| Conheça
a incrível história do corneteiro de Pirajá
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1815, a batalha de Waterloo acabava de vez com o furacão napoleônico.
Ocupado pelos franceses, Portugal mantivera sua legitimidade trazendo
a família real para o Brasil, estratégia que tornou o
Rio de Janeiro a capital do reino. Com isso, os portugueses criavam
uma situação inusitada: o “Portugal europeu”
virava uma colônia do “Portugal americano” e o Brasil
era elevado à categoria de reino unido. De jure, não éramos
mais uma colônia portuguesa, situação que trouxe
como conseqüência a abertura dos portos.
Chegando ao Brasil como príncipe regente, dom
João 6º – que foi coroado aqui após a morte
de sua mãe, a rainha Maria 1a de Portugal – não
queria voltar para a Europa. Ele nutria o desejo secreto de transferir
a capital de Portugal para o Brasil. Em 1820, depois de cinco anos de
ditadura militar – período em que um general inglês
ocupou o trono de Portugal, vazio após o fim da ocupação
francesa – os portugueses se revoltaram, elegendo uma Constituinte
e promulgando uma Constituição que reconhecia dom João
6o como chefe de estado, intimando-o a voltar ao país e assumir
o trono. Resignado, o monarca retornou a Portugal, deixando aqui seu
filho Pedro, o herdeiro do trono, a quem instruíra para promover
a nossa independência – que estaria melhor nas mãos
dele do que de aventureiros, como acontecia com nossos vizinhos de continente.
Resistência
portuguesa
Para garantir o filho que ficava no Brasil, ao retornar
a Portugal dom João deixou aqui as guarnições portuguesas
que vieram com ele em 1808. Proclamada a independência em 1822,
na Bahia o general português Madeira de Mello – considerando
o gesto uma traição a Portugal – decidiu resistir
à emancipação.
O Brasil ainda não tinha uma força armada,
e Portugal mantinha suas guarnições aqui. Para enfrentar
o general Madeira de Mello, que contava com tropas veteranas em batalhas
européias, dispúnhamos basicamente de alguns voluntários
bisonhos, que nunca haviam recebido batismo de fogo. Os nossos veteranos
eram poucos. Entre eles havia um corneteiro, Luis Lopes – um negro
experiente em toques de comando. Mesmo assim, esse exército marchou
para a Bahia, enfrentando as tropas portuguesas na batalha de Pirajá,
disputada no Recôncavo Baiano. É óbvio que os portugueses
levaram vantagem.
A batalha começou de manhã e durou o
dia inteiro. Ao cair da tarde, o sol se punha atrás das linhas
brasileiras, cegando os olhos do exército português. Um
major – o oficial brasileiro mais graduado na linha de frente
– avaliando ser inútil resistir aos portugueses, resolveu
admitir a derrota, ordenando ao corneteiro Luis Lopes o toque de retirar.
No entanto, em vez de tocar a retirada, ele dá o toque de avançar.
Diante da vantagem que tinham, ao escutarem o toque de avançar
– e sem poderem enxergar com nitidez as linhas brasileiras por
causa do sol poente – os portugueses concluíram que nossas
tropas estavam recebendo reforços, e então debandaram.
De derrota, a batalha de Pirajá se converteu
em vitória em 2 de julho de 1823, data em que a guarnição
portuguesa se rendeu aos brasileiros, seus filhos insurretos.
E o que dizer desse herói, o corneteiro de
Pirajá? Vamos reverenciá-lo, porque ele merece.
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