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Conheça Carl-Wilhelm Stenhammar

Novo presidente do RI inicia com entusiasmo
o segundo século de serviços de nossa organização


Julie A. Jacob
  

e fato, quando o assunto é o Rotary, Carl é capaz de dar sua própria camisa para ajudar alguém – literalmente. Indicada por ele para ser a primeira mulher a ocupar uma cadeira no Conselho de Curadores da Fundação Rotária, Carolyn E. Jones ainda se lembra da participação de Carl como representante do presidente do RI na conferência do distrito 5010 – que cobre parte do Canadá, da Rússia e dos EUA – no ano de 1998. Durante a conferência, o distrito – que estava distante de cumprir sua meta de doações à FR – decidiu improvisar um leilão para arrecadar os recursos que ainda faltavam para o cumprimento da meta. Carl-Wilhelm ofereceu a elegante camisa italiana que estava vestindo, toda feita à mão, para os lances do leilão. A peça acabou arrematada por US$ 1.500.
   A dedicação e a disponibilidade de Carl para ajudar seus companheiros rotarianos não é surpresa para os que o conhecem. Ele é descrito como uma pessoa inteiramente dedicada ao Rotary, um amigo verdadeiro, culto e que gosta de realizar atividades ao ar livre. Stenhammar também é definido como um homem que esbanja bondade e bom humor, um líder positivo, comprometido com aquilo em que acredita e que faz o que for necessário para cumprir seus deveres. “Ele é generoso e divertido”, conta Carolyn. “Em seu lado mais sério, Carl ostenta uma grande capacidade de se comunicar, de ouvir e de se relacionar com pessoas de outros países, lugares e culturas”.
   Em entrevista concedida à The Rotarian no escritório central do RI, em Evanston, Carl-Wilhelm Stenhammar – vestindo uma camisa azul e uma gravata amarela, cores escolhidas por ele para o ano rotário 2005-06 – contou como foi atraído para nossa organização e quais são os seus planos como presidente. Com o rosto levemente bronzeado e o porte de alguém que é realmente apaixonado por esportes, nosso entrevistado fala num tom de voz baixo, agradável e cortês, e articula suas idéias com clareza e precisão. Mesmo numa discussão de temas mais amplos, ele raramente precisa parar para ordenar seus pensamentos – de vez em quando, reforça seus pontos de vista juntando os dedos ou batendo-os na mesa.

   O presidente contou que o motivo que o levou a ingressar no Rotary foi muito simples: proporcionar aos outros as mesmas oportunidades que ele teve na vida. “Como sempre tive comida em minha mesa, toda minha educação foi paga e nunca sofri nada, pensei que esta seria uma boa oportunidade de retribuir tudo isto”, conta. Sua vontade de auxiliar os outros começou na infância: ele se recorda de ajudar a mãe a coletar roupas e outros bens para enviar aos seus avós, na Noruega, durante a Segunda Guerra Mundial.
   Carl nasceu e foi criado em Gotemburgo – segunda maior cidade da Suécia, localizada na costa oeste do país – em 1935. O pai dele, proprietário de uma próspera corretora de gêneros alimentícios, foi rotariano por muitos anos. “Lembro dele chegando em casa e falando sobre o Rotary. Mas reconheço que não dava muita atenção ao assunto. Eu era jovem”, diz Carl-Wilhelm.
   Foi necessário um intervalo de 30 anos para que Stenhammar retomasse o contato com o rotarismo. Durante esse tempo, ele completou os estudos e construiu uma carreira bem-sucedida a partir dos negócios da família. Ele conta que havia pensado em estudar arquitetura, mas logo concluiu que seu interesse não estava em tijolos ou projetos, mas numa atividade dinâmica e interpessoal.
   O primeiro desafio profissional de Carl na Gust F. Bratt AB, a empresa da família, foi viajar aos EUA – mais precisamente a Fresno, na Califórnia – em 1957 para trabalhar em várias empresas do ramo alimentício com o objetivo de adquirir experiência em operações comerciais norte-americanas. No ano que passou no exterior, ele reuniu um vasto conhecimento sobre como lidar com o mundo corporativo e aprendeu a viver numa terra e numa cultura diferentes das dele. Ao lado de outro jovem sueco, o novo presidente do RI fez várias amizades nos EUA. Hoje ele recorda com saudade suas aventuras na Califórnia: “Quase todos os nossos fins de semana eram aproveitados como se fôssemos turistas”.
   Depois de um ano, ele retornou à Suécia, onde trabalhou em vendas na Bratt ao longo de 12 anos antes de comprar a empresa, em 1972. Sua rotina profissional fez com que ele se relacionasse com pessoas de todo o país – inclusive rotarianos. “Para mim sempre foi muito interessante mostrar aos rotarianos o que fazemos, pois temos um bom produto – e vender qualidade não é tão difícil”, ele brinca.

   Poucos anos depois do seu retorno à Suécia, Carl conheceu e se casou com Monica, sua mulher há 43 anos, com quem tem dois filhos e três netos. Herdeira do amor que o pai, um médico veterinário, tinha pela natureza, Monica – hoje aposentada – era fisioterapeuta especializada em ortopedia e medicina esportiva. Ela sempre foi uma militante ativa da ONG WWF, que luta pela defesa do meio ambiente.
   Um dos programas preferidos do casal é passear pela costa oeste da Suécia em seu veleiro de 34 pés. Eles também gostam de praticar ciclismo, esqui e de fazer caminhadas. Carl e Monica dividem seu tempo entre um condomínio em Gotemburgo e um chalé de verão na costa oeste do país.
   Foi a paixão dos dois pelo tênis que levou Stenhammar ao Rotary, em 1974. Ele e Monica tinham comprado uma casa fora de Gotemburgo, próxima a um clube de tênis que eles logo começaram a freqüentar. O presidente do clube, sócio do mesmo RC que o pai de Carl havia presidido 30 anos antes, convidou-o a se tornar rotariano.
   Envolvendo-se rapidamente com os projetos do clube, em um ano ele foi eleito secretário. “Tenho tendência a não ficar sentado, esperando”, explica: “Gosto de me manter ativo.” Com a tarefa de pesquisar os arquivos do clube, acabou encontrando um filme mudo com duração de dois minutos – montado pelo sueco Victor Hasselblad, famoso fotógrafo e inventor de câmeras – que documentava uma visita de Paul Harris ao clube na década de 30. Depois de converter o filme para VHS, Carl doou uma cópia ao escritório central do RI.

   Toda essa energia e determinação foram empregadas em todas as posições ocupadas por Carl-Wilhelm Stenhammar em seus 31 anos de trajetória rotária. Ele foi presidente de clube, governador de distrito, coordenador da Fundação Sueca para o Intercâmbio Internacional de Jovens, assessor da Comissão Nacional Polio Plus, chairman da Comissão Internacional pelo Serviço aos Jovens e diretor do Rotary International.
   Como assessor da Comissão Nacional Polio Plus, Stenhammar trabalhou incansavelmente em favor da Fundação Rotária para obter ajuda financeira por parte do governo sueco. Depois de cinco anos de pacientes esforços, ele finalmente conseguiu uma doação de US$ 30 milhões em dezembro de 2004. “Isto nos ensina que jamais devemos desistir”, diz ele, com simplicidade.
   Os rotarianos que já trabalharam com o presidente Stenhammar elogiam sua especial capacidade administrativa e seu dom de se relacionar com as pessoas. “Carl-Wilhelm sempre demonstrou possuir um conhecimento profundo sobre tudo o que se refere ao Rotary, e isso com um grande senso de realismo. Ele sempre se importou com a imagem de nossa organização, em todas as ocasiões formais e informais”, conta Michel Dumont, ex-governador do distrito 1620, da Bélgica, que o conhece há 20 anos. “Ele é um orador talentoso, cujo carisma iguala suas qualidades humanas e de liderança. Carl é uma pessoa fácil de lidar e que possui uma grande disponibilidade para ouvir. Ele sempre tem uma palavra amiga para todos, desde os mais jovens até rotarianos experientes.”

   Stenhammar tem metas ambiciosas para seu ano na presidência do RI – e pretende alcançar todas elas. Ele quer expandir o Intercâmbio Internacional de Jovens, atingir um crescimento líquido do quadro social em pelo menos um sócio por clube, aumentar a visibilidade pública de nossa organização, aumentar o envolvimento das mulheres e dos jovens rotarianos e convidar Cuba para retornar à família rotária.
   Ele já deixou sua marca para nossas futuras lideranças ao indicar mulheres para coordenar os grupos de Alfabetização e Imagem Pública e a Comissão de Desenvolvimento e Retenção do Quadro Social. Ele também inovou ao indicar a primeira curadora para a Fundação Rotária. Carl espera que essas decisões – e o apelo que vem sendo dirigido aos clubes e distritos para que elejam mulheres como presidentes e governadoras – constituam o passo inicial para que tenhamos uma companheira na presidência do RI e possamos aumentar o número de mulheres nos quadros sociais dos nossos clubes.
   Como homem de negócios – embora atualmente já esteja aposentado – Stenhammar vê esta oportunidade como um bom investimento para o Rotary. “Estou enviando a mensagem de que há lugar para as mulheres em nossa organização”, ele diz. “Este investimento vai representar um grande lucro para o Rotary num curto prazo”. Ele menciona com orgulho o Rotaract de Gotemburgo, cujo quadro social é composto por homens e mulheres em partes iguais. “Nossa grande esperança é que todos se envolvam com a vida do clube”, declara o novo presidente do RI, que defende a tese de convidar jovens para o Rotary, lembrando que Paul Harris tinha somente 36 anos quando fundou o RC de Chicago. Carolyn E. Jones, indicada para ser a primeira curadora da FR, diz: “Ele está dando a algumas mulheres qualificadas uma oportunidade de exercer suas qualidades”.
   Outra meta prioritária é o aumento do número de intercambiados, visto pelo novo presidente como uma oportunidade para que mais jovens possam desfrutar da mesma chance que ele teve ao morar nos EUA. Se cada clube patrocinasse um jovem intercambiado, o Rotary quadruplicaria seu número de intercâmbios, passando dos atuais 8.000 para 32 mil. O presidente reconhece que os clubes menores talvez não possam patrocinar um estudante, mas argumenta que os clubes maiores poderiam compensar isso admitindo mais de um intercambiado.

   Outro sonho de Stenhammar é trazer Cuba de volta para a família rotária. Em abril deste ano uma comissão se reuniu para estudar essa possibilidade. O RI recebeu uma declaração de apoio do Departamento de Estado Norte-Americano a respeito do assunto. Ele também espera que a China venha participar do mundo rotário [atualmente o país tem clubes provisionais]. “Gostaria que todo o mundo participasse da família rotária. Atualmente estamos presentes em 168 países, mas eu quero ver todos aderindo ao rotarismo”, ele afirma.
   Carl-Wilhelm vai incentivar os clubes a participar de projetos dedicados aos recursos hídricos, tema que ele englobou no grupo da fome e da saúde por considerá-los intimamente relacionados. “A água poluída é uma ameaça à saúde de milhões de pessoas em todo o mundo”, explica.
   As suas metas são ambiciosas. Ele enfatiza que nossa organização não é capaz de cumpri-las sozinha, e por isso a cooperação e a continuidade são os elementos centrais de sua gestão. Carl-Wilhelm vê o Rotary trabalhando ao lado de outras organizações em matérias como recursos hídricos e intercâmbio de jovens. “Existem cerca de 100 países e entidades trabalhando nessa questão da água limpa para todos. Se juntarmos as nossas forças, podemos fazer mais. Acredito na cooperação, e isso serve igualmente para programas como o de Intercâmbio de Jovens. Se temos um problema ou uma boa idéia, por que não compartilhar isso com terceiros?”
   A preocupação de Carl com a continuidade em sua gestão, que vai inaugurar o segundo século de serviços do RI, fica clara com sua escolha para o lema deste ano – “Dar de Si Antes de Pensar em Si” – uma espécie de volta às raízes de nossa organização. “Este lema engloba tudo o que fazemos. Tive uma oportunidade de ouro para resgatá-lo porque, no momento em que entramos num novo século, estamos relembrando as nossas origens. Por que não iniciar esse novo período com um antigo lema?”

   No final do seu mandato, entre os dias 11 e 14 de junho de 2006, Stenhammar presidirá a Convenção Internacional do RI que vai acontecer simultaneamente em Malmöhus, na Suécia, e em Copenhague, na Dinamarca. As duas cidades são unidas por uma ponte que inspirou o lema da convenção: “Rotary, uma ponte para o mundo”. “Para mim é um presente inesperado ser o presidente do RI no ano em que a convenção vai ser realizada no meu país”, ele diz, sorrindo entusiasmado quando pensa no evento de Malmöhus e Copenhague. Stenhammar observa que a próxima convenção ficará marcada por alguns fatos inéditos: além de ser a primeira convenção num país nórdico, será a primeira realizada simultaneamente em dois países e a primeira do segundo século do Rotary. “O ‘International’ que carregamos em nosso nome é intencional”, ele diz. “Nossa organização baseia-se no companheirismo e na amizade.”
   Ao ser indagado sobre o maior impacto provocado pelo Rotary no mundo, ele responde sem hesitação: liderança. “Somos uma organização de líderes, e esta liderança extrapola as fronteiras do nosso quadro social, atingindo o Intercâmbio de Jovens, o programa de bolsas de estudos, os participantes do IGE, os bolsistas dos Crei e todos os que participam dos demais programas rotários”, afirma. Na opinião dele, o Rotary ensina a essas pessoas o Dar de Si Antes de Pensar em Si e a prática do companheirismo internacional – lições que elas carregam ao longo de suas carreiras profissionais e no momento em que assumem posições de liderança.
   O ano de Stenhammar como presidente-eleito foi movimentado – em janeiro de 2005 ele esteve em Taiwan, Macau e Hong Kong. Ao que tudo indica, seu período na presidência será igualmente intenso: ele estima que vai viajar durante uns oito meses durante o mandato. Compromissos que o deixarão com pouco tempo livre para estar com a família e desfrutar com Monica das atividades recreativas de que tanto gostam, como velejar apreciando os espetaculares arquipélagos espalhados ao longo das costas da Suécia e da Noruega. Em vez disso, Carl estará ocupado marcando os rumos do nosso Rotary, impulsionado pelos ventos do passado que nos conduzem em direção ao futuro. E enquanto nossa organização navega em direção ao seu segundo século, os companheiros podem ficar seguros: o curso do barco será dos mais tranqüilos.




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