densa deslizar para baixo da outra,
surgem os vulcões e os terremotos. Os tsunamis são enormes
ondas geradas por movimentos tectônicos ocorridos dentro ou perto
dos mares e oceanos (veja infográficos). Seus comprimentos de
onda são normalmente superiores a centenas de quilômetros.
Em águas profundas, suas alturas são pequenas –
normalmente têm menos de um metro – mas quando se aproximam
da costa, com a diminuição das profundidades, podem atingir
alturas superiores a 30 metros, o equivalente a um prédio de
10 andares. São mais comuns no oceano Pacífico, onde os
fenômenos tectônicos têm maior atividade.
O tsunami do dia 26 de dezembro de 2004 teve início
com um terremoto a 9.000 metros de profundidade no oceano Índico,
quando a placa tectônica Indo-Australiana se deslocou por baixo
da placa da Birmânia. Este movimento provocou a súbita
elevação de 15 metros do fundo oceânico, cobrindo
milhares de quilômetros quadrados. A elevação deslocou
um gigantesco volume de água, originando uma onda que viajou
a 1.000 km/h durante pouco mais de 6 horas.
Para se ter uma idéia de sua magnitude, este
fenômeno mudou o eixo de rotação da Terra e alterou
sua curvatura, deslocando ilhas e fazendo com que outras desaparecessem.
O abalo começou com 9,15 graus na escala Richter – que
em teoria vai de 1 a 9 – na ponta do arquipélago indonésio.
A energia liberada foi igual à de 1 milhão de bombas atômicas
como a que foi lançada sobre Hiroshima no final da Segunda Guerra.
Uma
questão mundial
Os danos causados pelos tsunamis podem se espalhar pelas áreas
marinhas e costeiras, com efeitos sobre as atividades humanas e também
sobre a natureza: o impacto das ondas gigantes causa o desaparecimento
de comunidades biológicas estabelecidas nos fundos marinhos,
bancos de algas e corais, praias e costões, que são regiões
de lenta e difícil recuperação. As espécies
que migram podem até escapar parcialmente, refugiando-se nas
áreas circunvizinhas, mas isso não acontece com as espécies
sedentárias. Em conseqüência, há uma forte
redução de biodiversidade e biomassa na região
atingida, com reflexos econômicos e sociais – as atividades
pesqueiras estão entre as mais atingidas.
Mais evidentes ainda são os danos econômicos
provocados ao longo das costas, como o redesenho de praias, a destruição
de barcos e obras portuárias, vilas e cidades costeiras, estradas
e redes de comunicação e hotéis. Sem falar, claro,
no flagelo de imensas populações humanas.
Os efeitos negativos dos tsunamis são duradouros
e dispendiosos, exigindo investimentos volumosos, que estão fora
do alcance dos países pobres. A tecnologia capaz de prevê-los
é cara – outro problema para os países mais pobres
das regiões em risco – e ainda não apresenta um
nível de segurança satisfatório. Por isso é
tão necessário o envolvimento solidário e prolongado
das nações ricas nessa questão, que precisa ser
trabalhada em escala planetária.
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